Tudo o que você queria saber sobre a Touch Bar mas tinha medo de perguntar (ou: sim, ela roda watchOS)


Quando a Apple anunciou na quinta-feira passada (27/10), para a surpresa de um número total de zero pessoas, o novo MacBook Pro com uma segunda telinha auxiliar pequena e longa no lugar outrora ocupado pelas jurássicas teclas de função, todos assumiram que a chamada Touch Bar seria uma simples extensão do macOS, uma espécie de segunda tela que poderia ser infinitamente personalizada e configurada ao gosto do freguês.

A primeira pista de que este não seria o caso veio na própria keynote, quando Phil Schiller anunciou que os MBPs viriam com um pequeno chip separado, denominado T1, para controlar a barrinha. E, nas 24 horas seguintes, vários veículos de comunicação entraram em campo para desvendar outros mistérios da Touch Bar; além disso, uma série de desenvolvedoras já anunciou suporte para a telinha.

A seguir, vamos dar uma olhada no funcionamento geral do mais novo recurso dos MBPs e responder algumas das dúvidas mais frequentes que vocês podem ter… ou não. 😝

watchOS

A coisa mais importante a ser notada aqui é a descoberta recente de que, não, a Touch Bar não apresenta na sua pequena tela uma extensão do macOS. Em vez disso, ela roda um sistema totalmente diferente, ao qual muitos usuários já estão acostumados a interagir nos próprios pulsos: o watchOS.

Phil Schiller apresenta o chip T1 do novo MacBook Pro

Phil Schiller apresenta o chip T1 do novo MacBook Pro

Trata-se, com efeito, de uma versão simplificada do watchOS (que, por sua vez, já é uma versão simplificada do iOS — e nem vamos comentar aqui que o próprio iOS já é uma versão simplificada do macOS para não dar um nó na cabeça de todo mundo), rodando no chip secundário T1, que também é variação do chip S1 que equipa alguns dos modelos dos reloginhos da Maçã.

As razões para essa decisão são algumas mas, no geral, podem ser resumidas em uma palavra: segurança. O macOS, apesar de ser o sistema operacional de computadores mais seguro do mundo (ou não), ainda assim não deixa de ser um sistema operacional de computadores — ou seja, mais “aberto” e vulnerável a ameaças do que os seus irmãos (iOS, watchOS e tvOS) absolutamente fechados e muito mais seguros. Portanto, não seria a atitude mais salutar do mundo entregar ao macOS a enorme responsabilidade de guardar com segurança informações tão (cada vez mais) sensíveis como as digitais do usuário.

Por isso, toda a funcionalidade da Touch Bar e do Touch ID que a complementa fica por conta deste modesto chip T1, totalmente separado do processador principal da máquina; desta forma, caso o MacBook seja de algum jeito hackeado por um agente mal-intencionado, as digitais do usuário e quaisquer outras informações sensíveis presentes na Touch Bar estarão seguras.

Touch ID do MacBook Pro

Apesar de esta informação ainda não ter sido confirmada, evidências indicam que a câmera FaceTime dos novos MacBooks Pro também é controlada pelo chip T1, adicionando ainda mais uma camada de segurança à máquina e impedindo a ação de potenciais espiões, para a alegria de Mark Zuckerberg.

Apesar disso, dificilmente começaremos a ver aplicativos independentes para a Touch Bar. O poder conferido ao chip T1 simplesmente não é o suficiente para rodar uma versão completa do sistema ou rodar aplicativos em separado; a óbvia intenção da Apple, ao menos por enquanto, é deixar a barrinha apenas como um complemento para os apps mostrados na tela — ainda que, em teoria, provavelmente seja possível usar a Touch Bar mesmo com o restante do computador desligado. Ninguém sabe quais são os planos da Maçã para o futuro, mas estas informações certamente deixam portas abertas para algumas opções interessantes.

Interface e funcionamento

Para provar o meu ponto sobre a relativa rigidez e falta de controle por parte dos desenvolvedores da Touch Bar, basta conferir as orientações de estilo da própria Apple para ela. No geral, a barrinha é dividida em três seções, apenas uma das quais é modificável de acordo com o programa ativo na máquina.

Closeup da Touch Bar do MacBook Pro

À esquerda, existe sempre o botão de Escape (“Esc”), que, dependendo do contexto, pode ser substituído por cancel (cancelar) ou done (concluído) — os três oferecendo, no caso, comportamento similar.

