Apple e interfaces que tentam simular a realidade: bom ou ruim?


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11/09/2012 às 14:19

Você sabe o que é “skeuomorphism”? Segundo a Wikipédia, trata-se de um objeto derivado que mantém linhas de design ornamentais para uma estrutura que foi necessária no original. Ou seja, algo deliberadamente utilizado para fazer o novo visual parecer confortavelmente familiar. Quer um exemplo? O aplicativo Contatos (Contacts) e Calendário (Calendar), do OS X, ou o iBooks, do iOS.

Calendário do OS X Mountain Lion

E por que estou falando disso? Pois como podemos ver, parece que os designers da Apple gostam da coisa, povoando o OS X e o iOS com esses detalhes (couro, prateleiras de madeira, etc.). Mas, de acordo com o Co.Design, não são todos que gostam dessa estratégia utilizada pela Maçã. Um ex-designer da empresa, que era próximo a Steve Jobs, afirmou que a técnica não passa de masturbação visual. “É como se os designers estivessem flexionando seus músculos para mostrar a você o quão bom eles podem ser em processamento visual de objetos físicos.”

Como tudo na vida, existem os que gostam e os que não gostam da técnica. Uns acham que ela facilita o processo, ajudando o usuário a compreender o software apenas olhando, já que rapidamente o cérebro consegue interpretar aquela informação. Outros apontam que esse tipo de coisa não é mais necessária, pois além de as referências estarem ficando cada vez mais velhas — muita gente nova, por exemplo, nunca utilizou um calendário antigo, feito de couro —, num ambiente virtual, onde “é mais fácil” se desprender de conceitos antigos a fim de criar o novo, a técnica pode mais atrapalhar do que ajudar, principalmente na usabilidade.

Abaixo, um trecho interessante do artigo:

Interior do jato Gulfstream

Dentro da Apple, a tensão sobre o assunto começou há alguns anos. Scott Forstall, vice-presidente sênior de iOS, é conhecido por dar força a projetos skeuomorphic, enquanto o designer industrial Jony Ive e outros figurões se opõem a essa direção. “Você pode dizer quem fez o produto com base em quanto brilho foi utilizado na interface do usuário”, diz uma fonte intimamente familiarizada com o processo de design da Apple.

Mas, antes de Forstall, foi Steve Jobs quem incentivava a abordagem skeuomorphic, dizem alguns. “O couro do iCal [hoje Calendário] foi literalmente baseado em uma textura de seu jato”, disse o ex-designer sênior de interfaces. “Houve muitos emails internos entre os designers de interface, dizendo que isso era embaraçoso, simplesmente terrível.”

Particulamente, a técnica não me incomoda tanto assim, mas confesso que prefiro aplicativos que não a utilizam. E você, fica no time de Ive ou no de Forstall? 😛

[via Gizmodo]

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