Que a Apple não gosta de jailbreak, a gente sempre soube, afinal, a briga de gato e rato entre os hackers e a liberação de novos firmwares ocorre desde sempre. Mas em meados de fevereiro deste ano, a firma de Cupertino deu alguns passos à frente no seu posicionamento, afirmando que esse tipo de modificação seria ilegal e deveria ser banido. A Electronic Frontier Foundation (EFF) tem o apoio de algumas empresas e luta bastante contra a vontade de Steve Jobs.
Mas a coisa é mais séria do que nós podemos imaginar, segundo a Wired.com. Tão séria que a Apple enviou, no final de junho, um documento (PDF, 160KB) com nada mais nada menos que 45 páginas ao Escritório de Copyrights dos Estados Unidos explicando e exemplificando os mais diversos fatores que justificariam o seu posicionamento.
Entre as razões abordadas pela Apple, estão travamentos e instabilidade, mau funcionamento e insegurança, invasão de privacidade, exposição de crianças a conteúdos inapropriados, vírus e malwares, dificuldades de atualizar softwares, impacto em redes de telefonia celular, pirataria de aplicativos, instabilidade de apps, relação com desenvolvedores, limitação na habilidade de inovar e até mesmo prejuízos às próprias marcas Apple e iPhone.
Mas o x de toda essa questão, meus caros, é que a Apple simplesmente não quer enxergar o iPhone como um *computador* móvel. Ora, esse tipo de limitação não existe em PC algum, nem mesmo em Macs. Desde quando uma fabricante de computadores pode ditar o que um usuário instala em sua máquina? Quer dizer que se a Apple lançar um MacBook Air com 3G integrado (ou até mesmo a tão falada iTablet), tudo isso também será válido? E quem usa placas 3G em laptops via slots ExpressCard?!
A Apple diz que iPhones jailbroken poderiam, supostamente, afetar ou até mesmo destruir torres de telefonia celular. Alguém já soube de algum caso desse tipo? E, pelo amor de Deus, eu não poderia concordar menos com Fred von Lohmann, advogado da EFF: se o argumento da Apple fosse válido, o que dizer então sobre plataformas abertas como o Google Android? Estão todas erradas e são irresponsáveis? “Esse tipo de ameaça teórica é mais FUD do que verdade”, conclui ele.
O exagero da Apple chega ao ponto de dizer que permitir o jailbreak seria benéfico para traficantes de drogas. Segundo ela, hackers podem alterar o número de identificação exclusiva do chip (Exclusive Chip Identification, ou ECID) que informa o ID do aparelho à torre de celular, possibilitando ligações anônimas ou artifícios para a realização de chamadas sem custo.
Tudo isso pode soar muito “bonitinho” e correto à primeira vista, mas esse tipo de controle não é algo que cabe à Apple. Como uma fabricante de hardwares e softwares, ela tem que se preocupar em continuar evoluindo seus aparelhos e desenvolvendo o melhor e mais seguro sistema operacional que puder. O que cada um decide fazer depois não é da conta dela. Se muito, a pessoa pode se responsabilizar pela violação da garantia ou quebra da obrigatoriedade de prestação de suporte técnico. E só.
Ah, eu espero que essa briga *não* vá longe.
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