Seqüência de “O Sistema Operacional do Século XXI“.
Lá nos tempos dos Flintstones, um cara (com certeza não foi o Fred) observou que o choque entre rochas gerava faíscas. Em uma década aprendeu a bater pedrinhas. Até hoje não entendeu direito como se controla incêndios. Mas é a Faísca que nos interessa. Um dos principais motores da inovação é o choque. Em tempos de capitalismo ultra-selvagem, quem melhor observa os choques e aprende a gerar faíscas ganha o que os letrados chamam de “Vantagem Competitiva”.
Há mais de 10 anos a web gera uma tempestade de faíscas. Muitas foram percebidas e devidamente capitalizadas. Outras tantas foram mal percebidas, confirmando aquela tese que diz que, de cada 10 idéias, 9 são a mais pura bullshitagem. Nossa questão — a idéia central desta série — trata das faíscas que ainda não foram vistas. Particularmente quando olhamos para nossos Sistemas Operacionais (SO).
Foi noticiado pouco tempo atrás: já passamos mais tempo na Web do que na frente da TV. O micro caseiro deixou de ser uma ferramenta de trabalho, estudo e um pouco de diversão (que acontecia só com joguinhos). Agora ele é nosso principal meio de comunicação e a fonte de entretenimento favorita. Isso muda tudo!
Desconheço estatísticas que falem disso, mas aposto meia dúzia de chopps na seguinte conclusão: no ambiente de trabalho, as pessoas passam mais tempo na web (ou executando outras atividades que exigem conexão com a internet, como recebendo e enviando emails, por exemplo) do que executando atividades offline. Isso deveria mudar tudo!
Mas não mudou. Vamos dar uma breve olhada nos nossos SOs. Todos eles, Windows, Mac OS ou qualquer distro Linux. Todos estão fortemente baseados em um conceito de SO que nasceu no final dos anos 70. Ok, se você não gostou do exagero: conceito que nasceu na primeira metade dos anos 90. Ok? Não importa: estão todos ultrapassados. O conceito tá com prazo de validade pra lá de vencido. (Sim, o Vista nasceu velhinho. Assim como o Mac OS X 10.4 Tiger. E o “Feisty Fawn” nascerá obsoleto em 19 de abril do próximo ano.)
Quantas portas (não aquelas que vc trava no firewall — estou falando de portas no sentido figurado) seu SO abre para a web? Na média, quase todo mundo só usa três: um browser, um cliente de email e um instant messenger. A internet é grande demais para ser recebida por apenas 3 portas. Por mais que nossos queridos browsers, repletos de penduricalhos (Adobe Reader, Flash, Toolbars etc), se esforcem.
O Ubuntu e outras distribuições Linux já aproveitaram algumas faíscas, e abrem mais portas para a web do que seus concorrentes*. Um dos melhores exemplos é a dupla apt/Synaptic (Adept em alguns distros). O Synaptic é um gerenciador de pacotes. Equivale ao “Adicionar/Remover Programas”, que existe no Painel de Controle do Windows desde os tempos do motor mono-combustível. Posso estar enganado, mas o “Add/Remove” segue do mesmo jeitinho (limitado) no Vista. Enquanto seu irmão rico do Ubuntu usa e abusa da conectividade com a web. É a soma do “Add/Remove” com o famigerado “Windows Update”. Só que o Synaptic é Aberto, Livre e não é dedo-duro. Ele não olha só para si (ou para o SO), mas para todo o ambiente — todas as aplicações instaladas. E gerencia tudo: atualizações, remoções (sem deixar lixo) etc.
Mas ainda é muito pouco. Pouco se realmente prestarmos atenção em todas as faíscas que a web gera. Existem atualmente duas fortes tendências no mundo de TI: SOA (Service-Oriented Architecture) e SaaS (Software as a Service). São coisas diferentes com uma palavrinha comum: Serviços. A soma de outra palavrinha da moda, Convergência, me faz apostar no surgimento do SOOS: Service-Oriented Operating System.
Vou ficar rico por ter cunhado o termo não. Acabei de buscá-lo no Google e obtive 13 links. Num deles, um post de 2004, diz que a Sun lançaria um SOOS em 1º de janeiro… de 2006. O SunStorm. Nem chuviscou. Mas o cara escreveu depois que o press-release era de mentirinha, hehe. Entendi não, mas de qualquer maneira vale a idéia: O SO do Século XXI é Orientado a Serviços. E ele deve jogar a última pá de cal nos SOs da geração DOS (Disk Operating System) Flintstone.
No próximo post eu tentarei mostrar um pouco mais como será o SOOS. Ou Seria So2S? Ou SO2? Dióxido de Enxofre? Fedidin… vish. SOS!!!
.:.
* Após a primeira publicação deste artigo o Rafael Fischmann fez algumas considerações:
“O Mac OS X é todo integrado com a web, do nível do Vista para cima e, quem opta pagar US$100/anuais pelo .Mac, tem mais integração ainda. Dá uma olhada:
“Eu acho que o processo de migração das plataformas offline para online é algo extremamente delicado e que será um tanto demorado. Acredite ou não, ainda existem milhares de pessoas no mundo acessando a web via linha discada, 56k. Que dirá a grande maioria ter acesso à reais conexões de banda LARGA.
“O Mac OS X 10.5 Leopard vem aí com ainda mais interação. Uma que me lembro, de cara, é um novo recurso do Safari+Dashboard, no qual será possível criar widgets instantâneos a partir de qualquer site na internet.”
