Minhas impressões depois de dez dias usando um MacBook Pro de 15″ com Touch Bar


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23/12/2016 às 16:06

Eu estou há dez dias usando o MacBook Pro de 15 polegadas com Touch Bar, lançado recentemente pela Apple, e resolvi compartilhar com vocês as minhas impressões sobre a máquina.

Ao que parece, os Macs já não são mais o centro das atenções na Maçã, mas vou tentar ser o mais imparcial possível e listar o que eu achei de melhor e pior ao compará-lo à geração anterior.

Os prós

BELEZA

O produto em si é muito bonito! É incrível como eles conseguem melhorar tanto um produto a ponto de você ver os antigos depois de apenas um dia e já considerar o seu design meio “defasado”.

TOUCH ID

O Touch ID é muito bacana. Muito, mesmo! Eu diria que ele pode ser até mais útil do que a Touch Bar para uma grande parcela dos usuários (mesmo no Brasil, onde ainda não há suporte para o Apple Pay). E alguns ótimos aplicativos já se integraram a ele, como o 1Password.

1Password na Touch Bar

Ok, a tradução não ficou perfeita, mas o app funciona muito bem!

MAIS OPÇÕES

Todos os diálogos oferecem botões para as ações na Touch Bar. Exemplo: ao fechar um documento no Editor de Texto (TextEdit), os mesmos botões da janela de diálogo são exibidas na Touch Bar. Uma mão na roda!

Salvando um documento no Editor de Texto

Editor de Texto na Touch Bar

DESBLOQUEIO

Desde que o macOS Sierra foi lançado, é possível desbloquear o Mac sem precisar digitar a senha caso você tenha um Apple Watch. Caso você não tenha um relógio mas embarcou na onda dos novos MacBooks Pro, pode agora usar o Touch ID.

Touch ID na Touch Bar

FLEXIBILIDADE

Poder conectar qualquer cabo (incluindo o do carregador), de qualquer lado (assim como o conector Lightning), em qualquer uma das portas Thunderbolt 3/USB-C é bem bacana e resolve a bagunça de cabos indo de um lado pra outro.

RELEVÂNCIA

A maioria dos apps nativos do macOS traz suporte à Touch Bar, como por exemplo o QuickTime Player, o qual exibe o tempo de gravação e o tamanho do vídeo em tempo real. A Touch Bar é ideal nesse caso pois, ao gravar um screencast, você não quer que essa informação apareça no seu vídeo.

QuickTime Player na Touch Bar

MAIS RELEVÂNCIA

As abas de algumas janelas, como as do Monitor de Atividade (Activity Monitor), são exibidas no Touch Bar, facilitando o acesso a qualquer uma delas sem precisar recorrer ao mouse/trackpad.

Abas de apps na Touch Bar

FACILIDADE vs. COSTUME

Aumentar ou diminuir o brilho/volume ficaram diferentes, porém mais precisos e mais fácil de alterá-los — mesmo que custe um tempo para se adaptar.

Ajustando o volume na Touch Bar

QUALIDADE

A performance e a sensibilidade da Touch Bar são algo pra ninguém botar defeito, assim como a maioria (todas?) das telas de toque da Apple. A tela da Touch Bar é OLED1 e isto foi uma ótima escolha, assim como foi no Apple Watch.

Os contras

PERFORMANCE

A melhoria de performance não foi significativa e, ao menos para as tarefas que eu realizo, não notei nenhuma diferença. Isso mesmo, nenhuma! Para ser mais imparcial, fiz alguns testes comparando a nova máquina com o meu Mac anterior, um MacBook Pro de 15 polegadas com tela Retina de 2014.

Eu converti vídeos, rodei scripts e analisei o Monitor de Atividade. Resultado: a performance foi muito parecida no geral. Porém, o que me surpreendeu foi que, em alguns casos, a performance foi inacreditável e ligeiramente mais lenta na máquina nova.

