10 anos de iPhone: Phil Schiller fala sobre como o aparelho mudou a Apple

Escrevendo para o Backchannel, Steven Levy publicou uma entrevista com o vice-presidente sênior de marketing mundial da Apple, Phil Schiller, em comemoração aos dez anos do iPhone.

Imagem promocional do iPhone original

Levy começou narrando uma entrevista sua com Steve Jobs em 2007, logo depois da grande apresentação do aparelho para o mundo. Quando ele perguntou “Por que um celular?”, Jobs disse — ironicamente — que havia “estudado” e “analisado o mercado” e “viram que poderiam fazer muita grana com aquilo”. Depois, é claro, desmentiu, dizendo que “isso não é a cara da empresa”. Mesmo que tenha sido apenas brincadeira dele naquele tempo, realmente o produto cresceu tanto que, no último trimestre, o faturamento com os iPhones foi de US$51 bilhões (75 milhões de unidades vendidas), o que representou dois terços do montante total arrecadado pela empresa inteira.

Portanto, a primeira pergunta de Levy a Schiller — que está na empresa desde 1997 e participou do desenvolvimento e do lançamento do iPhone — foi se eles tinham a noção do quão grande o seu novo produto se tornaria.

Sim, mas não na escala que se tornou. Sabíamos que estávamos trabalhando em algo importante que era grande para a Apple e que o mundo estava abrindo o caminho para essas coisas no futuro. Mas não sabíamos o quão grande seria e não sabíamos quantas coisas viriam a partir dali.

Como sabemos, hoje em dia o que impera nos iDevices são os aplicativos feitos por desenvolvedores terceiros; mas, inicialmente, isso não era uma realidade. Schiller contou que, durante o processo de desenvolvimento, grupos se dividiram entre permitir ou não que existissem aplicativos de terceiros no novo aparelho. A opinião de Jobs foi a que prevaleceu.

Steve Jobs encerrou a discussão. Ele disse: “Nós não temos que continuar discutindo isso porque não podemos ter [um sistema aberto] agora. Talvez mudemos de opinião depois, ou talvez não, mas por enquanto não, então vamos imaginar um mundo no qual resolvemos o problema com ótimos aplicativos nativos e uma maneira para que os desenvolvedores façam aplicativos na web.”

Um ano depois disso, foi levantada a bandeira do There’s an app for that! ao permitir aplicativos de terceiros no iPhone, mantendo um grande ritmo de inovação. Entretanto, pode ser que o pulo que a Maçã tenha dado foi tão grande que, nos últimos anos, o que se tem dito é que há apenas pequenas melhorias em vez de revoluções. O executivo da Apple, todavia, não acredita nisso.

Eu realmente acho que os avanços nas versões posteriores são tão grandes quanto as anteriores e, às vezes, até maiores. Acho que nossas expectativas estão mudando mais, não os avanços dos produtos. Se você olhar cada versão do iPhone, do original para o iPhone 3G, do 4 para o 4s, você vê grandes mudanças em todos. Você vê a mudança de tamanho de tela de 3,5″ para 4″, para 4,7″ e 5,5″. Você vê câmeras passando por mudanças incríveis; desde a primeira câmera que não podia gravar vídeos até ter uma câmera frontal e traseira e, agora, com três câmeras, suporte a Live Photos e vídeos em 4K.

Phil Schiller apresentando o iPhone 5

Dizendo que a qualidade dos iPhones é “incomparável” e com um discurso de que prefere qualidade do que preços baixos e “quantidade”, Schiller olha para o futuro com ar de esperança. Ao ser perguntado se a Apple conseguiria fazer algo tão grande quanto o iPhone, o executivo diz que em 50 anos as pessoas olharão para trás e perceberão que realmente teria “muita coisa por vir”.

Pensando sobre a relevância que uma “máquina de bolso” terá daqui para frente, o jornalista questionou Schiller sobre a Siri e o surgimento de uma “era da interface conversacional” que muitas empresas já estão avançando. É claro, sem perder o discurso quase robótico, o executivo da Maçã ainda diz que “a Apple faz mais em interface conversacional do que qualquer outra” e que prefere uma “inteligência artificial que caiba no bolso”.