À direita existe o que a Apple chama de control strip (faixa de controle), uma série de botões com grande parte dos controles presentes anteriormente nas teclas de função (aumentar e baixar volume e brilho, controle de músicas, Mission Control, etc.), além de um botão dedicado para a Siri. No estado normal das coisas, esta faixa é contraída e apenas as principais funções ficam expostas — ao apertar um botão, entretanto, a faixa expande, ocupando toda a tela e são reveladas todas as funções (que são personalizáveis, inclusive). E, claro, pressionando a tecla Function, as velhas teclas de função (F1 a F12) aparecem normalmente.

O centro da Touch Bar é o único espaço onde, efetivamente, os desenvolvedores podem deitar e rolar nos recursos mais imaginativos possíveis para os seus respectivos softwares. Falando em termos práticos, a Touch Bar como um todo é uma tela Retina de 2170×60 pixels — ou seja, sua resolução efetiva é de 1085×30 pixels, resultando num espaço vertical bastante limitado. De fato, todos os guias de estilo da Apple para a barrinha baseiam-se quase exclusivamente na horizontal — esqueça qualquer ideia de dispôr controles um em cima do outro ou algo do tipo. Além disso, a Maçã reserva 128 pixels à esquerda para o botão do sistema e 608 pixels à direita para o control strip.

A parte boa é que a telinha apresenta suporte à ampla gama de cores DCI-P3, a mesma presente na tela principal do MacBook Pro e em outros produtos como o iPhone 7 — ou seja, ao menos em termos de interfaces vibrantes e impressionantes, o céu é o limite — embora a própria Apple desencoraje o uso de imagens e cores fortes a não ser quando seja essencial, justamente para manter a vibe de botões dinâmicos em vez de uma tela completa.

A API1 da Touch Bar também é completíssima desde o princípio, dando total liberdade às mentes criativas dos desenvolvedores. É possível criar diferentes esquemas para cada tela do seu aplicativo, por exemplo, ou habilitar a rolagem horizontal caso o espaço não seja suficiente para todos os botões desejados.

Em relação à funcionalidade que deve estar presente na Touch Bar, a Apple não dá orientações específicas, porém faz uma ressalva: nenhuma delas pode ser exclusiva da barrinha — sempre deve haver uma opção de realizar a mesma função dentro do software. Antes que se grite “redundância!”, tal orientação é facilmente explicável: nem todo Mac é equipado com a Touch Bar — aliás, a maioria deles não a terá, ao menos por um bom tempo. Como o software não pode detectar se está numa máquina com a barrinha, ele é o mesmo seja num novo MacBook Pro ou num Mac mini de 2009 com teclado da Multilaser, e funções seriam perdidas neste segundo caso fossem exclusivas da Touch Bar.

Touch Bar em diferentes aplicativos

Touch Bar em diferentes aplicativos

A Apple também aconselha os desenvolvedores a não colocarem na Touch Bar funções “universais” e facilmente evocáveis com simples atalhos de teclado (como recortar e copiar & colar) — a lógica aqui é que com os usuários já estão acostumados com tal procedimento, tal inclusão seria mero gasto de espaço numa tela onde ele é um recurso tão valioso.

A nível de sistema, quem controla o que está presente na parte central da Touch Bar é sempre o aplicativo ativo em primeiro plano — a partir do momento em que ele é fechado ou posto em segundo plano, ele perde totalmente a habilidade de influenciar qualquer aspecto da barra. Esta é uma decisão da Apple que, em teoria, busca simplificar a interface da telinha e não torná-la uma efetiva tela auxiliar, o que poderia causar confusão; em vez disso, o foco dos engenheiros de Cupertino é manter-se na filosofia de oferecer botões e ações contextuais dinâmicas, relativamente estáticas, para complementar as funções do aplicativo em uso — o mantra aqui é que a Touch Bar é uma extensão *do teclado*, e não da tela.

A parte ruim desta limitação é que alguns recursos que por muito tempo foram especulados veem sua existência impossibilitada. Quem esperava, por exemplo, ver na Touch Bar as suas notificações ou o feed do Twitter ou mesmo o progresso de um download ficará frustrado — afinal, não é a intenção da Apple interromper um crucial processo de escolha de emoji, por exemplo, para transmitir uma notificação que pode ser facilmente vista no canto superior direito da tela principal.

