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O Sistema Operacional do Século XXI

ou, “Fumaça, Faísca & Fogaréu

Em “It takes a Monopoly“, Robert X Cringely crava no sub-título: “Por razões que não têm quase nada a ver com o produto, o Windows Vista simplesmente não perderá“. Bob X mostra, citando os casos Win95 e WinXP, que a lógica da MS está mantida no lançamento do Vista. E aposta que, pelo menos em 2007, está destinada a ser bem sucedida. É uma pena, mas o Bob X nem sugere o que aconteceria a partir de 2008. Não fala sobre o que colocaria a lógica estratégica da MS em risco. Tática de bom blogueiro (sim, finalmente o “I, Cringely” virou um blog). Ele sabe que tal ’suspeita’ provoca comentários, palpites e mais audiência.

O Windows Vista encerra um ciclo — uma geração — que teve início com o Windows NT 3.5, na primeira metade dos anos 90. Vivíamos ali o ápice do downsizing e a consolidação da arquitetura Cliente/Servidor. A combinação NT+Win95+Office transformou a MS na empresa que conhecemos hoje. Foi a vitória do NT na briga contra o Netware que possibilitou o nascimento de produtos como Exchange, SQL Server e outros. Foi a indiferença do Win95 e do Office em relação ao ambiente em que estavam (casa ou empresa), que os transformaram em fenômenos de vendas. É sacana e inteligentíssimo o ciclo vicioso/virtuoso (depende do ponto de vista) que caracteriza essa era: o auge da dupla dinâmica MS e Intel, que atendia pelo singelo pseudônimo Wintel. O software que força upgrades de hardware, tática aplicada novamente com o Vista, está bem explicada no post do Bob. É condenável? Não. Afinal, cai nela (comprando) quem quer (ou pode). Mas muita coisa parece indicar que essa era está terminando.

Há dois anos a MS percebeu isso, e esquartejou do Vista uma série de “inovações”. Não se tratou exclusivamente de problemas com a arquitetura macarrônica do Windows e o caos que caracterizava o projeto Longhorn. Ray Ozzie, então recém-contratado, apontou os erros e o caminho. Argumentação aceita, Ozzie ganha o Grande Projeto da MS, o Windows Live, e de quebra abocanha o cargo de Bill Gates. Mas…

…o Longhorn (Vista) estava no forno. Há tempos a MS anunciava suas maravilhas. Não dava pra simplesmente falar para o mercado esquecer tudo. Então eles resetaram o projeto, tornando-o relativamente mais simples, e seguiram como se nada tivesse acontecido. Taí, o Vista já está disponível para as empresas. E no próximo 30 de janeiro será liberado para as massas.

Não foi intencional, chega a ser engraçado, mas o Vista é na verdade só uma (imensa) nuvem de fumaça. Que carrega nos ombros uma responsabilidade daquelas: tentar recuperar o máximo possível dos US$5 bilhões que recebeu como investimentos. Em 2 anos! Mas é só isso: o Vista é apenas um belo plano ‘B’! Se o Ray Ozzie, a Google e eu estivermos errados, o Vista seguirá sua sina (repleta de service packs) e não falaremos mais nisso.

Mas tudo indica que o Grande Plano da MS chama-se Windows Live. Ele é o plano ‘A’. E isso muda tudo!

O próximo capítulo desta série falará sobre as Faíscas. Antes porém, algumas informações relevantes:

  1. Fumaça <> Vaporware. O Vista é fumaça, o Live está mais para vapor. Do primeiro já podemos sentir o cheiro. Já tem gente pirateando, por exemplo. 95% do segundo ainda está só no papel. Ops.. no Powerpoint. Prazo final do projeto? Junho de 2009.
  2. Uai… e o que o Mac tem a ver com isso? Tudo, afinal o Mac OS X também é da geração de SO’s que está à beira da extinção. Mas há controvérsias. Nos próximos posts e nas discussões com os colegas mais letrados em Mac falaremos mais sobre isso.
  3. Não, a Google não lançará um SO. Ela não precisa de um. Apesar de ser uma das principais geradoras de faíscas, seus interesses são outros.

Quem escreve?

Paulo Vasconcellos

Paulo Vasconcellos
Mineiro de Varginha, especialista em tecnologias do outro mundo e curioso com as tecnologias deste mundo. Chama a Microsoft de mon amour, mas anda apaixonado pelo Ubuntu. É consultor independente, palestrante e grafiteiro virtual. Espera o lançamento de um iPod AmaroK (sem DRM), o nascimento do MS-Linux, a criação do MacUbuntu e a Libertadores do Timão. É um otimista. E meio radical.

