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Uma breve história do símbolo, parte 3: Google

Depois de desbravar a história do símbolo da Apple, e vermos rapidamente a evolução de alguns símbolos de empresas famosas, chegou a hora do mocinho da vez — na verdade, farei uma releitura do artigo da Wired sobre o mesmo tema.

Google 1

A primeiríssima opção foi essa acima. A tipografia utilizada então era a Adobe Garamond, e o preto faz o contraste ideal com as cores utilizadas entre os dois Os. Ruth Kedar, designer que projetou o símbolo do Google, parece ter se aproveitado da repetência da letra e fortaleceu essa simetria com a textura colorida posicionada estrategicamente. As cores são o vermelho, azul e amarelo — cores primárias –, além do verde. Porém, essa textura parece um pouco complicada, e o preto ficou pesado, quando a exigência natural para a maior parte dos símbolos é a leveza e simplicidade.

Segundo o próprio designer, a textura brinca com a noção de infinito (dá uma olhada aí no teclado da Apple :P) e as cores são para alegrar o logotipo — eu não disse que o preto pesou?

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A segunda opção, eu particularmente, detestei. Segundo Ruth, Brin e Page queriam demonstrar a exatidão e facilidade de uso do Google, mesmo com um algoritmo complexo, e o que seria o diferencial da concorrência segundo os dois: a exatidão. Pela explicação, realmente faz sentido: o amontoado de círculos formaram uma composição complexa, que complementada com a cruz abaixo, forma um alvo. Ficou complicado mesmo, mas dá pra pegar o espírito da coisa com uma olhada rápida. A tipografia passou de Adobe Garamond à Catull, que seria utilizada na versão final do logotipo. Mas vale dizer que foi daí que surgiu a inspiração para todos aqueles Os que aparecem lá embaixo, já na página de resultados. Gooooooooooooooooooooogle!

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Finalmente, simplificaram os círculos! E as cores antes utilizadas de forma mais discreta começam a ganhar mais espaço. A brincadeira com os dois Os continua: agora, apenas os dois aparecem, sem nada acima para complicar. As cores são alternadas em cada intersecção dos Os, que não aparecem alinhados na horizontal, mas seguem uma linha mais diagonal, ao contrário do resto das letras. A justificativa desse é que a busca envolve culturas e países diferentes, já que as buscas vão longe… não me convenceu muito, não.

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Esse só acertou em tirar de vez o preto. Acho que nesse caso, usar todas as letras em caixa alta fica mais bruto do que as utilizar em caixa baixa. A desculpa é que isso deixa o logotipo mais sólido, forte — o que não deixa de ser. Os dois Os foram melhor aproveitados e a idéia da lupa e do alvo ficou muito bonitinha, mas também é batida. Page e Brin gostaram dos dois elementos, mas não usados ao mesmo tempo, algo que veremos a seguir:

13-google5.gif

Fofo esse. Viram como a caixa baixa deixou tudo mais delicado? Fora o acréscimo do roxinho-rosa, algo que eu nem gosto ;). A carinha da lupa é pra deixar mais alegre mesmo, buscas com resultados felizes — reparem a preocupação em deixar a coisa alegre e divertida, isso é citado constantemente no artigo original. Quanto às cores, diz Ruth Kedar que usou as mesmas tanto na primeira quanto na última e cores diferentes no meio referindo-se às diferentes rotas que a informação seguirá até chegar ao usuário. Sim, nós designers justificamos muito as coisas.

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A fonte da vez é a Leawood, mais gordinha, com uma quebra no G. Tudo ficou mais limpo, e com o acréscimo das sombras e algum volume às letras, o logotipo ganha tridimensionalidade. Algumas letras já ganharam suas cores definitivas. Já se aproxima mais da versão final.

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Voltam os dois Os dispostos em diagonal, pra não deixar o Google com uma aparência quadradona e formal, e novamente a fonte é a Catrull. A cor do L ainda não foi definida: foi de azul à um quase ciano passando pelo roxo.