Eu então conversei com um Genius/Expert de uma loja da Apple para entender o que poderia estar havendo. Ele disse que isso é comum em Macs recém-lançados e que os engenheiros da Maça trabalham duro depois de um lançamento pra otimizar drivers e outras coisas relacionadas à performance dos novos modelos. Independentemente dessa promessa, é algo bem negativo, principalmente ao se considerar os preços.

DETALHES DO TECLADO

O teclado (com mecanismo borboleta de segunda geração) em si é excelente: sim, depois de dois dias você se acostuma e dirá que é de fato melhor que o da geração anterior. Porém duas coisas nele são irritantes: a tecla Esc (pelo fato de não ter feedback tátil) e as setas (que não permitem mais serem localizadas apenas movendo a mão para a parte inferior direita do teclado até sentir as lacunas antes existentes em cima das da esquerda e da direita — similar a uma leitura em braille).

Teclado do novo MacBook Pro com Touch Bar

O teclado também é mais barulhento que o anterior. Isso pode fazer pouca ou nenhuma diferença para a maioria, mas não é nada legal para quem tem um bebê dormindo por perto. 😛

RESOLUÇÃO DA TOUCH BAR

A resolução da Touch Bar pode decepcionar um pouco. A definição de tela Retina leva em consideração a distância entre a tela e os nossos olhos, ou seja, a densidade de pixels de um iPhone é superior à de um Mac por utilizarmos os iPhones mais próximos do rosto.

Resolução da Touch Bar

Porém, em alguns momentos, queremos olhar mais de perto pra ver algum detalhe e aí você nota os pixels — algo no mínimo estranho para a empresa que criou uma tela Retina lindíssima há quase 7 anos e que deveria manter essa qualidade.

BATERIA

Reza a lenda que a bateria dele está bastante ruim, o que inclusive fez a Consumer Reports pela primeira vez não recomendar a máquina.

Acho que tive sorte nesse ponto pois não estou tendo problemas com isso. A bateria do meu MBP dura a mesma coisa que a do meu Mac anterior, mas pode ser apenas impressão minha. Por outro lado, acho que atualmente todos concordam que ele poderia ter espaço para uma bateria um pouco maior em vez de ter ficado mais fino.

ADAPTADORES

Ter que carregar adaptadores o tempo todo é meio chato. Você até acostuma, mas ainda é chato. Imagine quanto tempo vai demorar até que tudo se torne compatível com o padrão USB-C: pendrives, TVs, carros, etc. Uma ideia que pode ajudar nessa transação é essa abaixo da SanDisk: um pendrive que tem duas portas (uma de cada lado — USB-A e USB-C).

Pendrive da SanDisk

Conclusão

Vale a pena comprar um? A resposta é, como sempre, depende. Se você já tem um MacBook Pro com tela Retina recente, a resposta é não, ao menos por enquanto. Eu recomendaria esperar mais algum tempo para ver se as melhorias no macOS vão resolver os problemas listados acima (que não dependem de um novo hardware, é claro) ou ainda esperar pela próxima geração (quem sabe saia até o fim de 2017), a qual provavelmente trará os novos processadores de sétima geração da Intel.

Se você precisa urgentemente de um Mac novo mas não pode gastar muito (o novo é caro, mesmo comprando no exterior), considere comprar um da geração anterior. Como disse, a performance é bem parecida. Se puder gastar um pouco mais para não precisar trocar novamente tão cedo, opte pelo novo. Só não se esqueça dos adaptadores (pelo menos o USB-C para USB-A eu tenho certeza de que você vai precisar).

Apesar de a minha avaliação não ter sido extremamente positiva, eu já descartei a possibilidade de devolver o meu. 😉

·   ·   ·

Dica final: para capturar imagens na Touch Bar como fiz acima, basta utilizar o atalho ⌘⇧6.

Notas de rodapé

  1. Organic light-emitting diode, ou diodo emissor de luz orgânico.
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