É piada? Instituto Brasileiro de Política e Direito da Informática processa Apple por supostamente evoluir o iPad rápido demais

Quando a Apple lançou o iPad de quarta geração em outubro do ano passado, ela quebrou uma “tradição” de só atualizar esses produtos num ritmo anual. Do modelo original para o iPad 2 foram 14 meses, depois para o de terceira geração, 12 meses. Aí, a coisa encurtou bastante: em apenas 7 meses, já veio um novo modelo.

O assunto já foi extensivamente discutido aqui no site, com muitos inclusive dizendo que a Apple errou ao pular uma geração no novo modelo pois ele seria como um ‟iPad 3,5G” — algo mais intermediário, digamos assim. De uma maneira geral, contudo, o que observamos foi gente que já tinha comprado o modelo de terceira geração pê da vida com o novo, e praticamente todos os outros apoiando a evolução natural do produto.

Agora, vem o Instituto Brasileiro de Política e Direito da Informática ficar contra a Apple.

iPad brasileiro indo mal

De acordo com o Jornal do Comércio, o IBDI abriu uma ação coletiva contra a Apple acusando-a de realizar “prática comercial abusiva” no lançamento do iPad de quarta geração por aqui, inclusive citando o conceito de “obsolescência programada” que discutimos no nosso último MacMagazine no Ar.

Aqui eu já invoco o que eu disse lá no podcast: desde quando a chegada de um novo modelo torna o anterior “obsoleto”, ora bolas?! Eu tenho um iPad de terceira geração e continuo extremamente satisfeito com ele, a última versão do iOS e de absolutamente *todos* os aplicativos desenvolvidos para o tablet da Apple rodam perfeitamente nele. E não pretendo adquirir um modelo de quarta geração, por melhores que tenham sido os benefícios trazidos por ele. Posso esperar perfeitamente o próximo, ou até mais dois.

Aí vem o IBDI e vomita que o iPad de quarta geração “não trouxe evolução tecnológica efetiva” em relação ao de terceira e que este poderia já ter sido lançado com as mesmas características do último. Sério, quem são eles pra determinar se isso era mesmo possível — técnica, estratégica, financeiramente… não importa! — sete meses antes? Qual a obrigação da Apple de embutir num produto tudo de uma vez só? O IBDI provavelmente nem tem ideia do que aconteceu com a transição do antigo conector de 30 pinos para o Lightning, o que por sinal deve ter sido o principal motivo dessa mudança de cronograma no lançamento do iPad.

Na ação encaminhada à 12ª Vara Cível do Distrito Federal em 6 de fevereiro, o IBDI chega ao ponto de acusar a Apple de ter “quebrado o paradigma de aguardados lançamentos anuais”. É piada, né? Não, é vergonhoso: como que o nosso Instituto de Política e Direito da Informática(!) se coloca de forma a desacelerar a evolução tecnológica?!

A Apple Brasil pode — e deve — ser acusada de muita coisa, seja pelos preços abusivos praticados por aqui (certamente não justificáveis *somente* pelos impostos), por não nos colocar na lista de prioridade de seus lançamentos e por aí vai. Mas pelo amor de Deus, ficar do lado de consumidores de #mimimi porque querem ter a ilusão de terem um produto de “última geração” pelo máximo possível de tempo é algo inadmissível.

Os caras estão praticamente obrigando que a Apple siga à risca um cronograma anual de lançamento de produtos, o que na teoria significa, na visão estúpida deles, que para o consumidor seria ainda melhor se os produtos talvez só fossem atualizados uma vez a cada dois anos (ou mais, vai saber). Isso lá tem alguma lógica? Tsc.

[dica do Renan Pires Marculan]

Aviso: nossos editores/colunistas estão expressando suas opiniões sobre o tema proposto e esperamos que as conversas nos comentários sejam respeitosas e construtivas. O espaço acima é destinado a discussões, debates sobre o tema e críticas de ideias, não às pessoas por trás delas. Ataques pessoais não serão tolerados de maneira nenhuma e nos damos ao direito de ocultar/excluir qualquer comentário ofensivo, difamatório, preconceituoso, calunioso ou de alguma forma prejudicial a terceiros, assim como textos de caráter promocional e comentários anônimos (sem nome completo e/ou email válido). Em caso de insistência, o usuário poderá ser banido.