Brasil é o país cujos usuários de smartphones abrem o maior número de apps por dia, em média


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05/05/2017 às 10:35

A App Annie, uma das maiores firmas de estatísticas referentes ao mundo dos aplicativos de smartphones, liberou ontem um belo relatório [PDF] mostrando os hábitos dos usuários destes aparelhinhos ao redor do mundo. A partir dele, temos uma boa noção de alguns fatores deveras importantes, como o crescimento do uso de apps no mundo inteiro e as diferenças regionais quanto à adoção deles.

Um dos pontos mais importantes da pesquisa, entretanto, refere-se a um mercado por vezes esquecido mas em franco crescimento: o brasileiro.

Os dados, referentes ao primeiro trimestre de 2017, servem basicamente para provar algo que já está claro na cabeça de muitos de nós já há algum tempo: os aplicativos tornaram-se o epicentro da experiência digital e certamente assim continuarão pelo menos por uns bons anos. Entretanto, há diferenças de país a país, como podemos ver neste primeiro gráfico abaixo, que mostra o número de aplicativos utilizados (azul escuro) e instalados (azul claro) num mês, em média, num determinado smartphone:

Relatório de uso de apps por país da App Annie

Como é possível observar, o Brasil — atrás apenas da Índia — tem um dos maiores números de aplicativos utilizados num determinado mês (superior a 40), e os brasileiros ainda têm como hábito possuir um enorme número de apps instalados no seu smartphone; muitos dos quais, aparentemente, ficam lá apenas por honra da firma, sem serem efetivamente abertos por um bom tempo.

Relatório de uso de apps por país da App Annie

Nesta outra métrica acima — a da média de aplicativos utilizados num dia —, o Brasil é o campeão. Nos aproximamos de 12 apps abertos num período de 24 horas, enquanto os franceses, no extremo oposto da pesquisa, abrem menos de 10.

O gráfico abaixo leva em conta apenas o universo Android — ao contrário dos anteriores, que contabilizam tanto o sistema do Google quanto o iOS —, mas ainda assim é interessante notar como a média de minutos gastos num dia em aplicativos está crescendo vertiginosamente. E, nesta corrida ascendente, o Brasil continua no segundo lugar, atrás apenas da Coreia do Sul:

Relatório de uso de apps por país da App Annie

Outro gráfico legal, embora não dividido por região, mostra quais são os tipos de aplicativos mais baixados em cada plataforma. A diferença nas nomenclaturas tem a ver com a organização própria da App Store e do Google Play, mas, no geral, é possível perceber que os apps utilitários são os mais baixados pelas pessoas, seguidos pelos de comunicação/redes sociais e de produtividade:

Relatório de uso de apps por país da App Annie

Relatório de uso de apps por país da App Annie

E então, acham que os resultados da pesquisa refletem os seus hábitos? Discutamos nos comentários.

[via TechCrunch]

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Comentários
  • Carlos Alberto

    Só mostra o quanto o brasileiro é desocupado e ocioso.

  • Gustavo Jaccottet

    Vou argumentar te dando razão num ponto e discordando noutro. O indiano, o chinês, o norte-americano, o alemão, todos desocupados… a cargo horária de trabalho na França é quase 10h/semana inferior à brasileira. Posso concordar que o brasileiro é ocioso, pois de todos os países que conheço nunca vi um povo que pratica tanta atividade física ao ar livre quanto o francês, é running o dia inteiro, no sol, na neve… mas desocupado, aí o francês é bem mais que o brasileiro. Desocupado é aquele que tem tempo disponível. O brasileiro gasta seu tempo em Apps enquanto poderia estar praticando atividades físicas, lendo, pintando, escrevendo, estudando de um modo geral, vendo bons filmes. Basta ir até Montevideo, cidade pacata para uma capital de um país que vais ver empresas encerrando a jornada às 17:00. É muito comum que os uruguaios de lá aproveitem o final de tarde na Rambla, correndo, jogando futebol, rugby, caminhando ou apenas tomando mate. É um choque cultural com o Brasileiro do Sudeste. Quando vou a SP me apavoro com o consumo de fast foods, cafés de baixa qualidade e com muita gordura (Starbucks), em vez de aproveitarem a vida gastam suas horas livres presos em Shoppings, abrindo e fechando Apps, quando se tem um Cofee Time é uma correria para Starbucks, onde se embucham com Café de quinta categoria tapado de nata e aromas artificiais… realmente o brasileiro é muito ocioso, neste quesito faz escola.

