Review: um velho usuário do Boot Camp testa e dá a sua opinião sobre o Parallels Desktop 12

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A cada dia diminui a quantidade de usuários que necessitam instalar uma máquina virtual no seu Mac — seja uma instalação do Windows, do Linux ou mesmo a beta de uma futura versão do macOS. Entretanto, é inegável que ainda um número considerável de donos de Macs precisam de alguma solução do tipo; na maioria das vezes, para rodar programas ou jogos da seara do sistema operacional da Microsoft.

Eu sou um deles: como estudante de arquitetura e urbanismo, preciso ter acesso a alguns softwares disponíveis apenas no Windows (aliás, o mais notável deles, o Revit, já virou uma piada no mundo dos arquitetos por causa das contínuas promessas de uma versão para Mac que nunca vê a luz do dia); também tenho o costume, apesar de não ser um gamer de carteirinha, de jogar alguns títulos exclusivos para o SO da Microsoft.

Parallels Desktop 12 para MacAté recentemente, minha ferramenta escolhida para realizar tais tarefas era o indefectível Boot Camp, recurso nativo dos Macs. Entretanto, com a necessidade de reiniciar o computador todas as vezes que precisava trocar de sistema, além da relativa dificuldade em transferir arquivos de um para o outro, era claro para mim que aquela não era a solução ideal.

Foi assim que, quando vislumbrei no horizonte a oportunidade de testar o Parallels Desktop 12, a nova versão de um dos softwares de virtualização de máquina mais populares do mundo Mac, agarrei-a imediatamente. O início do teste coincidiu com a liberação do Sierra, então uni o útil ao agradável: fiz um backup dos arquivos de ambos os sistemas no meu MacBook, apaguei completamente o SSD e realizei uma instalação limpa do novo macOS, instalando o Parallels logo então e configurando uma máquina virtual com o Windows 10 — o mesmo que rodava anteriormente na partição em separado.

Minha única preocupação em relação à mudança tinha a ver com a performance: como se sabe, ao contrário do Boot Camp (que é uma partição separada do disco e, portanto, acessa os recursos da máquina irrestritamente), uma máquina virtual mora “dentro” de outro sistema e, portanto, não tem como tirar proveito de todo o poder de fogo do seu processador/RAM/gráficos e tudo mais. Como eu, em algumas ocasiões, mexo com projetos razoavelmente complexos no Revit e em outros programas de modelagem, tive receio de o Parallels comprometer a fluidez/velocidade do trabalho.

A metodologia do meu teste, considerando isto, foi a mais simples possível: como um usuário comum, simplesmente avaliei a experiência de uso da máquina virtual do Parallels, comparando com a que tinha anteriormente com o Boot Camp — sem medições de performance e sem números complicados, apenas a mais pura experiência. Para que vocês tenham uma medida de comparação com o computador de vocês, o Mac utilizado no teste foi um MacBook Pro de 13 polegadas, de meados de 2012, equipado com um SSD, chip Intel Core i7 de 2,9GHz, gráficos Intel HD Graphics 4000 de 1.536MB e 16GB de RAM.

Vejamos a seguir as minhas impressões.

Configuração inicial

Parallels Desktop 12 para Mac

A configuração do Parallels Desktop 12 não poderia ser mais intuitiva. Ele está totalmente traduzido para o português, mas mesmo que não estivesse, uma pessoa com pouca familiaridade com o inglês poderia seguir os passos para instalar a sua máquina virtual sem muita dificuldade.

Ao iniciar a ferramenta pela primeira vez, ela dispõe todas as opções necessárias, com as três mais comuns (“Obter o Windows 10 da Microsoft”, “Instalar Windows de um dispositivo externo” ou “Transferir o Windows de um PC já existente”) em destaque e outras (como instalar máquinas virtuais do Linux/Android/Chromium OS e outros) na parte inferior. Escolhendo qualquer uma das opções, o Parallels guia o usuário com passos absolutamente simples de seguir até o momento em que a máquina virtual está lá, pronta para uso. Ponto extremamente positivo aqui!

Uso

Minha primeira impressão ao começar a usar a máquina virtual do Parallels foi de total e deliciosa liberdade tecnológica: não mais preso às amarras do Boot Camp, eu posso simplesmente desfrutar do programa que eu quiser, a hora que eu quiser, sendo ele criado para macOS ou para Windows. Posso, também, pegar um arquivo de um dos sistemas e passar imediatamente para o outro, sem precisar espetar um pendrive no computador e reiniciá-lo. Não mais estou limitado, também, à minha divisão inicial do disco — se precisar instalar um software novo e pesado no Windows, posso fazer isso sem problemas. Um novo mundo descortinava-se à minha frente.