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Fini! De todos, realmente foi a melhor escolha. Mais limpa, precisa e exata, já que todos os fru-frus se foram, se torna mais marcante e fácil de ser lembrada posteriormente pelo público. As cores são puras e deram o aspecto alegre que buscaram tanto sem exageros — ele realmente é alegre e equilibrado, dada a repetência das cores. E sim, como toda boa empresa nerd, as cores não seguem o senso comum (verde é única cor não-primária ali) porque (sim, isso mesmo), o Google não segue as regras. Não sei de quais regras falam, mas… gosto desse. :P

Confira o artigo original da Wired aqui.

Quem escreve?

Luciana Schmoeler

Luciana Schmoeler
É estudante de Design Gráfico e, como todo bom designer, adora Macs. É apaixonada por cinema e gosta de curtir as trilhas dos filmes no iPod.

10 Comentários


  • Marcus Roberto

    Estou gostando muito dessa série de matérias sobre os designs de logotipos. Sou fanático por design e espero um dia fazer faculdade de Design ou Desenho Industrial.

    Usando o Safari Safari 523.15 no Mac OS Mac OS X

  • Calefacto

    OOh, show!!

    E esse ‘o’ que ficou sambando entre versões, mas que gente insistiente, deixa ele quietinho lá no lugar dele que fica legal :)

    Usando o Debian IceWeasel Debian IceWeasel 2.0.0.3 no Debian GNU/Linux Debian GNU/Linux

  • Thiago L. Christofoletti

    Muito bacana Lu! :)

    Usando o Safari Safari 523.15 no Mac OS Mac OS X

  • Rodrigo Korovichenco

    Olá… Gostei muito da matéria…

    Sobre as cores… até onde conheço de cores, as cores primárias (quando pensamos em tintas) São: Cyan (quase um azul bebê), magenta (um rosa forte) e amarelo.

    Agora, quando pensamos nas cores primárias de fatou, ou seja, a luz. São elas: Verde, Vermelho e Azul. Assim sendo, das cores do logo do google a única que não é cor primária é o amarelo. O amarelo é obtido da mistura da luz vermelha com a luz verde (parece estranho, mas não confunda luz com tinta)….

    Bom… é essa observação que tenho a fazer… de resto, parabéns pelo site. Descobri a dois meses e passo por aqui toda manhã.

    Abraços.

    Usando o Safari Safari 523.12 no Mac OS Mac OS X

  • Eduardo Marques

    E eles ainda continuam brincando bastante com os dois “Os”. :-)

    Usando o Safari Safari 523.15 no Mac OS Mac OS X

  • André Sugai

    Outra coisa legal no Google são os logos comemorativos :)

    Usando o Mozilla Firefox Mozilla Firefox 2.0.0.12 no Windows Windows XP

  • Luciana Schmoeler

    @Rodrigo, isso causa certa polêmica mesmo, veja os comentários do artigo original da Wired. É que dentro das artes plásticas, as cores consideradas primárias são realmente o vermelho, o azul e o amarelo. O verde é secundária porque é resultado de uma mistura, portanto pode ser decomposto em duas cores — e foi essa a justificativa usada, o que não deixa de estar certo sob esse ponto de vista.

    O vermelho, o verde e o azul, como você disse, são consideradas primárias em emissões de luz, por isso o famoso RGB.

    Usando o Safari Safari 523.12.2 no Mac OS Mac OS X

  • Kevin KO - Vitor de Castro

    É, esse último está muito bom! O legal é que o Google vive bricando com o logotipo em datas especiais.
    É um bom logotipo, espero que não mudem. Uma que mudou, e não me acustumei foi a Xerox.

    Usando o Safari Safari 523.15 no Mac OS Mac OS X

  • André Sugai

    Realmente, não sei o conceito impregado na remodelação do logo da Xerox mas achei muito estranho também…

    Usando o Mozilla Firefox Mozilla Firefox 2.0.0.12 no Windows Windows XP

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