Ruy Baron / Valor & Folhapress

Enquanto Geddel dá uma senha incorreta do seu iPhone para a polícia, a Apple torna o iOS ainda mais seguro contra invasões


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11/09/2017 às 18:09

Nós costumamos falar bastante aqui de casos policiais envolvendo iPhones ou outros dispositivos da Maçã — todos eles, entretanto, sempre provenientes de países estrangeiros e eventos relacionados a terrorismo ou planos maléficos de dominação mundial. O que acham, então, de falarmos de um caso de polícia envolvendo um iPhone… à brasileira?

É justamente o que aconteceu, como afirmou a Folha, em uma das fases da Operação Cui Bono, que, mais recentemente, descobriu o infame apartamento do ex-ministro Geddel Vieira Lima, em Salvador (BA), contendo mais de R$51 milhões (apartamento este que, mesmo estando em alarmante proximidade à instituição a que acedo todos os dias para adquirir conhecimento, nunca fui convidado — feliz ou infelizmente).

Os R$51 milhões do ex-ministro Geddel Vieira Lima

Os R$51 milhões encontrados em apartamento ligado ao ex-ministro Geddel Vieira Lima

O iPhone do peemedebista foi apreendido no último dia 4 de julho, em uma das fases anteriores da operação, mas a Polícia Federal está simplesmente com um pedaço de metal e vidro inútil nas mãos. Por que? Simples: Geddel recusou-se a fornecer suas digitais para desbloqueio do aparelho e, quando solicitada a senha de acesso do iPhone, forneceu códigos incorretos.

De acordo com o ex-ministro, ele simplesmente forneceu a última senha de que se lembrava — por utilizar apenas o Touch ID, como afirma o próprio, a senha mais recente tinha sido esquecida. É quase compreensível, considerando que os políticos em geral, quase como um reflexo da população brasileira em si, têm uma preocupante tendência a esquecer das coisas muito rapidamente (especialmente após as eleições).

Apenas como título de comparação, nos Estados Unidos, a lei não obriga ninguém a revelar a senha ou código de acesso do seu dispositivo móvel, por tratar-se de uma informação intangível e pertencente apenas ao pensamento. Por outro lado, é perfeitamente legal aos agentes da lei obrigarem, sob mandado judicial, que suspeitos desbloqueiem seus aparelhos com suas digitais — dedos, afinal, são evidências 100% físicas até que Descartes prove o contrário. Estejam eles dotados de joias de R$5 milhões ou não.

A defesa de Geddel, procurada pela Folha, afirmou que passou as informações a que tinha acesso e não podia fazer outras declarações por conta do sigilo da investigação. A polícia, do seu lado, ainda não parece ter tido a ideia de entrar em contato com uma certa empresa israelense.

iOS 11 ainda mais seguro

Enquanto a nossa República derrete em dólares, na outra parte da América a Apple continua trabalhando para tornar seus dispositivos mais seguros e distantes de forças da lei que possam abusar da sua autoridade. Algumas semanas após descobrirmos que o iOS 11 desativará o Touch ID quando ativado o modo de emergência, a ElcomSoft descobriu outro detalhe na nova versão do sistema operacional móvel da Maçã que dificultará o trabalho destes agentes mal-intencionados.

A novidade tem a ver com o processo de conexão do iGadget (que esteja protegido com uma senha ou Touch ID, naturalmente) com um computador. Atualmente, ao conectar o cabo entre ambos os dispositivos, o iTunes exige que você desbloqueie o seu iPhone ou iPad para que ele possa “confiar” na máquina; este desbloqueio pode ser realizado tanto com a digital quanto pela senha. A partir do iOS 11, entretanto, o sistema exigirá obrigatoriamente a senha para tal processo — mesmo que o aparelho já esteja desbloqueado quando for conectado ao computador.

Com isso, o usuário ganha uma nova camada de segurança — afinal, como já dito acima, a senha do dispositivo é sempre um elemento mais protegido pela lei do que as informações biométricos. A Apple não comentou a mudança oficialmente, portanto não há uma razão oficial para ela; considerando os esforços da empresa para proteger os aparelhos dos seus usuários, entretanto, não é difícil imaginar que tudo se resume a este aspecto.