Parallels Desktop 12 para Mac

Melhor ainda, eu não preciso nem ao menos lembrar que estou usando o Windows: no modo Coerência, os aplicativos do sistema abrem em janelas independentes, na área de trabalho do próprio Mac. Este é, para mim, o recurso matador do Parallels — você pode simplesmente esquecer das vantagens e desvantagens de usar o Mac ou o Windows e simplesmente ter as duas coisas no mesmo lugar, sem uma distinção clara. É o melhor dos dois mundos!

Claro que, como toda relação, após o encantamento inicial os problemas começam a surgir. No caso do Parallels, foi exatamente o que eu esperava, porém talvez numa escala menor do que eu temia: de fato, as coisas sofrem uma pequena perda de desempenho; na minha experiência, entretanto, esta desvantagem é facilmente contrabalançada pela comodidade de usar os dois sistemas no mesmo lugar. Apenas para ilustrar, um projeto em 3D no Revit que era manipulado com total fluidez no Boot Camp apresentou uma pequena quantidade de lag na máquina virtual — mas nada que impeça o trabalho ou incomode muito.

Nas configurações de cada máquina virtual, o Parallels permite ao usuário controlar finamente quanto dos recursos do computador pode ser extraído pela virtualização — o recurso, entretanto, é limitado de acordo com a edição do software. Na edição que eu testei, a tradicional (e mais barata), o máximo de RAM suportado pelas instalações secundárias é de 8GB, metade do que disponho no meu Mac; edições mais caras (falaremos delas em breve) permitem a utilização de até 64GB!

Recursos

Eu sou um cara simples que gosta de manter as coisas simples — digo isto porque não usufruo de quase nenhum dos recursos especiais do Parallels, o que não significa, entretanto, que eles não existam. Muito pelo contrário, aliás: a ferramenta traz uma série de opções relacionadas a segurança, proteção de dados e backups que satisfará qualquer usuário preocupado e mais zeloso que eu com suas máquinas virtuais.

O virtualizador traz, por exemplo, o recurso de backup SmartGuard, que grava uma imagem da máquina virtual a um intervalo escolhido pelo usuário e pode salvar tudo na Time Machine do Mac. Também é possível criptografar com senha a inicialização das suas máquinas virtuais, bem como configurar o programa de forma que a senha do Mac seja exigida quando qualquer mudança nas máquinas for efetuada.

Um recurso muito interessante (este, eu usei!) é o de compartilhamento de pastas. Com ele, uma determinada pasta no Mac tem seu conteúdo automaticamente refletido em qualquer máquina virtual; por exemplo, ao instalar o Windows 10, o Parallels automaticamente configurou a Mesa (Desktop) do meu Mac como pasta compartilhada — a partir daí, todos os arquivos presentes nela também apareciam (e sumiam, se fossem movidos/deletados) na Área de Trabalho do Windows. Facilita bastante o trabalho em alguns cenários.

Preço

O Parallels Desktop 12 tem três edições: a padrão custa R$265 por uma licença vitalícia ou o mesmo preço por uma assinatura anual que dá direito a atualizações gratuitas para as futuras versões do software. As edições mais avançadas só estão disponíveis no esquema de assinatura: a Pro Edition custa R$310/ano, mesmo valor da Business Edition; ambas incluem também as atualizações gratuitas para futuras versões. As diferenças entre as edições incluem suporte a mais recursos do computador, suporte dos desenvolvedores por email/telefone, ferramentas de rede avançadas e mais; tudo pode ser conferido nesta página.

Caso você já tenha o Parallels 10 ou 11 (licença única, padrão ou Pro), pode atualizar para a nova versão por R$150. Também há valores especiais para estudantes através do OnTheHub, bem como uma versão de testes que funciona por 14 dias. No geral, não são valores baixos, mas certamente valem a pena caso você esteja precisando de uma solução de virtualização para o seu Mac.

Parallels Desktop 12 para Mac

Um encontro épico!

No Brasil, o Parallels é distribuído pela Boxware.

Veredito

No fim das contas, estou feliz em ter trocado o Boot Camp pelo Parallels. Estaria mentindo se dissesse que não sinto, às vezes, saudade da fluidez total do Windows na partição separada; por outro lado, as vantagens da máquina virtual tiveram, ao menos na experiência, um peso muito maior no momento da decisão. E veja bem: talvez não fosse o caso se fosse de outra forma, mas o Parallels é um software tão polido e bem construído que, como dizem popularmente, dá gosto de usar.

Prós

  • Muito fácil de configurar e usar;
  • Compatível com uma grande quantidade de sistemas;
  • A incomparável liberdade de usar apps do Windows no Mac!

Contras

  • Performance não aproveita todos os recursos da máquina;
  • Versão mais barata tem limitações importantes;
  • Preço pode ser um pouco salgado.
NOTA
9,0
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