“A Apple ronda o Brasil” é o título de um recente artigo do Portal EXAME que já começa afirmando que um representante da empresa esteve em terras tupiniquins no início deste ano para avaliar a possibilidade de uma produção local de iPhones e iPods.
Segundo Camila Fusco, autora da matéria, a soma da alta carga tributária unida a um mercado ilegal de PCs que beira 45% das vendas nacionais gera uma previsão de que 90% dos iPods vendidos no país sejam importados ilegalmente.
Isso tira, é claro, o Brasil do radar do CEO Steve Jobs. Por isso, a “unidade Apple Brasil” conta, ainda hoje, com cerca de 10 funcionários num escritório em São Paulo — responsáveis por 0,1% do faturamento anual da empresa, ou cerca de US$24 milhões.
As coisas estão mudando, porém, com a chegada do iPhone e o elevadíssimo interesse do mercado brasileiro em absorver celulares de alta tecnologia:
A primeira aproximação aconteceu em dezembro, quando a empresa enviou sua gerente-sênior de assuntos governamentais para a América Latina, Susan Cronin, diretamente a Brasília. Ela se reuniu com representantes da Presidência da República, da Casa Civil, e dos ministérios da Fazenda e das Comunicações, na tentativa de obter vantagens fiscais semelhantes às de que desfrutam os fabricantes de computadores.
“A Apple sondou incentivos de importação para trazer o iPhone mais barato ao país e chegou até a oferecer como contrapartida o investimento de 5% do faturamento em pesquisa e desenvolvimento, como fazem as empresas beneficiadas pela Lei de Informática. Mas o governo não deu sinal positivo porque não teria como justificar a concessão para uma empresa que não produz aqui”, revelou um dos participantes da negociação, que pediu para não ser identificado. Cronin não conseguiu nenhum avanço significativo na primeira visita, mas prometeu voltar.
Aparentemente a negativa só impôs um desafio (positivo) ainda maior pela Apple. As recentes re-estruturações da empresa, que inclui aí a entrada de Alexandre Szapiro na sua gerência geral via convite de Carlos DeVries — que cuida da Apple Latin America e trabalhou com Szapiro na Palm — têm como objetivo colocar o Brasil, de uma vez por todas, na rota estratégica mundial da empresa.
Correm discussões na matriz da Apple sobre a possibilidade de uma fabricação local terceirizada no Brasil. Mais uma vez voltamos aos mesmos rumores, mas tenho que admitir que hoje o cenário é outro, e essa especulação tem hoje um peso muito maior do que teria há 3 anos. Claro que a falta de escala para produtos da marca e altos investimentos necessários para a produção local são grandes barreiras para sua concretização, mas a idéia foi lançada.
Por enquanto, o trabalho de DeVries e sua equipe é, basicamente, mostrar para Steve Jobs o potencial do Brasil. Para isso, eles têm que ganhar participação no mercado nacional — e estão indo atrás do objetivo com a abertura de diversas mini-lojas da Apple por todo o país e com o plano de trazer o iPhone oficialmente para cá.
Se conseguirem comprovar que conseguirão vender 80.000 aparelhos por mês — cerca de 1 milhão por ano —, a idéia de fabricá-lo no Brasil começa a se tornar bem mais viável. O número parece possível, mas é bem elevado; para terem uma idéia, em 2007 foram vendidos 2,2 milhões smart-phones no país — categoria na qual o iPhone se enquadra. Isso significa que, deixando de lado o crescimento natural em vendas para 2008, a Apple teria que lutar para abocanhar cerca de 50% deste mercado.
A estruturação de uma fábrica local agrada muito aos integrantes do governo, sobretudo em virtude da possibilidade de geração de empregos e transferência de tecnologia. “Seria muito importante para o país uma parceria com uma empresa local de manufatura, já que o acordo significaria investimentos significativos também em pesquisa em desenvolvimento”, diz o deputado Julio Semeghini (PSDB-SP).
Com um total de impostos que chegam a quase 67% do valor do produto, se a Apple conseguir realmente produzir o iPhone no Brasil, seu preço cairá drasticamente. Hoje em dia, consegue-se comprar aparelhos ilegais, sem contrato com operadoras (e desbloqueados), por preços que variam de R$1.000 a R$1.800. Vamos torcer para as previsões se concretizarem e as coisas realmente melhorarem pros nossos lados.
[Dica da Licia N. Freitas, obrigado!]






Marcos Paulo
28/03/2008 às 12:21
Se os preços dos produtos fossem bem mais baratos com certeza a Apple iria realmente ter o seu valor no Brasil.
Mas com esses impostos… tudo fica mais dificil.
Usando oTiago
28/03/2008 às 12:30
esse assunto é tão batido, que por mais que seja verdade, só da pra acreditar qd vc chegar na Fast Shop e ver um iPod Classic por 10 x R$ 49,00
Caso contrário, só sonho!