O jornalista, então, lembrou Schiller que a intenção da Amazon com a sua assistente virtual, a Alexa, “não é uma interface ‘presa’ em um só dispositivo, mas algo ambicioso e persistente baseado na nuvem que pode lhe ouvir em qualquer lugar”. A resposta de Schiller é algo intrigante, principalmente se levarmos em conta os recentes rumores que a Apple estaria fazendo algo semelhante ao Amazon Echo.

As pessoas estão se esquecendo do valor e da importância das telas. Algumas das maiores inovações no iPhone nos últimos dez anos foram na tela. As telas não vão desaparecer. Nós ainda gostamos de tirar fotos e precisamos olhar para elas, e uma voz incorpórea não vai me mostrar qual é a imagem.

O iPhone, sem dúvida, revolucionou a indústria como um todo e não é de se espantar que os executivos da Maçã o defendam com unhas e dentes.

Você pode acessar a entrevista na íntegra (em inglês) neste link.

[via MacRumors]

  • é Phill, pode até ter mudado a Apple, mas parece que vcs nao aprenderam nada que o Jobs ensinou! pqp… que raiva q tenho…

  • Carlos Frederico

    Racionalmente falando a Apple está presa na inovação material que infelizmente não acaba dependendo muito dela. Dá para elencar algumas as inovações que ocorreriam somente com as revoluções materiais:

    – Baterias;
    – Telas;
    – Carcaça (material de revestimento. Quem não quer um material que não quebre, não risque e ainda seja bonito???)

    Com os materiais atuais ela anda fazendo uma senhora evolução: o processador ARM e a GPU dela são praticamente os melhores na questão de eficiência energética, mesmo que isso implique numa plataforma fechada.

    Enquanto as empresas não pararem de perder tempo com coisas bestas, como celular modular, trocentos megapixels nas câmeras, tela 8k num tamanho físico de 5”, etc. não vamos ter nada de útil realmente…

    Recentemente eu assisti um seriado chamado Projeto Coelho Branco na Netflix. Recomendadíssimo, principalmente se você gosta de entender a engenharia da coisa… e um dos episódios que eu mais curti foi um que elenca as 6 tecnologias mais irritantes e que insistem em investir a troco de nada. Adivinha qual é uma delas? O reconhecimento vocal. Não adianta: a voz humana é MUITO complexa. Vamos precisar ainda de uns 50 anos para fazer algo de fato que preste na voz, tanto na emissão quanto na recepção e reconhecimento. É mais recomendado focar isso na acessibilidade do que um recurso inovador propriamente dito. E mais uma área onde a Apple se destaca e domina humilhando o resto: acessibilidade. Praticamente qualquer deficiente vai preferir um dispositivo Apple, dado o capricho que eles possuem com a acessibilidade.

  • Mudou o mundo sim. Mas todo mundo já consegue fazer aparelhos tão bons quanto o iPhone. A interface não é a mesma porque não pode ser, mas se quisessem fazer… fariam. A parte em que ele fala que todo mundo tá procurando coisas novas enquanto a Apple foca nos iPhones é estranha. Não dá pra saber se é animadora pelo que eles podem de fato estar fazendo, ou mega triste por ver alguém tão importante na empresa declarar que o foco é o que já existe hoje.

  • Carlos Frederico

    Eu não acredito que eles estejam parados. Não são burros para não verem que a tendência do iPhone é cair, como anda caindo, por razões óbvias, ainda que tenha mercados imensos.

    O mais sensato hoje é aguardar sem grande expectativas, pois não temos nenhuma revolução material. Se parar para pensar, a revolução que a Apple fez foi simplesmente juntar os materiais que já existiam num espaço engenhosamente bem feito para a época, dada que a miniaturização naquela época não era grande coisa. Mas tudo já existia em termos materiais: tela sensível, etc.

  • Vinícius Brito

    “Discurso de que preferem qualidade do que preços baixos”, nesse caso acredito que seja “discurso de que preferem qualidade a preços baixos”.

  • Rodolfo Oliveira

    Eu não concordo com a parte de que as outras investem em coisas bestas. Tendo em vista o desenvolvimento do VR as telas por ficarem próximas dos olhos precisam de muito resolução e de taxas de atualização maiores. 4k e 120hz numa tela de smartphone faz sentido quando falamos de realidade virtual.
    Reconhecimento de voz é uma coisa que precisa existir para melhorar. Não dá pra guardar em laboratório por 50 anos e esperar que melhore, a Siri tendo centenas de milhões de usuários nas mais diferentes línguas vai ser o que vai possibilitar o desenvolvimento da tecnologia pela coleta de dados que seriam impossíveis de obter de outra forma.