Para Geddel, do seu lado, a novidade não muda muita coisa — fosse o ex-ministro tecnologicamente inteirado e estivesse o seu iPhone já rodando uma beta do iOS 11, ele continuaria mentindo.

dica do @cunhah, via Cult of Mac

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Comentários
  •  lover

    Mas aqui no Brasil vc desbloquear algo por forças externas, corre se o risco de a parte envolvida contestar a verasidade dos dados. Então pode ser viável em qualquer OS ou aparelho, mas inviável no âmbito legal ( sim pode ser feito mas, basta o benefício da dúvida pra inabilitar as provas) .

  • Jumbo Fan

    kkkkk A Apple como sempre… Com foco absoluto na sua paranoia de segurança!.

  • Fábio Wander

    Mas não se empenha em criar uma ferramenta anti-roubo de verdade.

    Como uma senha para desligar o celular, algum tracker inteligente, e foto do ladrão.
    é clara a falta de vontade em algo maior que o find e o interesse na permanência da criminalidade em prol dos lucros.

  • Maicon Bruisma

    Sei que seria antiético, mas eu pegaria esse gordo à força e botaria o dedo dele no leitor, mesmo que a vontade fosse de pegar a mão dele e obrigá-lo a enfiar em outro lugar

  • Vinice WebDesig

    Essa é a baboseira mais absurda que eu já ouvi. Em nome da segurança, a Apple neste caso está “protegendo” um ladrão, que rouba de nosso dinheiro… e tem gente que venera isso e a marca como se ela fosse a coisa mais maravilhosa que existe.

    Só mandar lá pra Israel que eles resolvem o problema…

  • Marcelo Maciel

    Se fosse o iPhone X, bastaria apontar para a cara do Geddel, já que com isso não se exige nenhuma conduta ativa dele. A propósito, esta mudança de tecnologia é relevante para ordenamentos jurídicos como o brasileiro, no qual a pessoa não pode ser obrigada a fazer algo (ex: colocar o dedo), mas é obrigada a tolerar algo (ex: ser fotografada).

  • Marcos

    Nessa parte da América já vi pessoas sequestradas em atos políticos sendo intimidadas (e até torturadas fisicamente) por polícias militares para entregarem senhas/desbloquearem smartphones na mesma hora. O objetivo creio que não seja produzir provas para processo formal, mas sim chegar a outras (ou descobrir como forjá-las com validade e usar como complemento para das sustentação), descobrir atividades, movimentações, filiações, contatos… arquivar em serviço reservado que a pessoas não sabe que está e não é necessário informar para órgãos transparentes, etc… e, claro, em casos assim pouco adiantam as camadas de proteção, e é até perigoso a pessoa estressada não conseguir de verdade, estourar o número de tentativas e o aparelho bloquear.

    Como está na moda dizer: “a lei é para todos”.

  • Hades666

    Pena que não sou da Federal….arrancava o dedo dele com machado, resolvido.
    Direitos humanos?!?! Qua vá catar coquinhos..

  • Hades666

    Não é para todos…..é só para quem pode pagar bons advogados. Acredito que vc não seja ingênuo em acreditar nessa frase.

  • Jayme Ricardo

    E o que isso impediria o cara de botar um arma na tua cabeça e gritar : Passa o celular vagabundo…ou vc tá sonhando que as policias brasileiras vão se dar ao trabalho de rastrear e ir atrás do teu iphone enquanto ele estiver ligado…pq eu já tentei isso e só em chegar na delegacia e esperar 6 horas até que se fizesse o B.O pra só depois eles irem me dizer que não fazem isso, ele ja desmontou o aparelho e vendeu cada peça em separado.Fora que basta tirar o chip e adeus conexão!!!

  • Hades666

    Fato….

  • Jayme Ricardo

    Não ia dar em nada, porque o Touch Id precisa de um dedo vivo pra funcionar!!!

