Podcaster e a controvérsia 3.3.3


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18/09/2008 às 10:10

A controvérsia de aplicativos aceitos/enjeitados/rejeitados pela iPhone App Store continua dando pano pra manga: depois dos fiascos de I Am Rich, do BoxOffice, do NetShare e do Pull my Finger, agora o Podcaster vem para a lista de aplicativos controversos e já chega com muita bagagem para visar ao primeiro lugar! Tudo bem, difícil ganhar do “I Am Stupid Rich”, mas, ainda assim, com muita lenha pra botar na fogueira.

Há alguns dias, soubemos que o desenvolvedor do Podcaster recebeu uma educada carta da Apple que dizia que seu programa não tinha sido aceito por duplicar uma função do iTunes. Soa justo, mas o pai do aplicativo ficou injuriado: com tantos apps que duplicam funções existentes no Mobile Safari, na calculadora do iPhone e em outros programas da Apple (até a função iPod!) já à venda, por que justo o compilador de podcasts caíra abaixo da linha de corte? E, como não podia deixar de ser, a comunidade de desenvolvedores ficou possessa com a atitude da Maçã.

Em resumo, chamaram a Apple de tudo (até de Microsoft!), menos de santa…

Recentemente, porém, Daniel Eran Dilger publicou no Roughly Drafted Magazine um artigo que prometia pôr por terra todas as acusações de arbitrariedade da App Store na hora de aprovar/rejeitar os aplicativos a ela submetidos. Segundo Dilger, a rejeição do Podcaster não deveria surpreender ninguém, pois o conceito do aplicativo contraria a seção 3.3.3 do iPhone SDK, transcrita abaixo a partir do excerto mostrado por ele:

3.3.3 Without Apple’s prior written approval, an Application may not provide, unlock or enable additional features or functionality through distribution mechanisms other than the iTunes Store.

3.3.3 Sem o consentimento escrito prévio da Apple, um Aplicativo não pode prover, destravar ou acionar características ou funcionalidades adicionais através de meios de distribuição que não a iTunes Store. (tradução minha)

Pronto! Foi o suficiente para John Gruber, do Daring Fireball, contrapor os argumentos de Dilger: segundo Gruber, a seção 3.3.3 não teria nada a ver com a disponibilização de conteúdo, alegando que “features or functionality” pressupõem a adição não de qualquer tipo de dado, mas somente de dados executáveis.

A discussão continuou, com Dilger publicando uma tréplica, defendendo seu ponto de vista: o ato de baixar e salvar podcasts no iPhone, de maneira paralela à usada pelo iTunes, caracterizaria uma quebra da cláusula e, mais que isso, provocaria uma grande confusão na cabeça dos usuários, pois o Podcaster não se comunicaria com o iTunes para registrar quais arquivos já teriam sido vistos/ouvidos e quais ainda não. Interessante notar que, apesar dos fortes argumentos, a seção 3.3.3 já começa a perder importância. 😛

Enquanto isso, o desenvolvedor do Podcaster, procurando sarna pra se coçar e moedinhas para contar, vem distribuindo o aplicativo via ad-hoc, pedindo uma doação de US$10 a todos que o baixarem. Tudo isso valendo-se de uma brecha no iPhone SDK. 🙂 Caso você queira aventurar-se, o TUAW já fez um review e Niall Kennedy fez uma bela compilação de todas as informações acerca do controverso app — mencionando inclusive que ele já teria arrecadado mais de US$11 mil!

Particularmente, eu a-do-rei ver o “quebra-pau”: faltou só eu pegar um balde de pipoca e apreciar a cena. Por quê? Porque a dialética da causa, abusando de interpretações distorcidas contorcidas e de “quibble”, pode ainda dar muito o que falar. Como mencionei antes, acredito que a Apple tem todas as prerrogativas para usar e abusar de seu poder de controle sobre o iPhone: ela nunca disse tratar-se de uma plataforma aberta, portanto não está dando rasteiras em ninguém. Contudo, não nego o fato de que ela pode estar cavando a própria cova, ao deixar a comunidade de desenvolvedores tão insatisfeita.

Acredito que a ponte de comunicação App Store/desenvolvedores merece muito mais atenção do que recebe hoje — um bom começo seria derrubar o NDA. Afinal de contas, quando os programadores ficam felizes, eles trabalham melhor e todo mundo lucra com isso! Até lá, fica o conselho: leia com muita atenção todo e qualquer contrato que for assinar, ou você pode acabar levando rato (bem menos que gato) por lebre.

And that, as they say, is that.

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