Mais um capítulo na novela “VLC no iOS”: agora os desenvolvedores do app dão sua resposta


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10/01/2011 às 18:12

Acredito que não há muito a mais que eu possa dizer a respeito do drama do VLC, então vou me limitar a traduzir o que Romain Goyet, da Applidium, declarou ao 9 to 5 Mac:

Ícone do VLC para iOSPara nossa surpresa, recebemos nesta sexta-feira um email da Apple que dizia “Sentimos muito que a contestação envolvendo seu aplicativo chamado ‘VLC Media Player’ não tenha sido resolvida amigavelmente entre as partes. Removemos seu aplicativo da App Store. Para quaisquer questões relacionadas a este assunto, por favor contate Rémi Denis-Courmont diretamente.”

Isso foi uma sequência a um email que recebemos da Apple em outubro: “Em 20/10/2010, recebemos uma notificação de Rémi Denis-Courmont, avisando-nos que [ele] acredita que seu aplicativo chamado ‘VLC Media Player’ viola direitos de propriedade intelectual pertencentes a Rémi Denis-Courmont. Especificamente, Rémi Denis-Courmont acredita que vocês estão violando copyright dele.”

A queixa de Rémi Denis-Courmont veio um tanto sem aviso, dado que recebemos aprovação da associação VideoLAN antes de começarmos o port do VLC para iOS. Na verdade, alguns membros da VideoLAN até nos ajudaram na adaptação. Nem precisa dizer que ainda acreditamos que a licença da App Store é compatível com a GPLv2 sob a qual o VLC foi lançado. Portanto, assim como a associação VideoLAN, faremos o possível para não permitir que este seja o fim do VLC/iOS. Como palavra final, achamos que é muito triste negar a milhões de usuários o direito de desfrutar de um belo software open source… em nome da liberdade.

Mas o que seria de um bom drama sem controvérsia? Veja o que Rémi Denis-Courmont publicou ontem à noite (grifos originais mantidos):

Em 7 de janeiro, ouvi de um advogado da Apple que o VLC Media Player fora removido da App Store. Foi por conta disso que eu pude ser o primeiro a divulgar esta notícia. Entretanto, como se pode esperar de um advogado, não houve muita explicação. Uma quantidade de pessoas e — infelizmente — bloggers populares tiraram uma conclusão óbvia: o projeto VideoLAN, e eu em particular, seríamos idiotas idealistas que ligam mais para detalhes em licenças que para usuários, e que nós obrigamos a Apple. Isso não é bem verdade.

Primeiro, nem mesmo eu sei ao certo por que a Apple removeu o VLC, e a Apple provavelmente nunca dirá a verdade.

Segundo, a Apple já removeu o VLC da “velha” Mac Store para computadores… já faz cerca de quatro anos, numa época em que o VLC era um dos aplicativos mais populares, e eu ainda nem sei o porquê dessa remoção.

Terceiro, a Apple recebeu minha notificação de copyright há mais de dois meses, antes de removerem o aplicativo. Isso não foi expresso, conforme as lei de copyright nos EUA requerem. Dessa forma, parece duvidoso que minha notificação notória de outubro seja a causa da remoção. É, entretanto, o motivo por que eu ouvi diretamente da Apple que o VLC foi removido.

Por fim, a Apple tinha o poder e bastante tempo (dois meses) para ajustar e esclarecer os termos da App Store. Na verdade, ditos termos foram modificados várias vezes desde então. Alternativamente, a Apple poderia até mesmo continuar a distribuir o VLC implicitamente sob a GPL da Applidium. Acredito até que esta era a situação vigente antes da remoção.

Diante de tudo, provavelmente jamais saberemos a verdade. Porém estou inclinado a acreditas no que Eben Morgel, da Software Freedom Law Center, previu há dois meses: que a Apple removeria o VLC simplesmente porque ela não suporta ver software GPL em suas lojas. Mas é uma escolha e postura de negócios da Apple, logo ela não tem por que se justificar. Pode ser também que ela simplesmente não goste do VLC nas plataformas dela. Isso pode explicar a remoção da Mac Store há muito tempo.

Eu sei que isso vai ser desapontador para muitos fanboys da Apple que me insultaram ou me criticaram na web ou por email nos últimos dias. Mas pode ser que eu não seja o (anti)herói que as pessoas me fizeram parecer.

Acho muito bom que Denis-Courmont tenha seu direito de resposta, mas já dá pra perceber que essa história tem mais buracos que um queijo suíço depois da visita de 35 ratos esfomeados. Gostaria de apontar apenas alguns pontos mais óbvios que saltaram à vista:

Essa mudança brusca de tom, porém, pode servir para mais alguma coisa além de provar que Denis-Courmont tem personalidades demais ou memória curta: pode ser que o VLC volte à App Store, já que a postura nova dele é de tolerância e aceitação. Só que nunca se sabe… vai que daqui a mais dois meses ele muda de novo e resolve processar alguém?

Ah, e deu pra notar como “a Apple é má, a Apple é má, buá-buá”? :-/

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