  • Thiago Ribeiro

    Fato 2

  • Lucas Ramos

    Onde eles tiram esses iPhones que duram a bateria tanto assim?
    Depois de dois dias com ele ligado (com 3g, wifi, etc) ele desliga.

    E depois de desligado não funciona mais Touch ID. (Nem Face ID, eu espero.)

  • iBooks

    Não é mais fácil usar a força para colocar o dedo dele no Touch ID? Se vai usar a força para arrancar, pode usar pra tocar no botão… Seria mais limpo.

  • iBooks

    Não é bem assim, ou a lei é sólida ou é flexível. No caso da flexibilidade, ela pode ser usado tanto a favor da população quanto contra. No caso da rigidez, casos como o apresentado acontecem e não há o que fazer. Em ambos os casos há vantagens e desvantagens. O que você escolhe?

  • Eduardo Ricetti

    Papo furadíssimo do cidadão aí…pq o iPhone solicita o código de desbloqueio algumas vezes (tem artigo aqui mesmo no site)…então ele mesmo estaria com o peso de papel há algum tempo…rs

  • Vinice WebDesig

    Eu não tenho nada a esconder… Se eu fosse investigado por algo que não cometi, ficaria tranquilo pois teria minha consciência limpa. Não tentaria esconder qualquer coisa. Isso se chama ética e isso vem de berço. Agora se o Geddel fez de propósito, não sei, mas que numa investigação, contra o patrimônio brasileiro, qualquer empresa de informática, ou seja qual for a área, tem obrigação de prestar as informações mais claras possíveis. Não tem dessa de proteger o usuário em prol da segurança e ao mesmo tempo, um ladrão com isso poder ocultar seus rastros. Concordo em ações que protejam os usuários de abusos, mas neste caso e no de vários outros que foi solicitado à Apple liberar informações sobre iPhones, ela fez de valente e enfrentou o poder público, que por sua vez é muito maior que qualquer empresa.

  • Raniere Dantas Valença

    Justamente! Desligamento somente com senha, tirar foto e disparar alerta sonoro (e flash) se a senha for digitada errada, enviando a localização (igual ao falecido IgotYa) e gavetinha magnética que só abre quando desligado, etc. Enfim, só vai dar ruim quando a bateria descarregar…

  • Raniere Dantas Valença

    Será que funcionará com defunto?

  • Marcelo Maciel

    Não vejo porque não, mas o Face ID deve ter aquele mesmo “prazo de validade”do Touch ID. Se ficar tantas horas sem usar, precisará da senha alfanumérica.

  • Roney Beau

    Muito facil de resolver. Como ele ja deixou todas as digitais quando tirou o passaporte basta imprimir essas digitais em algo de silicone e usar no leitor do iPhone. Ja fazem isso a seculos nas auto escolas da vida.

  • iBooks

    Você não tem a esconder e ok, mas pode haver alguém que tenha e não por ter feito algo errado, mas porque simplesmente não quer suas informações sendo entregues ao Estado e pronto. A pessoa ter algo a esconder não significa que ela tenha feito algo de errado. As leis tem que cobrir estas pessoas também e isso não é falta de ética.
    A questão é que as pessoas tem que ser protegidas de abusos de qualquer parte, seja de empresas, seja do Estado, seja de outras pessoas. Uma empresa entregar dados de um usuário ao Estado, mesmo que por um motivo justo, abre brecha para que haja abuso do Estado futuramente, para que ele persiga e abuse do seu poder. Isso é algo perigoso e me parece que não esteja considerando isso.
    Você está vendo o caso, mas considere se fosse com você. Por causa do Geddel, pode ser que o Estado de persiga e colete suas informações com as empresas, para poder usar algo contra você.

