Artigo de leitor: usando o iPad como o meu computador principal


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29/11/2016 às 16:50

por Zendrael

Há quem diga que não é possível, há quem garanta que é a melhor coisa do mundo, há quem tem vontade de usar e quem nunca nem testou. O fato é que não basta apenas trocar de sistema operacional, deve-se também mudar a forma de pensar ao adotar um novo sistema como o iOS para executar as principais tarefas do seu fluxo de trabalho.

Sou desenvolvedor de software (programador) desde 2001 e abandonei o Windows em 2003, migrando para sistemas GNU/Linux e BSD; em 2009 utilizei Mac OS X em um Hackintosh para então comprar o meu primeiro MacBook Air de 11″, em 2010. O primeiro iPad, em sua primeira versão, não me lembro exatamente quando foi adquirido. Com o tempo comecei a acreditar que o iPad poderia ser meu computador perfeito se possuísse os apps necessários e, após passar por outros MacBooks, iPads e um Chromebook, hoje tenho realizado minhas atividades em um iPad Pro de 12,9″ e usado um Mac mini de 2012 como servidor de build e dados.

Fuçando na internet podemos encontrar relatos de várias pessoas, em várias profissões que, a partir do lançamento do iPad Pro, têm intensificado o uso do iOS em suas tarefas diárias e deixado aos poucos de utilizar o macOS até o ponto em que algumas estão vivendo 100% utilizando seus iDevices. Entre alguns, estão os relatos de Federico Viticci, Fraser Speirs, Ben Brooks e outros que podem ser encontrados em redes sociais e blogs. Vale ressaltar que não necessariamente eles começaram a pensar no iOS como seu sistema operacional principal a partir do lançamento do iPad Pro, mas sim a partir do momento em que o iPad e o iOS em si permitiram a melhor execução de tarefas pertinentes à sua rotina. Não defenderei aqui que todos devem realizar esse tipo de mudança, apenas demonstrarei que, no meu caso e de algumas outras pessoas, isso é possível e trouxe benefícios — pode não ser o seu caso.

O conceito que mais preocupa as pessoas e a maior quantidade de reclamações de quem tenta fazer essa transição é com relação ao iOS não possuir um gerenciador de arquivos. Para quem está acostumado com organização de arquivos e pastas de forma estruturada, acaba se frustrando com a organização dos arquivos pelos aplicativos e impede que possam progredir com seus trabalhos. A mudança da forma de pensar é fundamental neste ponto, pois é perfeitamente possível abrir arquivos em apps diferentes e transferir de um para o outro, seja utilizando alguma área do iOS como área de troca (fotos, por exemplo), seja por uso de um armazenamento em nuvem ou pelo uso do botão para compartilhar o que está fazendo. Pense num software muito utilizado por você hoje e lembre-se como foi quando aprendeu a utilizá-lo, a dificuldade até se acostumar, ou se migrou para o atual depois de tempos utilizando outro… Sua mente deve aprender como o iOS trabalha para que seu fluxo de trabalho não seja prejudicado, ou um novo fluxo deve ser criado.

Se o leitor já trabalha com programas em tela cheia no macOS e alterna entre eles pelos espaços de trabalho usando gestos no trackpad ou atalhos de teclado (fui aos poucos diminuindo o número de janelas abertas ao mesmo tempo numa mesma área de trabalho), estará confortável ao usar o iOS. Também me acostumei a invocar o Spotlight pelo teclado e encontrar o que precisava, e os atalhos funcionam da mesma forma no iOS 10.

A cada novo app com foco na utilização profissional do iOS, mais simples a transição se tornou. Um bom exemplo é o app Workflow, que funciona como um Automator para iOS, totalmente gráfico e repleto de “receitas” para diversas ações. Facilita muito o trabalho repetitivo de algumas tarefas — vale a pena conferir para quem não conhece.

Especificamente para a minha área, qualquer editor de texto puro é suficiente para editar os códigos dos programas desktop, apps, web e games. Tenho usado o Coda pois é mais estável no iOS 10 do que o Koder que eu usava anteriormente. Ele permite que eu acesse diretamente arquivos via FTP, SFTP, SSH ou WebDAV. Quando há a necessidade de ver ou testar algo que não pode ser acessado através do navegador, uso qualquer conexão remota como VNC ou Área de Trabalho Remota do Chrome para visualizar o Mac mini com macOS Sierra. Na eventual necessidade de compilação de códigos ou criação de novos projetos, acesso apenas por SSH usando o app Serverauditor e executo os comandos necessários. Mantenho também uma cópia dos projetos em que estou trabalhando no Dropbox e no Google Drive por questões de segurança, e para acesso quando não é possível me conectar ao servidor. É possível, dependendo do tipo de projeto, realizar toda a programação diretamente no iPad, mas meu fluxo de trabalho já era como faço hoje e não precisei alterar isso, somente mudei algumas ferramentas.

Algumas pessoas já me perguntaram sobre o “gorilla arm”, que refere-se ao cansaço de levantar os braços para tocar na tela do iPad durante seu uso, e posso afirmar que é mais uma questão de costume. Também é pouco perceptível para quem está acostumado a usar os atalhos de teclado. O que mais incomoda é a posição da tela dependendo da cadeira/mesa que se utiliza e requer alguns ajustes (ponto para o Surface Pro!).

De uma forma geral, o iOS tem se tornado meu sistema operacional principal e o iPad Pro, meu substituto ao MacBook. Há, sim, muito o que avançar em vários aspectos mas não podemos esperar que o iOS se torne um macOS, sua proposta não é a mesma e seu funcionamento exige do usuário que quer usá-lo de maneira profissional que se adapte para obter o melhor aproveitamento.

Vou listar alguns pontos a favor e contra esta substituição para quem está pensando em migrar e possui algumas dúvidas — dando ênfase no trabalho de desenvolvedor e de usuário comum:

PRÓS

CONTRAS

·   ·   ·

É difícil esclarecer todos os pontos que possam motivar alguém a se decidir sobre realizar este tipo de mudança ou teste, há muitas profissões cujo trabalho seria impossível de se realizar no iOS e muitas que vêm se provando possíveis. Cabe ao leitor determinar se poderia adaptar sua rotina usando primariamente um iPad ou não.

Obrigado pessoal do MacMagazine pelo espaço e espero que estas palavras sejam interessantes para os leitores. Até mais!

Notas de rodapé

  1. Integrated Development Environment, ou Ambiente de Desenvolvimento Integrado.
  2. Rapid Application Development, ou Desenvolvimento Rápido de Aplicação.
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