  • Andrsonsp

    O que seria algo revolucionário no iPhone para vocês?

    Acho o que pode vir revolucionar e surpreender a gente, é em carros autônomos, porque no telefone acho que não tem mais o que revolucionar.

  • Jaime Camargos

    Pelo posicionamento destes medalhões da Apple acho que deveriam detestar Steve pois parece que nunca o conheceram e entenderam a química de todo negócio. Estão acomodados pensando no que vão fazer com o dinheirão da aposentadoria. Não pensam em mudar o mundo e escrever seu nome na história. Meros idiotas.

  • Cloud_edge

    Sabe o que pode levantar o ânimo do pessoal com a venda do iPhone ?
    Novo design, com um novo material… Que seja vidro, cerâmica, carbono ou a combinação de mais de um…
    Chega de incremento pontual, hora de sacudir de novo o mundo com algo que todos acham feio no primeiro olhar, depois acham lindo compram e ama.

  • Pedro Canelas

    Boa pergunta! Tem pessoas que acham que mais DPI numa tela ou mais processador ou memória são inovações. Inovação pra mim foi o que a Apple fez no primeiro iPhone, depois quando lançaram a Retina Display, e por último, o Touch ID. Não é a toa que essas 3 inovações foram incorporadas pela concorrência. 8GB de Ram? Processador octa-core? Tela com AMOLED blablabla, isso é um upgrade natural, não tem nada de inovação nisso.

    Sobre sua pergunta a respeito do que é revolucionário, eu não tenho idéia. Eu espero mais da Apple uma evolução no iOS do que no aparelho em si.

  • Danilo

    Diferentemente da época em que o IPhone foi lançado,hoje a apple está em uma situação bem confortável e isso faz com que não deem a minima para inovação.
    O que precisaria acontecer pra eles voltarem para os trilhos é alguma outra fabricante lançar um Smartphone que desbancasse o IPhone a ponto de interferir no Share aí o povo colocaria o cérebro pra funcionar de novo,mas enquanto isso não acontece,é só mudar a cor e lançar o do ano passado que todo mundo compra.

  • Fabio Conde

    “Tem pessoas que acham que mais DPI numa tela ou mais processador ou memória são inovações.”
    “…depois quando lançaram a Retina Display,”

    ¯_(ツ)_/¯

  • Retina display ? De 5 anos atrás ? O restou do mercado já aumentou 10x essa resolução de forma irracional, só pra marketing, só pra argumento de venda. Mas os leigos, ainda seguem esse pensamento anos 90 que o que importa é megapixel, ghz, ram, resolução…

    Acho que tu entrou em coma em 2010 e voltou a comentar hoje 😀

  • Fabio Conde

    Achei um tanto quanto incoerente falar que aumentar DPI não é inovação e na frase seguinte diz que quando a Apple aumentou foi.

    Sobre resoluções maiores:
    Talvez quando a Apple lançar VR (se ela não lançar, não presta né?), você entenda que resolução alta não é tão inútil assim.

  • ” (se ela não lançar, não presta né?)”
    Rapaiz, para com esse pensamento clichê… onde tu vê isso ? Só na boca dos revoltados que criam essa lenda e repetem a todo canto…

    Se a Apple lançar VR, sou completamente discrédulo… todas as vezes que experimentei achei muito legal para experimentar, só pra matar a curiosidade, mas não tive a mínima vontade de ter um, é incomodo e cansativo. O negócio da Samsung é uma geringonça ridícula… Duvido que a Apple entre nessa, e se entrar, tem que ser diferente daquela gambiarra da Samsung que só serve para matar a curiosidade. Eu não tenho o mínimo interesse, nem da Apple, só curiosidade.

  • Leandro

    O Material (alumínio) usado nos iphones de longe é o problema muito pelo contrario é o charme, nisso na minha opnião. O que falta mesmo é inovação tecnológica mesmo, inovações que te faça ter gosto de ter um apple não só pelo nome e sim por ter um produto que se destaque. Apple esta acomodada essa é a verdade, ou se não é isso ela esta com bloqueio mental e não estão conseguindo pensar em novas tecnologias mesmo!