  • Nepomucc

    Serio mesmo que é papo furado? HAHAHA

  • iBooks

    Você não tem a esconder e ok, mas pode haver alguém que tenha e não por ter feito algo errado, mas porque simplesmente não quer suas informações sendo entregues ao Estado e pronto. A pessoa ter algo a esconder não significa que ela tenha feito algo de errado. As leis tem que cobrir estas pessoas também e isso não é falta de ética.
    A questão é que as pessoas tem que ser protegidas de abusos de qualquer parte, seja de empresas, seja do Estado, seja de outras pessoas. Uma empresa entregar dados de um usuário ao Estado, mesmo que por um motivo justo, abre brecha para que haja abuso do Estado futuramente, para que ele persiga e abuse do seu poder. Isso é algo perigoso e me parece que não esteja considerando isso.
    Você está vendo o caso, mas considere se fosse com você. Por causa do Geddel, pode ser que o Estado de persiga e colete suas informações com as empresas, para poder usar algo contra você.

  • Eduardo Pires

    Mas a tecnologia do Face ID precisa, a princípio, uma distância máxima e mínima. Não desbloqueia por foto (somente 3D) e reconhece olhos fechados. Portanto, não mudaria muito nessa questão.

  • OverlordBR

    Por outro lado, é perfeitamente legal aos agentes da lei obrigarem, sob
    mandado judicial, que suspeitos desbloqueiem seus aparelhos com suas
    digitais — dedos, afinal, são evidências 100% físicas até que Descartes
    prove o contrário.

    Só que, pelo que eu lembre, a lei norte-americana não permite que qualquer autoridade policial possa, FISICAMENTE, te obrigar a colocar teu dedo no leitor de impressão digital.

    E agora, com o Face ID, a polícia norte-americana (e qualquer agência de inteligência) fica numa situação ainda mais confortável juridicamente: é só aproximar teu novo iPhone X de 25 a 50 cm da tua cara e pronto, a autoridade policial desbloqueia ele. 😉

    Vejamos:
    – senha?
    Mesmo que te torturem, ninguém tem como entrar na tua mente e descobrir a senha do teu celular.

    – impressão digital?
    Já fica mais fácil que a senha… apesar que muitos países civilizados e com leis criminais mais “humanas” não permitem que a autoridade te force fisicamente a botar o dedo no sensor!

    – reconhecimento facial?
    Ótimo para a autoridade policial: nem precisa encostar! É só aproximar de ti e pronto. 🙂

  • OverlordBR

    Exato, Marcelo!

  • OverlordBR

    Mas a tecnologia do Face ID precisa, a princípio, uma distância máxima
    e mínima. Não desbloqueia por foto (somente 3D) e reconhece olhos
    fechados. Portanto, não mudaria muito nessa questão.

    Como não?

    Digamos que você foi detido por uma autoridade policial.

    Se teu iPhone for protegido por senha, não tem nada que eles possam fazer rapidamente para desbloqueá-lo.

    Se teu iPhone for protegido por impressão, dependendo do país, é só agarrar tua mão e forçar teu dedo no sensor.

    Se teu iPhone for protegido por reconhecimento facial, é mais fácil ainda: só colocar o iPhone à distância de 25 a 50 cm do teu rosto (conforme está nas strings que o Guilherme Rambo acho lá dentro do iOS) e pronto! Desbloqueado sem sequer te tocar!

  • iBooks

    Tim Cook pensa em tudo, fica bem com “as otoridade” e sai limpo.

  • muito simples de burlar isso tudo da forma politica brasileira!
    Cria uma empresa de faixada, fala que contratou ela para desbloquear o iPhone, enquanto isso em outro local, esmurra o Geddel e coloca o dedo dele para desbloquear o aparelho.
    Depois diz que gastou um milhao de dolares pra desbloquear usando a empresa de faixada e fazer a lavajem desse dinheiro… Triste ser brasilero

  • Rafael Grube

    Eu acho que vai ter algum truque aí que a gnt ainda não sabe. Não é possível que eles deixem somente o Face ID somente por ser apontando para o rosto pela distância. São tantas situações que aparecem, que da forma como estamos esperando, seriam inseguras que ainda me recuso a acreditar que será apenas objeto + distância.

