Não faz muito tempo, a Hewlett-Packard lançou uma atualização para sua linha de laptops premium, apropriadamente conhecida como Envy (“Inveja”, em inglês). Olhando para esse design, fica bem claro que realmente rolou uma inveja danada no processo de criação desse computador. O que leva uma empresa mundialmente conhecida a recorrer a esse tipo de coisa?

Matt Gemmell vai fundo nas razões por trás dos copycats, copiadores, imitadores ou quaisquer outros nomes que você quiser dar a eles. O resultado é uma visão do outro lado, do que pode estar passando na cabeça do idiota executivo que aprova o lançamento de um produto desses.
Um HP Envy da vida supostamente existe para dar “opções” ao consumidor. Que opções? Basicamente, a possibilidade de ter aquele produto líder do mercado, mas sem ter que gastar tanto e/ou com menos limitações. Adicionalmente, quando um dado item se torna excessivamente popular, ele “contamina” o mercado inteiro, de forma que imitá-lo fica quase inevitável (como exemplo, Gemmell aponta o PlayStation Move com relação ao Wii).
Isso é um problema, por vários motivos. Primeiro, quem compra a cópia não consegue ter a mesma satisfação que teria com o original; segundo, quem vende a cópia não consegue ter o sucesso do líder do mercado; terceiro, quem fabrica a cópia se queima muito (você perde credibilidade, se sujeita a processos, tem todo o trabalho de aplicar engenharia reversa pra imitar o produto alheio e depois ainda vai ter que suar mais ainda para apagar isso do seu passado).
O outro lado dessa prática, o lado do bem, é a inovação: Gemmell argumenta que “inovar” é mais “tornar algo novo” do que “criar algo novo”, muito mais “renovar” do que “inventar”. Veja o que a Microsoft fez: ela viu o Wii, decidiu que precisava de algo similar e, em vez de simplesmente copiar, ela inovou — daí nasceu o Kinect. Ela deve ter tido bem mais trabalho e gastado muito mais que a Sony, mas o resultado valeu a pena.
No fim das contas, há uma certa razão na loucura dessas empresas que simplesmente copiam o que as outras fazem: na hora do aperto, do desespero, quando não dá mais para esperar, vale qualquer coisa — Gemmell compara, muito apropriadamente, com o ato de “pescar” na hora da prova. Só que o carma é uma desgraça, e ele sempre volta pra cobrar seu quinhão.
A HP que o diga (ela foi motivo de notícia com o Envy, mas só pelos motivos errados).
[via The Loop]
Atualização
…e por falar em Envy, não deixe de ver esta ripagem maravilhosa feita pelo Revert To Saved em cima do vídeo em que os designers da HP falam sobre o processo de criação deste notebook.
Espantosamente, eles falam muito de “honestidade”, mas não admitem o que todo mundo já sabe. :-P
[via 512 Pixels]
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