  • Leandro

    Concordo, mas hoje já existem smartphone melhores que um iphone e mesmo assim vão/vamos/vou pela marca. rs Um exemplo é o celular xiaomi, tecnologia pura tão bom quanto (se não for melhor) que um iphone e com uma valor muito abaixo.

  • Pedro Canelas

    Então eu te explico. A Apple lançou o iPhone 4 com Retina Display quando todas as telas possuíam baixas resoluções. O que a concorrência fez depois foi aumentar os DPIs, mts vezes nem é possível ver a diferença a olho nú, mas não importa, eles aumentam mais e mais como uma forma de mostrar que estão inovando. Você entendeu o que quis dizer?

  • Pedro Canelas

    Isso que tentei explicar, mas o amigo não entendeu. Retina Display foi uma verdadeira inovação, 5 anos atrás. A concorrência chegou e começou a aumentar mais e mais os DPIs, independentemente se faz diferença a olho nú ou não.

  • Anderson Camões

    Pode até não ser possível em teoria ver a diferença a olho nu, mas na pratica tem diferença sim.
    Minha irmã tem um S6 (ou seja, modelo de 2005) e a tela possui uma resolução nitidamente muito superior à do meu iPhone 7 Plus. As fotos então nem se compara, são muito melhores, principalmente em ambiente com pouca luz ou em movimento.

    Uso iPhone porque gosto do sistema, mas reconheço que a Apple deve em muitas coisas. Em especial 3: tela, fotos e bateria.

    A bateria é muito inferior, acho que não tem usuário de iPhone que goste.

  • Rodolfo Oliveira

    A Samsung colocou muita pressão na Apple desde o Galaxy S3 e do primeiro Note. Tanto é que a Apple se viu obrigada a aumentar as telas pra não perder mercado.

  • Rodolfo Oliveira

    Eu achei a combinação de cerâmica e vidro do 4/4S o melhor design até hoje.

  • Leandro

    De todos os Iphones o que eu acha mais bonito é o 5/5S/5SE mas acabei me acostumando com o 6/6s/7 e o derivados destas linhas! rsrsrsr

  • Felipe

    Concordo.
    Acho que VR, do jeito que está apresentada hoje, não tem futuro.
    Acho que revolucionário seria o tal carregamento sem fio e sem base, à distância, uma bateria de 48 horas, os airpods de série no telefone, uma SIRI mais inteligente, um relógio com um preço viável e bateria melhor, uma câmera com funcionalidades mais interessantes, não focada em megapixels só.

  • fulvioramos

    bateria, MUITA BATERIA, falta isso.
    design novo.
    carregar bateria sem fio!!!

    alguma nova tecnologia que muda tudo tipo o touch id (nem venham que nenhum outro funcionou antes)…

    enfim, falta vontade, pq tudo isso já é possível e os andoid mostram… eu não comprei o 7 pq foi uma piada, mesmo design com a piora da perda do P2… até parece o macbook pro, que conseguiu piorar de uma geração pra outra…

  • Felipe

    Eu acho que a retirada do P2 seria justificável com os airpods de série senão daqui a pouco vira a Sony com celular de 3k sem fone na caixa.

  • Ainda tenho um 5S, acho que 2013 com bateria normal, sistema fluido e fotos muito boas, um iPad de 2011 idem. Por isso que sou sempre inclinado para Apple, tanto iPhone e principalmente iPad e MACs duram muito mais de 5 anos, com sistema atualizado e suporte. De fato, acho inigualável na indústria outra fabricante assim, quem não troca de telefone com frequência, têm no iPhone um custo alto na aquisição que se dilui em vários anos útil e funcional.

    Pra quem é nerd com eu, troco a cada 2 anos, sempre com um telefone topo de linha e o antigo não deprecia muito o preço em dois anos, vende bem.

  • Hudson Schumaker

    “Eu realmente acho que os avanços nas versões posteriores são tão grandes quanto as anteriores e, às vezes, até maiores.” Não imbecil ñ é!!!

  • Gustavo Woltmann

    10 anos já? Caramba, não pensava que fosse tanto. Já estamos tão acostumados ao uso de smartphone.

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