O preço do “iPhone 5C”

Você provavelmente já tem muitas informações sobre o “iPhone 5C”, o iDevice low-end da Maçã. Que é (será?) de plástico. Que é colorido.

iPhone 5C verde

Mas, além dessas novidades “cosméticas”, o próximo dia 10 de setembro deve ser o dia em que o mundo vai conhecer a estreia da Apple num novo mercado. Um mercado que, em toda história da companhia, sempre foi evitado. A Apple finalmente vai lançar um produto popular.

Apesar de sabermos bastante sobre o “5C”, ninguém sabe o mais importante: o preço.

Pensando nisso, Benedict Evans fez um artigo no Seeking Alpha, um site de investimentos, que vale a pena ser lido com atenção. Nele, Evans faz um exercício para entender o impacto que supostas quatro faixas de preço podem ter no mercado. Um exercício de “what if” que pode ser muito importante para prever a reação do mercado nos dias que se sucederem ao lançamento.

Ajuda também a entender o que a Apple chama de low-end e se podemos esperar que ela entre realmente apostando pesado num segmento que não conhece e que representa um enorme potencial de lucratividade.

As quatro faixas de Evans e suas características são:

  1. US$100-150: esta é a faixa em que marcas chinesas baratas estão investido em lançamentos de fones Android dual-core.
  2. US$150-200: este é o limite máximo para pré-pagos sem subsídio das operadoras; ou seja, metade dos usuários do planeta.
  3. US$200-400: aqui o “5C” sem subsídio seria praticamente inviável; é a faixa de preço dos smartphones middle-end.
  4. Acima de US$400: esta faixa de preço é similar ao modelo tradicional do iPhone, com um contrato de dois anos. Na verdade, se a Apple apostar nela a margem de lucro será mais alta, mas o “5C” não será um produto popular. Apenas uma nova opção para o usuário de iPhone 3G[S] ou 4 trocarem seus aparelhos.

Estas faixas de preço vão ajudar a entender onde a Apple pretende se posicionar e se realmente o “5C” será um produto popular, ou apenas um produto mais barato. Por exemplo, qualquer preço acima de US$200 vai excluir o mercado de pré-pagos.

Outro ponto a se levar em conta é a crescente tensão entre Estados Unidos e China.

Os dois países, ambos de grande importância para a Apple, possuem estruturas de preço (das operadoras) muito diferentes. Enquanto nos EUA os aparelhos na faixa dos US$400 muitas vezes são subsidiados e custam pouco ou nada em troca de contratos de dois anos; na China os preços são muito mais baixos e sem contratos.

O resumo é: no dia 10, além de ficar de olho nos lançamentos, observe a faixa de preço do “5C”. Apenas um número, mas vai falar muito sobre o posicionamento da Apple.

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Sobre o Autor

Sócio e VP Executivo de Planejamento e Criação da Bullet, tem 30 anos de experiência na Publicidade, com passagens pela Almap, JWT e McCann Eriksson. Na Bullet, coordenou projetos locais para clientes como Amex, Bacardi Martini, Bayer, Unilever Foods, Danone, Disney, Abril, Gillette, HP, Kaiser, Kraft, Microsoft, Nike, Nutrimental, Pepsico, Pernod Ricard, Philips, Quaker, Reckitt Benckiser, Samsung, Volkswagen, Warner Bros e, durante a última Copa do Mundo, dirigiu a criação das campanhas regionais (América Latina) de MasterCard e Gillette. Em Cannes, foi o jurado brasileiro na categoria Promo em 2008. Neste mesmo ano, conquistou os primeiros dois leões de Promo do Brasil. Escreve para o Update Or Die, faz parte do Conselho Editorial da revista ProXXIma e nas horas vagas, programa bugs e desmonta iPhones, mas na hora de montar de volta, sempre sobra alguma peça.

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