Usando oLéo - Vitória (ES)
28/03/2008 às 12:33
Realmente Marcos, estou usando um Hackintosh pelo fato de cansar de esperar uma baixa nos preços do mac, e antes que digam que tem o mac mini, não quero deixar meu pc por um mais fraco sem gravador de dvds…
A cada dia que uso o mac os mais vou gostando da coisa, é mesmo um grande OS.
PS: Uma coisa que notei é que usando o emule consigo acessar sites sem problemas, enquanto que no Windows era quase impossível, parecia que tomava a banda toda ou chegava no limite de acesso simultâneo.
Usando oNosferat
28/03/2008 às 12:38
Acho que isso seria o máximo!
Usando oMas vale lembrar que hoje já vivemos um paraíso comparado com tempos atrás… pode-se comprar um MacMini a R$ 1600,00 e parcelado em 12x sem juros, isso a pouco tempo atrás era inimaginável. Isso é valor de terceira linha, e mesmo guardadas todas as limitações do Mini, ele é um ótimo micro.
Vejo as coisas caminhando bem, só não creio em um iPhone sem antes a iTMS até pelo modelo de negócio.
Eduardo Marques
28/03/2008 às 12:49
Vamos torcer. Muito!
Usando oWesley de Araújo
28/03/2008 às 13:35
A Notícia é Interessante, mas não sei se é viável para a Apple, pois os custos de Produção na China são muito baixos… Tanto que a Apple monta na China e vende nos USA, da mesma forma que a Nike, Adidas, Embraer (é isso mesmo, tem empresas brasukas produzindo na China) e muitas outras que se aproveitam da mão-de-obra de baixo custo e de bom nível técnico. A Cultura chinesa faz com que os subordinados acatem as ordens, sejam pontuais, são muito disciplinados. Agora no Brasil é difícil arrumar mão-de-obra com essas qualidades…
Usando oIury Álex
28/03/2008 às 13:52
Tomara que isso tome um rumo antes deu comprar meu iMac (final desse ano).
Usando oteco
28/03/2008 às 14:10
Leiam os sensatos comentários do Wesley acima e parem de delirar! A Apple vir montar hardware por aqui é conversa pra boi dormir mesmo porque ela já fez isso uma vez (com a linha Performa 6100) anos atrás e quebrou a cara. Se levar em conta a concorrência com produtos “importabandeados” o mercado brasileiro, além de se mostrar pequeno, exigiria muita “evangelização” e produção/produtividade para oferecer preços razoáveis.
Seria mais fácil fazer como os americanos fazem: v. encomendaria a máquina da Apple Online e a Fedex, que cuida desde o transporte da China, entregaria em sua casa passando por um processo de importação simplificado.
Reclamações em Brasília, por favor.
Usando odumpa
28/03/2008 às 14:25
“transferência de tecnologia” agora virou motivo para dar o aval a algo, mas sabemos que essa transferência não existe.
O grande empecilho são os altos impostos e a burocracia extremamente excessiva e nada transparente. iTunes Store, como a Apple iria pagar ao Ecad se o mesmo não diz como repassa os valores?? o buraco é bem fundo. E se por acaso ainda assim vierem seremos ainda assim prejudicados pelos altos valores.
O problema todo se resume a uma legislação ultrapassada, engessada e feita por pessoas que não entendem lhufas de nada a não ser em receber por fora.
Usando oLeno
28/03/2008 às 15:41
Bem… Então tá.
Usando oDouglas Carvalho
28/03/2008 às 16:05
A assistência aos seus produtos andam como andam, imagine fabricar! Eca!
Usando oArimathéia
28/03/2008 às 16:29
Ja esta decido o local em Sorocaba? Pelo que sei, existe uma batalha brutal entre São Paulo, Paraná e Amazonas por empresas de tecnologia em termos de benefícios fiscais.
Vide Toyota-Positivo-CCE
Usando oFelipe Cepriano
28/03/2008 às 17:36
Se eles forem “fabricar” aqui no Brasil, com certeza não seria montada uma fábrica da Apple, mas a Flextronics, a Foxconn ou a Celestica fabricariam os aparelhos aqui.
O custo não é tão alto e pode ser bem vantajoso.
Usando oJean Madson
29/03/2008 às 13:36
Eu só não entendi uma coisa. Por que o Brasil precisa ser “esforçar” tanto para estar a ‘altura’ da Apple? Se eu li direito, a Apple vendeu no mundo inteiro 3,7 milhões de iPhones. No Brasil, foram vendidos 2,2 milhões de smartphones em 2007 - categoria do iPhone. Pelos planos demonstrados, pra Apple vir definitivamente para o Brasil, é preciso ter escala, e isso significa vender 1 milhão de iPhones em um ano. Ou seja, pra Apple vir para o Brasil, suas vendas do smartphone iPhone precisam ser metade das vendas nacionais e um terço das vendas mundiais. Não é pedir demais? Se isso acontecer, o Brasil vai ser a galinha dos ovos de ouro da Apple, ou entendi tudo errado?
Usando o