  • Ainda bem que você não é uma pessoa que luta pela liberdade do seu povo em um país totalitário.
    Usar-se de exemplo para generalizar para toda uma espécie é muito egocentrismo.
    A mesma postura que você critica provavelmente está protegendo muitas pessoas que lutam pela liberdade nos países árabes por exemplo.

  • Vinice WebDesig

    Totalitário? EUA são totalitários? Meu Deus… Os casos mais famosos de quem pediu para abrir o sistema a fim de se investigar terrorismo foram justamente os EUA, país que defende a liberdade até nos dentes. Agora se você concorda em proteger bandido, já são outros 500.

  • Victor Rosa

    Roubaram um conhecido meu na Ilha do Governador e os caras na moto ainda obrigaram ele a falar a senha e desbloquear o celular e o icloud hahahaha.

  • Definitivamente você não entendeu ou não quer entender. Eu citei os EUA no meu comentário? O iPhone é um produto global e devido a isto é usado nos EUA, no Brasil, nos países árabes, na China, na Rússia e muitos outros locais. Os recursos de privacidade desse produto são pensados em escala global. Imagine quantos desses iPhones são os portos seguros de pessoas que se revoltam contra governos totalitários, como a maioria dos países árabes que usei de exemplo e parece que você não leu.

    Você se lembra do movimento da “Primavera Árabe” de alguns anos? Um movimento popular contra ditadores daquela região lutando por melhores condições de vida e direitos básicos. Um smartphone inseguro de apenas um dos organizadores desses movimentos seria o suficiente para acabar com toda aquela luta por melhores condições de vida, facilitando a identificação e execução dos organizadores desses movimentos. Mas claro, você, do seu sofá, não tem nada a esconder.

    Só uma coisa para pensar: para quem não tem nada a esconder a solução é muito simples. Forneça a senha para a autoridade quando solicitado.

    Qualquer tecnologia pode ser usada para o bem ou para o mal, depende de quem estiver usando. O ponto é: você tem sua opinião, respeito, mas sua opinião não pode e nem deve ser elevada ao ponto de ser o correto para todos os seres humanos do mundo. Deve haver o direito de escolha. É isso que eu defendo. Direito de escolha esse que reside no momento que a autoridade pergunta: “Qual a senha do aparelho?”

    Olha o seu nível de maturidade: se eu não concordo com a barbaridade que você coloca (minha opinião, respeite), eu defendo bandido. Típico comportamento infantil e limitado.

    Não defendo bandido, mas se, por exemplo, a privacidade de pessoas que lutam por povos sob opressão estiver em jogo por causa do Gedel ou de algum terrorista, devo dizer que tendo a preferir que essa privacidade seja preservada pelo bem maior.

  • Bruno Santana

    Isso mesmo, vamos acabar com os direitos humanos porque tem político corrupto no Brasil, isso deu muito certo todas as vezes que se tentou

  • Pedro Novak

    Pois deveriam ter-lhe arrancado o dedo com uma faquinha de cortar pão e desbloqueado o iPhone.

  • Marcos

    Não sou ingênuo, não, Hades. Essa última frase foi ironia.

    Eu já fui vítima desse tipo de violação na época dos dumbphones (nem tinha senha), e não há muito tempo escapei por pouco de ter o meu iPhone fuçado em “inspeção coletiva”… hoje tenho um Samsung velho sem contatos, fotos, redes sociais… que levo quando sei que há algum risco. Nessas duas vezes, e em tantas outras que apenas testemunhei, é impotência total… a única que pode ser feita é não tentar recusar.

  • Alexandre Soares

    Se fosse em um país sério, já tinham cortado o dedo dele e desbloqueado … já no Bananão …

  • Vinice WebDesig

    Você veio com um papo de países totalitários, mas não levei para esse lado. O que citei no meu comentário foi que os casos mais famosos de investigação que a Apple se recusou a fornecer informações foi no próprio EUA, que tanto defendem a liberdade.

