O Aperture vai aparecer em touchscreens ou a Apple está só sendo precavida nas patentes?

Patentes são uma coisa bizarra e tosca. Tudo bem, por um lado elas asseguram o direito de exploração da propriedade intelectual e assim incentivam o avanço da técnica; por outro lado, em vez de se concentrar em inventar coisas úteis, as pessoas hoje patenteiam qualquer besteira e sempre das formas mais amplas e abrangentes possíveis, tanto para evitar aplicações minimamente diferentes quanto para poder processar alguém depois de lucrar horrores.

Tendo dito isso, vejamos esta descoberta do Patently Apple: é uma patente sobre a organização da interface do Aperture, software de fotos profissional da Maçã. Legal, só que acontece de a patente mencionar “Touch Screens” em uns diagramas, como um dos muitos métodos de interação com o usuário.

Patente da interface do Aperture

Pronto! Vai ter Aperture no iPad, vai ter Mac com touchscreen, com certeza algo assim já deve estar prestes a ser lançado e os fotógrafos do mundo podem esperar, pois com toda a certeza do mundo vai ter Aperture na iOS App Store! Pois apareceu numa patente! Da Apple!

Bitch, please.

Patentes não podem ser levadas a sério. Elas são feitas para serem vagas e cobrirem o maior número possível de aplicações no menor número de documentos. Se algo existe e pode vagamente ser encaixado numa patente, vai ser encaixado, e ponto final. Existem touchscreens? Sim. O Aperture existe? Sim. Então vamos patentear um software de edição de imagens sendo usado em touchscreens — e com uma stylus! Iluminada! Será que dá pra colocar Nutella no meio?

Enfim, isto é só um lembrete de que patentes precisam passar por um reality check antes de começarmos a usar verbos no modo indicativo. A Apple poderia lançar uma versão do Aperture pra iPad, tipo, amanhã? Claro que poderia! Ela vai fazer isso? Quem sabe! Afirmar com certeza seria, no mínimo, leviano. Ela pode lançar amanhã, no ano que vem… ou nunca! Aliás, olhando pro diagrama desta patente do Aperture, eu acho mais fácil um iMac touchscreen aparecer no mercado antes de um app profissional de edição/gerenciamento de fotos ir parar no iPad.

Aliás, “nunca” anda de mãos dadas com a palavra “patente” — nada é mais incerto do que as coisas escritas nos documentos desse tipo. Esperemos só que esse não seja o caso da patente que comentamos hoje mais cedo, pois (operadoras malditas de telefonia celular à parte) a ideia era ótima. Mas patentes são só patentes, e não produtos.

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