Executivos contam como o filme “Her” inspirou a “nova” Siri e como ela não foi arquitetada para usos triviais


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08/09/2017 às 15:12

Sabe aquela história de que “a vida imita a arte” e vice-versa? Em tecnologia, isso também é aplicado, a um certo grau. Pelo menos foi o que pareceu ter acontecido com Alex Acero, o executivo responsável pela Siri, ao ver o filme “Her” (“Ela”), cujo enredo gira em torno de um romance entre uma assistente virtual e um humano.

Em uma entrevista à WIRED, o executivo contou de que maneira tentou entender como um humano poderia se apaixonar por “algo” que nem sequer via. Ele chegou a uma resposta: a voz da assistente, interpretada pela atriz Scarlett Johansson, era “natural, não robótica”.

Apesar de isso ser bastante óbvio e até ser basicamente a intenção da empresa desde a gênese da Siri, algo certamente mudou no iOS 11. Como comentamos aqui, a diferença pode ser notada neste artigo publicado no Apple Machine Learning Journal, por meio de exemplos em áudio das últimas versões do iOS. De fato, a fala da assistente está muito mais natural, com pausas e traços de interpretação dos elementos textuais.

Mulher usando a Siri num iPhone ao ar livre

A base da Siri é o “aprendizado profundo” e a inteligência artificial, tecnologias que permitiram que a melhora acontecesse. De acordo com a WIRED, sua capacidade de reconhecimento de voz agora chega a reconhecer corretamente cerca de 95% da fala do usuário, o que é muito mais do que suas concorrentes Alexa e Cortana.

Por outro lado, como sabemos, há limitações muito primárias que impossibilitam o uso regular da Siri. Essas limitações, conforme contaram executivos da Maçã, teriam sido culpa de alguns problemas surgidos da parceria com terceiros nos primeiros anos de sua criação, e que a empresa está trabalhando para superar isso.

“Era como correr uma corrida e, você sabe, outra pessoa estava nos segurando”, diz Greg Joswiak, vice-presidente de marketing de produtos da Apple. Joswiak disse que a Apple sempre teve grandes planos para Siri, “essa ideia de uma assistente com a qual você poderia conversar em seu telefone, e tê-la fazendo essas coisas para você de uma maneira mais fácil”, mas a tecnologia simplesmente não era boa o suficiente. “Você sabe, lixo, lixo,” ele diz.

Joswiak disse que o objetivo da Apple desde o início foi fazer da Siri uma máquina que “fazia as coisas acontecerem”, não para ser de uso “trivial”, como contar piadas e fazer perguntas bobas. Quer dizer, sua intenção é que realmente a assistente permita automatizar vários processos e ajude o usuário ao realizar suas tarefas, como demonstrado nos comerciais estrelados por Dwayne “The Rock” Johnson.

Uma das vantagens da Siri em relação às demais assistentes é a possibilidade de falar e entender diversas línguas, como já contamos aqui, e coletando dados anonimamente conforme os usuários interagem com ela.

Além disso, mesmo nos locais onde não há suporte à Siri, mas apenas ao ditado, os dados são coletados para usos futuros da assistente. Em relação à escolha da voz em cada idioma, o processo também é meticuloso.

Eles começam com centenas de pessoas, todas trazidas para gravar uma amostragem de coisas que Siri poderia dizer. Acero, então, trabalha com os designers da Apple e com a equipe de interface do usuário para decidir quais as vozes de que mais gostam. Esta parte pende mais para a arte do que para a ciência — eles querem ouvir um inefável senso de utilidade e camaradagem, espalhafatoso sem ser afiado, feliz sem ser caricato.

Todos os esforços são para que a Siri se torne mais uma pessoa confiável do que um robô, fazendo-a “ótima” até mesmo quando não souber responder corretamente. No iOS 11, já ouviremos a assistente muito mais proativa e certamente seu uso se potencializará com a chegada do HomePod em dezembro.

A matéria completa, com os detalhes, pode ser pode ser lida aqui.

via The Loop

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