10 anos de iPhone: protótipo com base no iPod e histórias dos bastidores da famosa apresentação


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09/01/2017 às 14:03

Há dez anos o iPhone foi apresentado por Steve Jobs no palco da Macworld 2007 e mudou completamente a história dos telefones celulares. Na keynote Jobs chegou a brincar, mostrando a imagem abaixo como sendo o iPhone.

Steve Jobs na apresentação do iPhone, em 2007

Mas se você acha que a Apple não testou todas as possibilidades possíveis e imagináveis antes de lançar um aparelho com tela de 3,5 polegadas sensível ao toque — incluindo uma que trilhava justamente este caminho —, está enganado.

Sonny Dickson, famoso pelos contatos que tem com fornecedores da Apple na Ásia, compartilhou um protótipo de uma interface Click Wheel para o iPhone original — abordada inclusive na patente 2006008349 da empresa.

Estamos falando de uma sistema operacional sensível ao toque mas que, na verdade, praticamente reproduzia as ações da Click Wheel, a qual, junto do iPod, revolucionou o mercado de MP3 players. Chamado internamente de “Acorn OS”, ele mostrava uma Click Wheel virtual que ocupava a parte de baixo da tela e era responsável por controlar as opções mostradas na parte superior, como “Dial” (“Discar”), “SMS”, “Music” (“Música”), “Contacts” (“Contatos”) e “Recents” (“Recentes”) — não havia ainda, porém, uma opção de navegador.

Ainda segundo Dickson, não há muitas informações sobre o dispositivo. Tudo que se sabe é que existem muito poucas unidades de protótipos rodando o “Acorn OS” — há, dentro da Apple, um cargo criado especificamente para dar fim a protótipos justamente para que algo assim não caia em mãos alheias.

Agora, imagine usar algo desse tipo! 😝 Felizmente a Apple mudou completamente o projeto e, no dia 9 de janeiro de 2007, nós fomos apresentados a algo muito superior e que revolucionou o mercado.

Por falar na apresentação em si, sugiram algumas informações interessantes, conseguidas pelo The Internet History Podcast, sobre a preparação de Jobs e sua equipe.

A apresentação do iPhone foi em janeiro 2007 e o produto só chegaria ao mercado no meio daquele ano. Era de se esperar, então, que o projeto não estivesse finalizado — e por isso, muita coisa “improvisada” para que parecesse perfeita na apresentação. Depois de seis dias intensos de treinamentos em cima da apresentação e faltando horas para subir ao palco, Jobs e sua equipe ainda não conseguiam fazer o telefone funcionar 100% do tempo das demonstrações. Em alguns momentos, o aparelho perdia a conexão; em outros, a ligação não era feita ou o telefone até mesmo desligava sozinho.

Os engenheiros, então, identificaram um caminho perfeito para que a demonstração transcorresse sem dores de cabeça. Mas para isso, Jobs tinha que seguir à risca esse roteiro (por exemplo: o falecido ex-CEO da Apple poderia enviar um email e depois abrir o Safari para navegar na internet; se o contrário fosse feito, o telefone travava).

iPhone original

Eles também fizeram de tudo para que o iPhone utilizado por Jobs tivesse conexão em todos os momentos. Para isso, contaram com a colaboração da Cingular AT&T (que levou uma torre de celular portátil para garantir um sinal forte durante a demonstração); além disso, os engenheiros codificaram os iPhones utilizados na demo para que mostrassem as barrinhas de sinal cheias durante 100% do tempo, independentemente de a conexão estar realmente assim. Em se tratando de Wi-Fi, eles optaram por esconder uma rede que só foi utilizada pelos iPhones em questão, garantido a qualidade do sinal.

Outra curiosidade tem a ver com a conectividade do iPhone em si. Como sabemos, a primeira geração não tinha conexão 3G (apenas EDGE), algo que era plausível já que o desenvolvimento do aparelho começou quando os chips 3G ainda não estavam disponíveis. Contudo, isso também foi uma decisão deliberada da Apple e da AT&T, que já previam o sucesso do iPhone.

A verdade é que a operadora não estava pronta para a quantidade de banda que os usuários de iPhones utilizariam se ele tivesse conectividade 3G logo na primeira geração. Lançar apenas com conexão 2G (EDGE), então, foi uma forma de ganhar tempo para construir uma rede forte o suficiente a fim de aguentar o tranco no iPhone 3G (segunda geração).

Essas e outras histórias você pode conferir no The Internet History Podcast

[via The Verge, 9to5Mac]

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