Admito, o Mac OS X parece ser mais “conectado” que o Ubuntu. Mas isso não o torna um SOOS.
Se você der uma olhada no .Mac, sugerido acima pelo Rafael, verá que ele tem razão. O Mac já abre várias portas para a Web. “Back up your Life” é de uma simpatia danada. Mas, salvo engano, todos os serviços oferecidos já existem de outra forma na Internet. Boa parte deles de forma gratuita, como o Picasa da Google (versus o “Photocast with iPhoto”).
Caros colegas, o SOOS que eu vejo pega mais embaixo. Lida com questões até básicas de um SO como conhecemos hoje. E sim, ele saberá quando operar on ou offline. Não vejo as duas modalidades como mutuamente exclusivas. Nunca. Não será uma questão de largura de banda, e sim de comodidade, funcionalidade e performance.
O próximo artigo mostrará as características básicas do SOOS. Antes do novo ano que se aproxima. Inté!






André Sugai
22/12/2006 às 12:57
Acho que (pelo menos no caso do MacOS) dizer que o sistema é perfeito só vale até anunciarem a próxima versão hahahah
Usando oPaulo Vasconcellos
22/12/2006 às 13:02
Para nossa sorte meu caro André, nunca existirá um software perfeito! hehe..
Usando oBruno Casarini
22/12/2006 às 13:54
Acho muito prático e interessantes as aplicações online e como elas podem cortar custos e agilizar processos. Mas não me vejo de forma alguma dependendo exclusivamente de serviços online. Equipamentos falham e falharão. O melhor é ter opções. Crie um .doc ou .xls em casa e mande pro Google Docs & Spreadsheets (ou qualquer outro). Como maioria dos computadores do mundo tem o Office instalado ou internet (ou ambos), o problema agora passa a ser apenas a sincronização dos arquivos.
Usando oLeandro Godoy
22/12/2006 às 13:56
Olá Paulo …
Concordo contigo em vários aspectos.
Eu inclusive a alguns meses atrás escrevi algo bastante semelhante no meu Blog com o título de “Sistema Operacional para Desktop tem futuro?”.
Dá uma olhada e faça suas criticas:
Link: http://www.blogmind.com.br/arc.....-futuro/54
Abraços
Usando oPaulo Vasconcellos
22/12/2006 às 15:35
Obrigado meu caroLeando. Vou dar uma olhada e deixo meus comentários por lá (por enquanto), ok?
Caro Bruno,
Minha intenção (que parece estar meio nebulosa até o momento), é baixar o nível. Quero falar de serviços do SO. Mas vamos lá, porque o ponto que você toca é interessante. Pense no seguinte: o outsourcing offshore é uma onda que veio pra ficar. Você pode ter pessoas trabalhando em vários cantos do mundo em um mesmo projeto. Você acha realmente que é só uma questão de sincronização? O trabalho coletivo é uma realidade. Você pode editar textos ou planilhas a 4, 6, 8, uma dúzia de mãos. Mãos que estão na Índia, no Brasil, nos EUA etc.
Mas eu já comentei anteriormente: não se trata de uma disputa “online” versus “offline”. As duas modalidades de trabalho podem coexistir sem problema algum. É só uma questão de definir o que é melhor para cada tipo de atividade.
[]’s e muito obrigado pela participação.
Usando oCamilo
22/12/2006 às 16:50
Achei muito interessante o seu texto. Explorou Sistemas Operacionais de uma forma diferente do que vinha lendo (como esse negócio de SOs online). Realmente, estamos numa estrutura antiga, a renovação deve ditar o próximo (grande) passo na Internet.
Aplicações para serviços tendem a ser o que mais se produzirá daqui pra frente (espero), isso já no desktop seria excelente.
Não entendi completamente porque nunca tive contato com Mac e o que mexi em Linux foi coisa de meia hora. No Windows não vejo algumas coisas como você falou
Estou esperando para ler o próximo texto.
[ ]´s
Usando oBruno Casarini
22/12/2006 às 21:28
Caro Paulo,
Em meu comentário anterior, baseei-me apenas na minha realidade para expressar minha opinião sobre o texto. Os serviços online são, sem dúvida, uma ótima ferramenta para trabalho coletivos da qual, inclusive, faço uso esporadicamente.
Mas como eu disse, e você reafirmou em “As duas modalidades de trabalho podem coexistir sem problema algum. É só uma questão de definir o que é melhor para cada tipo de atividade”, o que interessa mesmo é termos opções. E é por acreditar nisso que eu me fiz um ótimo favor: adquiri um iMac e instalei o Windows!
Usando oabraços!
Paulo Vasconcellos
22/12/2006 às 21:39
NÃOOOOOOoooooooooooooooooooo………………………
Hehe. Brincadeirinha. Boa sorte! Mas, me diga uma coisa: dá pra rodar Ubuntu?
Se der, experimenta.
[]’s. Boas festas!
Usando oBruno Casarini
23/12/2006 às 14:40
Ainda nao testei o Ubuntu, mas queria deixar bem claro: eu tentei de todas as formas rodar o Diablo II - Lord Of Destruction no Mac OS X. O Windows foi instalado quase exclusivamente pra ele - pro Illustrator tambem, ja que Rosetta 512MB de RAM fica meio lerdo…
Feliz Natal e otimas festas!
Usando oabraços!
Bruno Casarini
23/12/2006 às 14:41
Rosetta MAIS 512MB de RAM!!!
Usando oO sinal de mais nao saiu!