    Não acho correto é a mesma empresa, que “protege seu consumidor de ações abusivas do estado” reter do mesmo jeito, informações críticas à segurança nacional, no caso dos EUA, que investigavam sobre os atentados terroristas. Isso para mim é proteger bandido.

    O mesmo *se* acontecer aqui no Brasil, de a Apple se negar a fornecer (se solicitado também) as informações a respeito do aparelho do Geddel, será proteção a um criminoso. O comportamento do Geddel já demonstrou isso: errou todas as vezes. Se quisesse ter boa vontade, entrava em contato com a Apple, pelo suporte, trocava a senha e repassava os dados aos policiais. E o que ele fez? Errou em todas. E nesse caso a senha foi solicitada. Lá nos EUA não tinham como solicitar pois os terroristas estavam mortos.

    Por isso que se eu for investigado seja por qualquer motivo, não terei nada a esconder, pois tenho a minha consciência tranquila de que não fiz nada de errado. E em caso de segurança contra o nosso patrimônio, no caso nosso dinheiro, não me importo de ter minha “privacidade” invadida para ser investigada.

    Essa coisa de que o Estado não pode fazer tal coisa por dar margem é papo furado. Uma coisa é viver sob uma ditadura, como viveram na Primavera Árabe. Aqui ou nos EUA, que são democracias, a situação é completamente diferente. Veja o caso do Odebrecht que só conseguiram acessar o notebook dele depois de 2 anos do início da Lava Jato. Tudo porque o bonzão “perdeu” o token do notebook… papo furado. Isso é ocultação de prova.

    Contextualize as informações e não saia com esses argumentos de que a empresa é global, etc. Ela está sujeita a lei de cada país e tem de cumprir cada uma. Infantil aqui definitivamente não sou eu.

  • Raniere Dantas Valença

    Concordo. Mas a pergunta leva a reflexão mesmo. Presenciei a situação de uma família que perdeu um ente e está tendo dificuldades de conseguir a liberação via suporte. Aguardando retorno depois do envio do atestado de óbito por e-mail. Mas realmente tem várias situações possíveis.

  • Está tudo contextualizado. Citei um exemplo onde uma vulnerabilidade poderia favorecer um grupo de bandidos em detrimento de toda uma população e isto é fato. O fato de você não levar para esse lado não exclui tal possibilidade. É ingenuidade acreditar que todos serão bonzinhos só porque você acha que é papo furado.

    Então vamos colocar da seguinte forma, para provocar uma discussão mais abrangente: assim como a privacidade pode ser usada para o mal, o backdoor por você proposto também pode. Meu exemplo foi somente um de vários que poderiam ser expostos onde o contraditório se aplica. Não conheço as leis norte americanas para opinar se é legal ou não o governo pedir/obrigar a Apple a entregar dados de um iPhone ou exigir que um cidadão forneça a senha do aparelho, mas aqui no Brasil é completamente ilegal e crime federal.

    A ingenuidade da sua postura (não vou usar a palavra infantilidade porque realmente percebo que não se aplica) é acreditar que qualquer brecha será usada só para o bem. O que mais existem são ameaças que exploram brechas, sejam propositais ou não.

    A privacidade é um direito constitucional no Brasil, inciso décimo do artigo quinto da constituição federal, cujo transcrevo aqui: “são invioláveis a intimidade, a vida privada, a honra e a imagem das pessoas, assegurado o direito a indenização pelo dano material ou moral decorrente de sua violação;”. Ou seja, o governo solicitar a Apple que entregue dados que pertencem ao dono de um iPhone seria, por si só, crime federal, assim como obrigar que a senha de acesso ao referido aparelho fosse entregue pelo proprietário.

    Usando um exemplo que você colocou, porque as agências de inteligência não tentam evitar que os ataques terroristas aconteçam ao invés de comprometer a privacidade de todo um planeta com a criação de backdoors nos sistemas para acessar os dados quando quiserem? Já vazou mais de uma vez casos onde o FBI sabia que aconteceriam os eventos mas nada fez para não demonstrar que tinham esse conhecimento e assim não perder esse backdoor.