15 Comentários


  • André Sugai

    Uau.. curti muito seu texto Paulo!! como é o primeiro que leio vindo de voçê parabéns pela bela estréia!! ahaha e quanto ao Vista, ao que tudo indica me parece mais como uma forma de tirar dinheiro dos amantes da microsoft com upgrades de hardware… não ouvi nada desse SO que não tenha visto no Mac OS X… bom, é esperar pra ver né!! mais uma vez parabéns pelo texto.

    Usando o Netscape Netscape 7.02 no Mac OS Mac OS

  • Paulo Vasconcellos

    Valeu André! Grato pela força.

    Usando o Mozilla Firefox Mozilla Firefox 2.0 no Linux Linux

  • Nelson Biagio Junior

    Belíssima estréia, meu caro. Parabéns!!!

    Uma frase do seu texto me deixou assas curioso: “Não, a Google não lançará um SO. Ela não precisa de um. Apesar de ser uma das principais geradoras de faíscas, seus interesses são outros”. Você poderia falar mais a respeito???? :D
    Por falar nisso, vc já conhece o Google Master Plan??? rs!!!!

    Usando o Mozilla Firefox Mozilla Firefox 2.0.0.1 no Mac OS Mac OS X

  • Paulo Vasconcellos

    Tks Nelson. E me desculpe pela demora.

    Sim, já conhecia o plano de dominação do mundo da Google. E um GoogleOS segue na lista de tendências de alguns - da ZDNet, por exemplo. (http://blogs.zdnet.com/BTL/?p=4177&tag=nl.e622)

    Eu acho que em curto e médio prazos, um GoogleOS seria um tiro no pé. A Google tira proveito de sua ubiquidade. Ela vive quase sempre em cima do muro quando o assunto é plataforma. Internamente ela praticamente só usa Linux. Mas alguns de seus produtinhos (Google Desktop, por exemplo), só existem para Windows.

    A Google seguirá ‘comendo pelas beiradas’, infiltrando-se no desktop onde lhe parecer relevante. Mas seu negócio, sua incomensurável ‘vaca leiteira’, segue sendo Publicidade. Um SO (ainda) não tem nada a ver com isso.

    Em meus próximos artigos vou falar um pouco mais sobre isso.

    Usando o Mozilla Firefox Mozilla Firefox 2.0 no Linux Linux

  • Nelson Biagio Junior

    Acho que é mesmo por aí, Paulo. Porém, eu ainda não entendi como o Google ainda não lançou seu próprio browser. Aí estaríamos falando em core business, não?!

    Usando o Mozilla Firefox Mozilla Firefox 2.0.0.1 no Mac OS Mac OS X

  • Paulo Vasconcellos

    Não meu caro Nelson. Cai no mesmo problema do SO: a Google teria que privilegiar seu browser. E começaria do zero numa seara bem definida e muito conservadora: o que explica os 80% de IE que resistem por aí? De novo, a Google prefere ficar em cima do muro…

    … com uma quedinha pelo Firefox. Ela apóia o Firefox, tanto que o distribui num Kit com sua toolbar.

    Nelson, a Google detesta “reinventar a roda”. Pra que ela teria um browser? O que esse bichinho teria de diferencial? Uma das coisas que mais admiro nessa empresa é seu pragmatismo. Por exemplo, no início deste mês ela “matou” o projeto Answers. Não deu retorno? Cancela! Um browser não traria retorno nenhum. Só aquelas várias dores de cabeça que acometem IE e Firefox.

    []’s

    Usando o Mozilla Firefox Mozilla Firefox 2.0 no Linux Linux

  • Nelson Biagio Junior

    Tem toda a razão, Paulo. Não havia considerado esse aspecto da questão.

    Usando o Mozilla Firefox Mozilla Firefox 2.0.0.1 no Mac OS Mac OS X

  • Marcos

    Muito bom. Lendo agora em retrospectiva vê-se que vc acertou mesmo…O Vista foi apenas fumaça (seguido, como vc previu do seu primeiro Service Pack — mas vc se esqueceu de mencionar que, ao contrário do que a Microsoft prometeu, tá vindo aí tb o Service Pack 3 para XP, vejam só! Parece que a Microsoft não tá podendo abandonar o velho sistema, visto que o Vista tá tropeçando pra emplacar!). Parabens bidu!

    Usando o Safari Safari 419.3 no Mac OS Mac OS X

  • Paulo Vasconcellos

    Valeu Marcos!

    Minha bola de cristal líquido até que acerta de vez em quando. Por falar nisso, tá na hora de publicar as previsões para o terrível biênio 2008/2009…

    Abraços

    Usando o Mozilla Firefox Mozilla Firefox 2.0.0.11 no Ubuntu Linux Ubuntu Linux

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