Mercado de iPhones de segunda mão é benéfico para todo o ecossistema, do consumidor final à Apple

O ano de 2011 terminou e analistas estimam que a Apple tenha vendido mais de 30 milhões de iPhones no trimestre que passou — saberemos o resultado no dia 24 de janeiro. Isso é muito bom para a companhia, é claro, que aumenta a sua fortuna; bom para as operadoras, que ganham mais clientes; e bom para o consumidor, que tem em mãos um iPhone novinho em folha. Mas se 30 milhões de pessoas compraram aparelhos novos, o que aconteceu com os “velhos”?

De acordo com a pesquisa da CIRP (Consumer Intelligence Research Partners) divulgada pelo AllThingsD, mais da metade (53%) das pessoas que compraram o iPhone 4S se livraram do antigo aparelho. Desse universo, 49% eram iPhones, 21% BlackBerries e 15% Androids. Falando apenas da fatia referente ao iPhone (os 49%), grande parte deles (31%) foram doados/dados de presente, enquanto que 18% foram revendidos.

Tabela com aparelhos de segunda mão

Ainda no universo do iPhone, 87% das pessoas que receberam o smartphone da Maçã (seja dado ou comprado) o ativaram em alguma rede — apenas 13% “viraram um iPod touch” ou um peso de papel. A pesquisa indica ainda que, do total de aparelhos ativados desde o lançamento do iPhone 4S, 11% são referentes a modelos antigos, o que pode explicar, por exemplo, discrepâncias entre venda de aparelhos e número de ativações.

Como não poderia deixar de ser, para a operadora, os iPhones usados também são ótimos negócios, já que o estudo prevê que elas economizam cerca de US$400 com cada ativação de um aparelho usado — apesar de não fidelizar o cliente, a operadora não precisa subsidiar o aparelho, sendo que o plano mensal é mesmo do modelo topo de linha. Para termos uma noção do que isso representa, estima-se que AT&T e Verizon Wireless tenham economizado algo entre US$400 milhões e US$800 milhões em subsídios.

Mas por que o iPhone predomina nesse tipo de negócio (mercado de segunda mão)? Muito provavelmente porque a Apple lança apenas um smartphone por ano, o que estende/aumenta a vida útil do produto. Além disso, mesmo depois de lançar um novo modelo, a geração anterior continua sendo suportada pela empresa, muitas vezes ganhando novos recursos, graças às atualizações do sistema operacional — coisa que não acontece hoje com a concorrência.

E para a Apple, será que o mercado de segunda mão é um bom negócio? Inicialmente não, já que uma pessoa que compra um aparelho usado pode ter deixado de comprar um novo. Contudo, esse mercado pode, sim, beneficiar a empresa: primeiro porque um aparelho de segunda mão pode ser o primeiro passo de alguém no mundo Apple. Ao fidelizá-lo, ele muito provavelmente vai querer comprar um iPhone novo no futuro — eu, por exemplo, dei meu antigo iPhone 3G para a minha mãe. Depois de algum tempo ela não resistiu e acabou comprando um iPad, o que com certeza foi ótimo para a empresa. Segundo porque, mesmo com um modelo antigo nas mãos, é possível ainda participar do ecossistema da Apple, comprando apps, músicas, etc. Ou seja, assim como o mercado de novos, o de segunda mão parece ser benéfico para todos: fabricantes (em especial, Apple), operadoras, clientes — e (por que não?) meio ambiente. ;-)

Em um nota relacionada, não deixe de conferir a nossa tabelona de Usados Apple. Ele pode ser uma ótima referência para quem está comprando/vendendo/trocando produtos Apple de segunda mão, principalmente no nosso fórum Classificados.

[via TUAW]

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