Reparabilidade

Este ainda é um campo difuso, uma vez que ninguém de fora da Apple pôs as mãos nos novos MacBooks Pro para analisar suas entranhas e dizer como se conectam e comportam as coisas lá dentro. Dito isto, o desenvolvedor Steve Troughton-Smith obteve informações relativas à Touch Bar e ao seu suporte técnico, e elas não são das mais animadoras.

Aparentemente, a barrinha e o sensor de digitais são fisicamente conectados ao chip T1 e uma coisa não pode existir sem a outra; ou seja, caso a Touch Bar ou o Touch ID apresentem defeito, todo o componente, incluindo o mini-processador, precisarão ser trocados. Considerando a informação de que a câmera FaceTime também é controlada pelo chip, ela também teria que ser substituída no caso da falha da barrinha digital, a princípio.

Tendo em vista que 2% das chamadas de serviço para Macs envolvem teclados ou touchpads quebrados e a Apple espera números similares para a Touch Bar, este pode ser um problema espinhoso para os desafortunados que encontrem malfunções em suas respectivas barrinhas.

Boot Camp

Muitos se perguntaram o que seria da Touch Bar quando o usuário estivesse usando o Windows por meio do Boot Camp. Felizmente, um leitor do MacRumors enviou um email para Craig Federighi e obteve a resposta que todos esperávamos:

Abraham: Craig, estou correto em supôr que a Touch Bar vira uma fileira de teclas de função virtuais quando usando o Windows pelo Boot Camp?

Craig: Sim, você está certo!

Com isso, só falta descobrir se as funções que estão presentes atualmente, com barras de função físicas — controle de volume e brilho, por exemplo —, se farão presentes também na Touch Bar quando interagindo com o Windows. Embora o botão de força funcione como esperado, presumivelmente a Apple não oferecerá ao sistema da Microsoft suporte ao Touch ID.

Suporte de terceiros

Uma série de desenvolvedoras proeminentes do mundo Mac já anunciou suporte à Touch Bar (e ao Touch ID, quando aplicável) em seus produtos. Vamos dar uma olhada em algumas das implementações mais relevantes ou interessantes a seguir.

MICROSOFT

A ex/nova-arquirrival da Maçã já é uma das principais desenvolvedoras para Mac e uma boa parceira da Apple no mundo do software, tanto que anunciou atualizações para todo o seu pacote Office 2016 com suporte à Touch Bar já na keynote de quinta-feira.

Touch Bar do MacBook Pro no Excel

Um post no blog oficial do Office detalha todas as novidades mas, por cima, elas incluem um modo de edição no Word que permite visualização do documento em tela cheia com as opções de formatação inclusas na barrinha, para total imersão; o PowerPoint inclui uma série de botões para manipulação de objetos e controle de formatação e apresentação de slides; o Excel, por sua vez, apresenta sugestões para as fórmulas e um botão para confirmá-las diretamente na Touch Bar; por fim, o Outlook oferece opções de sugestão de contatos, documentos recentes (na tela de composição) e um botão “hoje” para a visualização das tarefas do dia.

AGILEBITS

A produtora do indefectível 1Password anunciou, como era de se esperar, uma interessante integração com o Touch ID do novo MacBook Pro. O sensor de digitais pode ser utilizado no lugar de uma senha para logar-se no aplicativo — como já acontece com os iPhones. O uso da Touch Bar pelo aplicativo também será extensivo, como na possibilidade de trocar instantaneamente de cofre ou deslizar o dedo para gerar uma senha forte.

A AgileBits ainda está em fase de desenvolvimento na sua atualização para o 1Password com suporte à Touch Bar, portanto deveremos ouvir mais novidades interessantes até o lançamento.

Outras desenvolvedoras que já anunciaram suporte à Touch Bar, sem revelar muitos detalhes até o momento, incluem:

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Por enquanto, estas são as — ainda poucas, acreditem! — informações que temos sobre a mágica e revolucionária Touch Bar do MacBook Pro. A parte mais importante, entretanto — que é saber se este será um recurso determinante e de sucesso para um público tão exigente e tão cheio das “manias” como é o público avançado —, nós só saberemos com o tempo.

Por agora, o negócio é indubitavelmente promissor.

[via The Verge, 9to5Mac, AppleInsider, TechCrunch]

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