    No caso das investigações brasileiras, deveria acontecer o mesmo. Ao invés de exigir que o acusado entregue suas senhas (só para constar, ele não é obrigado), porque não investir em trabalho para encontrar as provas necessárias? Levou dois anos? Que pena. Olhe o lado bom: conseguiram. Muito provavelmente sem pedir a senha.

    Sua colocação de que a empresa deve se sujeitar à Lei dos países onde opera é correta. Mas e quando a lei a proíbe de violar a privacidade, como a Contituição Brasileira deixa claro? Faz o que? Ignora a carta magna só porque o Geddel tinha 51 milhões de reais em dinheiro que não tem origem lícita?

    O que você propõe é simplesmente dar onipotência, onisciência e onipresença à uma instituição e ninguém deveria ter todo esse poder.

  • BRA993

    Viva la revolucion!!!
    (né garoto? ja saquei qual é a sua…….)

  • Bruno

    Agora ficou a dúvida. Será que a Apple vai fornecer uma forma prática/rápida de desativar o reconhecimento facial?

    Talvez não agora, mas vejo essa “função” chegando no futuro próximo.

  • Odontoa Noturno

    Bom saber,não vou trocar meu iPhone 7plus kkkkk

  • Leonardo V. B. Borba

    Adoro as matérias do Bruno Santana! E como ele usa as palavras, com trocadilhos e etc!
    Parabéns!

  • OverlordBR

    Não precisa cortar o dedo… só “desacordar” o cara. 😉

    O cara estará vivo mas sem condições de defesa.

  • Anderson Campos

    Pera! O camarada dormindo vai ter o iPhone desbloqueado pela mulher?

  • Henrry Lacsko

    Cara, uma vez me roubaram o 5s e eu consegui rastrear, peguei o carro e fui atras dos caras, nisso liguei para a policia e eles foram atras junto comigo até pegarem os caras. Talvez porque eu estava seguindo eles kk aqui SP

  • Rai Medeiros

    Pelo que li nessas levas de vazamentos, o face ID reconheceria micro movimentos na face para fazer a validação, então um rosto de uma pessoa morta não deve funcionar.

  • Vinice WebDesig

    Não estou dizendo que a privacidade deva ser, a qualquer custo, violada. Deve haver um motivo crítico, por exemplo, no caso das investigações terroristas.

    No caso do Brasil e se a operação tivesse sido finalizada antes da entrada no computador? Ficariam sem provas fundamentais para investigar. E você sabe que só mesmo durante a validade judicial que as investigações podem ser feitas.

    Não defendi um backdoor, mas que as informações fossem entregues sem nenhum impedimento, o que nunca ocorre. Se a empresa recebe um mandado judicial requerendo quaisquer dados, desde que esses sejam possíveis de se obter, diferentemente do que ocorre com o WhatsApp, em que as mensagens são criptografadas e não armazenadas em servidores, a Apple não deveria nem pestanejar. É o que não acontece aqui no Brasil. Há fundamento jurídico para quebrar a privacidade, ou seja, o sigilo. É em casos de apuração, investigação. Não de governos como a China que por meio de sua ditadura autorizam apenas aplicativos que permitem o controle quebrando a privacidade do usuário.

    A própria Constituição declara o direito à privacidade inviolável, mas a mesma declara o direito de investigação. Uma coisa é invadir sem autorização, outra é invadir com autorização. Isso sim é o que a Constituição determina para que uma empresa possa operar no Brasil: respeitar as leis do país e não criar impedimentos.

    Requisitou com ordem judicial? Que ela seja cumprida integralmente, sem nenhum impedimento. Enquanto quadrilhas se comunicam por Facebook, WhatsApp, iMessage, Telegram, essas quadrilhas sabem que há uma dificuldade absurda em se conseguir os dados das redes… e assim eles continuam a se comunicar, enquanto a Justiça tem enorme dificuldade em obter os dados, por justificativas absurdas das empresas provedoras, por não operarem no Brasil. Isso é patético.

    Ninguém e nenhuma empresa está acima do Estado.


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