  • Manoel Guedes

    Mentira! O número de Apps utilizados pelos Brasileiros é, em média, 1: O WHATSAPP. A grande quantidade de apps instalados deve-se aos apps nacionais que a legislação obriga e as operadoras junto com os fabricantes embutem nos aparelhos.

  • Anderson Camões

    Isso de ter mais Apps instalados é normal. Por exemplo, cada vez que viajei baixei o App da Cia Aérea para ter o cartão de embarque, gerenciar a reserva, etc. Quando vou utilizar novamente? Apenas quando viajar por aquela Cia aerea novamente, que pode ser daqui a mais de um ano.
    Porque não apagar? Simplesmente porque são aplicativos que ocupam pouco espaço e é mais fácil pra mim colocá-los todos dentro de uma pasta.

  • ricms

    Logo logo aparece alguém te chamando de esquerdista comuna e te mandando para Cuba.

  • Gustavo Jaccottet

    Hahahaha…. eu posso ser qualquer coisa, menos de esquerda. Sou liberal, acredito que o modelo de política norte-americana é o que mais se aproxima dos princípios democráticos, defendo que todo cidadão tenha uma arma…

  • ricms

    Mas ai você se contradiz, defendendo o sistema de trabalho regulado europeu, principalmente o francês. Sendo que o exemplo que vc citou de SP se assemelha muito mais com o de NY que o de Paris.
    Mas gostei da colocação com relação ao aproveitamento do tempo útil, buscando autoconhecimento e qualidade de vida em vez de disperdiçá-lo em redes sociais.

  • Gustavo Jaccottet

    Eu não defendi o sistema de trabalho europeu, eu só entendo que o regime de jornada de trabalho usado na França é o mais humano dos países capitalistas, permitindo a eles que desfrutem de um maior tempo livre. Por outro lado sou a favor da autorregulação, sem a ingerência de sindicatos. Gosto muito do sistema norte-americano, em que não existe uma justiça especializada do trabalho. No Brasil temos juízes que só julgam relações de trabalho, enquanto que é uma defasagem da prestação judicial em outros locais comuns. A contradição, por outro lado, foi proposital. Em muitos aspectos a cultura do paulistano se assemelha a do nova-iorquino, ou seja, cultura nenhuma, porque Nova Iorque não dita regra para qualquer eixo cultural, para lugar nenhum do mundo, só se apropria de elementos cosmopolitas e o e os faz um lugar comum. Claro não se pode dizer que não existe a cultura em Nova Iorque, da mesma forma em São Paulo, mas a cultura que eu estou me referindo, mas Fast foods, do consumo desnecessário, do capitalismo em sua forma mais rudimentar força as pessoas a desperdiçarem o seu tempo e o seu dinheiro. Não estou dizendo para colocar fogo numa Apple Store, pelo contrário, adoro uma Apple Store. Apenas gostaria que as pessoas aproveitassem mais o que as cidades têm a oferecer, que praticassem mais atividades físicas, olha aí o Apple Watch e os 14kg a menos do Tim Cook, enfim, nem tanto a Cuba, nem a NY e nem a Paris, um uso racional do tempo sem se perder em uma loja de aplicativos comprando apps desnecessários e gastando seu tempo com eles.

  • Paulo Ricardo

    A França pode ter o sistema de trabalho mais humanista da Europa, mas é também o mais deficitário, e isso está levando a economia deles pra vala. Não existe milagre, se você faz leis regulando que as pessoas trabalhem pouco, mas ganhem muito, uma hora a conta não fecha e o dinheiro falta.

  • Gustavo Jaccottet

    A França tem muito dinheiro em caixa, é um país que pode sustentar esse modelo de vida. Também não vai quebrar, possui colônias espalhadas pelo mundo inteiro.

  • Por acaso a França tem sindicatos fortes…

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