Apple passa a proibir apps que bloqueiam anúncios via VPN no iOS, mas diz que nada mudou nas suas diretrizes


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17/07/2017 às 16:52

Quando a Apple introduziu, no Safari do iOS 9, a possibilidade de bloquear conteúdos (nomeadamente, anúncios) dentro do navegador por meio de extensões de terceiros, usuários ao redor do mundo comemoraram com efusividade — afinal, até aquele ponto, era impossível realizar tal tarefa num sistema tão notoriamente fechado a agentes externos.

Entretanto, com a liberação, vieram outros tipos de aplicativos: aqueles que prometem bloquear qualquer tipo de publicidade no seu iGadget, seja aquela exibida nos sites abertos no Safari ou mesmo as dos demais aplicativos do sistema — pois, como bem se sabe, uma das maiores fontes de renda de aplicativos gratuitos é, justamente, a exibição de propagandas durante o seu funcionamento.

Este tipo de aplicativo bloqueador de anúncios “bombado” funciona com base em VPNs1 — ou seja, ele instala certificados no dispositivo do usuário com uma lista de conexões a serem bloqueadas; quando um site ou aplicativo tenta estabelecer conexão com algum servidor com o propósito de exibir uma propaganda, o bloqueador automaticamente detecta este processo e o derruba, efetivamente extirpando as propagandas de todos os cantos do seu iPhone ou iPad. Este é um método de bloqueio que nada tem a ver, é bom notar, com as extensões para Safari que bloqueiam publicidade apenas dentro do navegador.

Pois bem: por anos, a desenvolvedora Future Mind fez sucesso com três (sim, três) aplicativos bloqueadores de conteúdo baseados em VPNs, como o AdBlock e o Weblock. Ao enviar uma nova versão do AdBlock para aprovação, a empresa deu de cara com um muro: a Apple rejeitou o aplicativo, afirmando que ele não seguia as diretrizes da App Store relacionadas a bloqueadores de conteúdo.

De acordo com o CTO2 da Future Mind, Tomasz Koperski, a Maçã entrou em contato com a desenvolvedora para informar que não estava mais aceitando bloqueadores de conteúdo baseados em VPNs e que sua política interna agora aceita apenas o bloqueio de conteúdo dentro do Safari por meio de extensões que utilizem a tecnologia apropriada para tal; aplicativos que desrespeitem esta regra e utilizem outros métodos para o mesmo fim, como a solução VPN, não poderão mais ser atualizados.

A Apple rejeitou a atualização do AdBlock citando a regra 4.2.1 das diretrizes da App Store, que afirma que “Apps devem utilizar APIs3 e frameworks relacionados aos seus propósitos e devem indicar isto nas suas descrições”. Ou seja, segundo a Maçã — oficialmente, ao menos —, o aplicativo estava exercendo funções fora daquelas descritas oficialmente na sua página, com tecnologias também não esclarecidas.

Embora Koperski afirme que, no contato da Future Mind com a Apple, a empresa de Cupertino tenha afirmado que mudou suas políticas recentemente, a resposta oficial de Tim Cook e sua turma foi diferente. Em comunicado enviado ao 9to5Mac, a Maçã afirma que “esta não é uma nova diretriz. Nós nunca permitimos na App Store aplicativos projetados para interferir na performance ou nas capacidades de outros aplicativos”, acrescentando: “nós sempre apoiamos a publicidade como uma das muitas formas que os desenvolvedores podem ganhar dinheiro com seus apps”.

Por enquanto, ainda não sabemos realmente se a Apple simplesmente fez vista grossa para apps como o AdBlock por anos e agora resolveu tomar uma atitude em relação a eles ou se realmente houve uma mudança interna, não-revelada, das políticas relacionadas aos bloqueadores de conteúdo. O fato é que, por agora, a Future Mind terá que deixar seus aplicativos estáticos, desatualizados, e provavelmente descontinuá-los num futuro próximo se não quiser mudar o funcionamento deles — o que não é de interesse da empresa, que afirma que seus clientes ficariam decepcionados com a mudança.

Quem está certo nessa história, afinal de contas?

Notas de rodapé

  1. Virtual private network, ou rede privada virtual.
  2. Chief technology officer, ou diretor de tecnologia.
  3. Applications programming interfaces, ou interfaces de programação de aplicações.
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