Ruy Baron / Valor & Folhapress

Enquanto Geddel dá uma senha incorreta do seu iPhone para a polícia, a Apple torna o iOS ainda mais seguro contra invasões


Nós costumamos falar bastante aqui de casos policiais envolvendo iPhones ou outros dispositivos da Maçã — todos eles, entretanto, sempre provenientes de países estrangeiros e eventos relacionados a terrorismo ou planos maléficos de dominação mundial. O que acham, então, de falarmos de um caso de polícia envolvendo um iPhone… à brasileira?

É justamente o que aconteceu, como afirmou a Folha, em uma das fases da Operação Cui Bono, que, mais recentemente, descobriu o infame apartamento do ex-ministro Geddel Vieira Lima, em Salvador (BA), contendo mais de R$51 milhões (apartamento este que, mesmo estando em alarmante proximidade à instituição a que acedo todos os dias para adquirir conhecimento, nunca fui convidado — feliz ou infelizmente).

Os R$51 milhões do ex-ministro Geddel Vieira Lima

Os R$51 milhões encontrados em apartamento ligado ao ex-ministro Geddel Vieira Lima

O iPhone do peemedebista foi apreendido no último dia 4 de julho, em uma das fases anteriores da operação, mas a Polícia Federal está simplesmente com um pedaço de metal e vidro inútil nas mãos. Por que? Simples: Geddel recusou-se a fornecer suas digitais para desbloqueio do aparelho e, quando solicitada a senha de acesso do iPhone, forneceu códigos incorretos.

De acordo com o ex-ministro, ele simplesmente forneceu a última senha de que se lembrava — por utilizar apenas o Touch ID, como afirma o próprio, a senha mais recente tinha sido esquecida. É quase compreensível, considerando que os políticos em geral, quase como um reflexo da população brasileira em si, têm uma preocupante tendência a esquecer das coisas muito rapidamente (especialmente após as eleições).

Apenas como título de comparação, nos Estados Unidos, a lei não obriga ninguém a revelar a senha ou código de acesso do seu dispositivo móvel, por tratar-se de uma informação intangível e pertencente apenas ao pensamento. Por outro lado, é perfeitamente legal aos agentes da lei obrigarem, sob mandado judicial, que suspeitos desbloqueiem seus aparelhos com suas digitais — dedos, afinal, são evidências 100% físicas até que Descartes prove o contrário. Estejam eles dotados de joias de R$5 milhões ou não.

A defesa de Geddel, procurada pela Folha, afirmou que passou as informações a que tinha acesso e não podia fazer outras declarações por conta do sigilo da investigação. A polícia, do seu lado, ainda não parece ter tido a ideia de entrar em contato com uma certa empresa israelense.

iOS 11 ainda mais seguro

Enquanto a nossa República derrete em dólares, na outra parte da América a Apple continua trabalhando para tornar seus dispositivos mais seguros e distantes de forças da lei que possam abusar da sua autoridade. Algumas semanas após descobrirmos que o iOS 11 desativará o Touch ID quando ativado o modo de emergência, a ElcomSoft descobriu outro detalhe na nova versão do sistema operacional móvel da Maçã que dificultará o trabalho destes agentes mal-intencionados.

A novidade tem a ver com o processo de conexão do iGadget (que esteja protegido com uma senha ou Touch ID, naturalmente) com um computador. Atualmente, ao conectar o cabo entre ambos os dispositivos, o iTunes exige que você desbloqueie o seu iPhone ou iPad para que ele possa “confiar” na máquina; este desbloqueio pode ser realizado tanto com a digital quanto pela senha. A partir do iOS 11, entretanto, o sistema exigirá obrigatoriamente a senha para tal processo — mesmo que o aparelho já esteja desbloqueado quando for conectado ao computador.

Com isso, o usuário ganha uma nova camada de segurança — afinal, como já dito acima, a senha do dispositivo é sempre um elemento mais protegido pela lei do que as informações biométricos. A Apple não comentou a mudança oficialmente, portanto não há uma razão oficial para ela; considerando os esforços da empresa para proteger os aparelhos dos seus usuários, entretanto, não é difícil imaginar que tudo se resume a este aspecto.

Para Geddel, do seu lado, a novidade não muda muita coisa — fosse o ex-ministro tecnologicamente inteirado e estivesse o seu iPhone já rodando uma beta do iOS 11, ele continuaria mentindo.

dica do @cunhah, via Cult of Mac

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