Apple vs. FBI: engenheiros da empresa ameaçam se demitir caso sejam forçados a criar o “GovtOS”


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18/03/2016 às 12:34

Em um dos últimos artigos sobre o caso Apple vs. FBI, nós informamos que o tom da conversa entre a empresa e o governo mudou — muito por conta da atitude bem mais ofensiva do FBI. A Maçã até chegou a responder à última petição do governo (esta mais agressiva) em uma conferência por telefone realizada com jornalistas, mas agora ela tratou de fazer as suas considerações na justiça — a última antes da audiência marcada para o dia 22 de março.

A defesa da Apple

Nela, a Apple afirma que o próprio Congresso já deixou clara a sua posição ao não aprovar leis relacionadas a quebra/enfraquecimento de criptografias — algo que o Departamento de Justiça (Department of Justice, ou DoJ) dos Estados Unidos teima em ignorar. A empresa também disse que a interpretação do governo do All Writs Act é bastante abrangente e que DoJ/FBI querem o poder de fazer com que empresas privadas façam qualquer coisa que eles desejem. Para a Maçã, esse cenário deixaria os fundadores dos EUA “chocados” por conta da péssima interpretação da lei.

Respondendo à acusação de que está se posicionando desta forma por puro marketing, a Apple disse que desde o lançamento do iOS 8 (versão do sistema operacional que ganhou essas importantes camadas de segurança) foram feitos 1.793 anúncios e em nenhum deles a Apple promove seus produtos como tendo a habilidade de bloquear possíveis investidas de agências de inteligência ou de departamentos de segurança (algo bastante óbvio, mas que a Maçã ainda assim fez questão de destacar).

Já uma outra acusação de que a Apple faria vista grossa para o governo chinês, fornecendo dados e ajudando quando solicitado (para, quem sabe, não ter problemas com a sua expansão no país), a empresa respondeu que isso simplesmente não é verdade. Apesar de ter data centers na China, todos os dados são devidamente criptografados e a chave para isso tudo fica nos EUA.

De acordo com o último relatório da empresa (referente ao primeiro semestre de 2015), o governo chinês solicitou dados de 4.398 aparelhos; a Apple forneceu as informações (com os devidos mandados) de 74% deles. Já o governo americano solicitou dados de 9.717; a Apple atendeu 81% deles.

Ao contrário das estatísticas enganosas do governo, que tinham a ver com processos legais e não com obrigar à criação de um software que mina a segurança de seus usuários, a Apple nunca criou uma backdoor de qualquer espécie para o iOS ou tornou tecnicamente mais acessíveis dados armazenados em iPhones ou no iCloud a governo de qualquer país.

Entrevista de Tim Cook para a TIME

Por conta do imbróglio, Cook ganhou a capa da revista TIME.

Tim Cook na capa da TIME

A transcrição completa da entrevista está no site da revista, mas se você já vem acompanhando o caso conosco desde o começo, saiba que o CEO da Apple simplesmente falou o que já vem falando há bastante tempo sobre o caso, como por exemplo que a briga é desconfortável mas necessária (já que ele acredita estar defendendo a liberdade civil); que ele não está gostando da tática escolhida pelo governo para confrontar a Apple; que todo o esforço da Apple em relação a criptografia e proteger dados de usuários não deixa o governo de mãos atadas quando o assunto é investigação (afinal, estamos vivendo na era da vigilância); que a empresa está sempre pensando em melhorar a segurança dos seus sistemas/serviços; que ele não esperava esse tipo de pedido do governo/caso acontecendo em seu próprio país; entre outras coisas.

Engenheiros da Apple contra o FBI

Engana-se quem acha que apenas Tim Cook, Craig Federighi, Eddy Cue e outros executivos do alto escalação da Apple compraram a briga com o FBI.

De acordo com o The New York Times (que conversou com empregados da Apple envolvidos no desenvolvimento de produtos móveis e de segurança, bem como ex-engenheiros de segurança e executivos), engenheiros da Apple já estão discutindo o que fazer caso a empresa perca a disputa e seja obrigada a desenvolver o tal do “GovtOS” (sistema operational sem alguns recursos de segurança).

Enquanto alguns dizem que simplesmente se recusarão a fazer a tarefa, outros estão pensando até mesmo em pedir demissão — mostrando que não concordam nem um pouco com a investida do FBI.

Como os caras sabem que são bons e que não faltarão oportunidades de emprego em outras empresas no Vale do Silício, tudo fica ainda mais simples — para eles, é claro; e muito complicado para o FBI, já que algo assim poderia atrasar ainda mais o plano de desenvolvimento do GovtOS.

[via The Verge, BuzzFeed News, 9to5Mac, MacRumors]

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Comentários
  • Filipe

    Parabenizo Tim Cook, sem sombra de dúvidas é um dilema e tanto para a Apple

  • Bruno Rosas

    Como o advogado da Apple disse: Todos nós temos o direito de escrever algo em um pedaço de papel e depois queimá-lo. Esse é o nível de segurança proposto pela Apple em seus produtos. À partir do momento que o Governo se volta contra esse princípio, ele automaticamente também se volta contra privacidade básica à qual todos nós temos direito.

    Privacidade X segurança… qual o equilíbrio? Ele existe?

  • Fábio Wander

    Veja nesta sexta, no globo repórter


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