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Em entrevistas, Craig Federighi presta ainda mais esclarecimentos sobre o funcionamento do Face ID no iPhone X


Tirando a polêmica da “testa” do iPhone X (time dos que curtiram e consideram uma característica distinta dele vs. time dos que odiaram/acharam um recorte horrível), a maior novidade dele e a que está gerando mais perguntas certamente é o seu novo reconhecimento facial 3D, chamado de Face ID.

E essa incerteza toda é muito compreensível, afinal, da noite pro dia a Apple “abandonou” (nem tanto, né, o Touch ID ainda está presente em todas as outras gerações de iPhones ainda à venda, nos iPads e até nos MacBooks Pro com Touch Bar) um sistema biométrico consolidado, rápido e no qual todo mundo já confiava de olhos fechados. Sem trocadilhos.

Além disso, a Apple está naquela delicada posição de mostrar ao mundo, mais uma vez, como se faz algo da forma certa. Ora, já existiam smartphones com leitores de impressão digital antes de o Touch ID chegar ao iPhone 5s, em 2013. Alguém lembra deles?… Aliás, muitos esquecem mas naquela época também havia bastante ceticismo em relação ao Touch ID. É, a história se repete.

Para os haters de plantão, obviamente, a falha que ocorreu justo na primeira demonstração pública do Face ID ainda continuará sendo motivo de chacota por um tempo — por mais que isso já tenha sido extensivamente esclarecido. Não houve falha do sistema em si, houve falha da equipe da Apple que preparou a unidade do iPhone X que Craig Federighi — vice-presidente sênior de engenharia de software da Apple — usou no palco.

Face ID

Se você quer saber mais sobre o Face ID, comece lendo estes outros três artigos nossos:

Mas ainda há muito a se aprofundar nele, até porque usuários comuns só poderão pôr suas mãos no iPhone X no comecinho de novembro. Por isso, o próprio Federighi concedeu ontem duas entrevistas discutindo o funcionamento do sistema.

Falando a Matthew Panzarino, do TechCrunch, Federighi começou contando que a Apple realmente se preocupou em usar muitos, muitos dados para treinar o Face ID durante o seu desenvolvimento. O vice-presidente sênior de marketing mundial Phil Schiller até citou na keynote da terça-feira passada que eles teriam coletado mais de “1 bilhão de imagens” para isso, porém Federighi conta que seu colega foi até conservador no número.

Em suma, a Apple preparou o Face ID de forma que ele funcione perfeitamente com as mais diversas etnias, raças, origens geográficas, etc. O sistema de câmera frontal do iPhone X, que a Apple chamou de TrueDepth, simplesmente precisa conseguir enxergar o rosto da pessoa com seus olhos, nariz e boca. Ou seja, ele *não* funcionará se parte do rosto estiver coberto com uma máscara ou, por exemplo, com uma burca (capacete, boné e cachecol, por outro lado, não serão problema). Federighi associa isso à limitação que havia no Touch ID quando as pessoas estavam usando luvas ou com dedos muito suados/molhados.

O executivo também esclareceu um pouco mais a questão dos óculos escuros, que já citamos num artigo anterior. Ele contou a Panzarino que o problema não são óculos polarizados, e sim óculos com certas lentes que realmente bloqueiam totalmente luz infravermelha. Nestes (raros?) casos, a pessoa terá que usar a sua senha alfanumérica ou, alternativamente, levantar rapidamente os óculos para que o Face ID consiga reconhecê-la. Uma opção também, como Federighi brincou falando a John Gruber no episódio #200 do podcast The Talk Show, é simplesmente comprar novos óculos. 😎

Aliás, falando em olhos, uma coisa que a Apple destacou na keynote é o fato de o Face ID requerer que a pessoa esteja de fato prestando atenção no iPhone para que ele seja desbloqueado. Obviamente, isso não funcionaria bem em deficientes visuais então haverá uma ajuste no iPhone X para quem quiser permitir o desbloqueio pelo Face ID mesmo sem essa “Detecção de Atenção” (o reconhecimento facial continua acontecendo, mas sem requerer que o usuário esteja olhando diretamente pro aparelho). Ou, é claro, a pessoa poderá simplesmente não usar o Face ID como um todo.

Imagens e vídeos promocionais da Apple também podem ter dado a impressão errônea de que o iPhone “iluminará” o rosto do usuário no escuro para que o Face ID funcione. Isso não acontecerá; no escuro, o Face ID funciona usando apenas a fraca iluminação da própria tela do aparelho sobre o rosto da pessoa combinada aos dados coletados pelo seu sensor IR, que são processados em frações de segundo pelo chip A11 Bionic. E isso funciona perfeitamente, de acordo com a Apple.

Aos que acham que o Face ID só funcionará levantando o iPhone X bem reto na frente do rosto como se estivéssemos numa chamada via FaceTime ou tirando uma selfie, Federighi também garante que isso *não* será necessário. O sistema reconhecerá o usuário bastando que o aparelho seja segurado de uma forma natural, mesmo “em ângulos bem extremos”. O sistema TrueDepth só precisa ser capaz de enxergar os elementos do rosto da pessoa para funcionar, e pronto.

Outro aspecto muito importante a se notar é quanto à velocidade do Face ID. Muitos que viram a apresentação da Apple e/ou assistiram a vídeos de jornalistas na área de hands-on após a keynote acharam que o Face ID seria mais lento que o Touch ID. O problema, aí, é que todos ainda estavam demonstrando/testando o recurso de uma forma um pouco robotizada. Federighi afirma que ele é rápido ao ponto de você só precisar pegar o iPhone e imediatamente deslizar de baixo para cima, para acessar a tela inicial. Simultaneamente, o Face ID faz o reconhecimento do rosto e desbloqueia o aparelho. Isso é certamente algo que testaremos quando pusermos as nossas mãos no iPhone X.

iPhone X de frente desbloqueado pelo Face ID

Gruber também questionou Federighi por que seria preciso deslizar para cima em vez de simplesmente olhar para o iPhone X e ele desbloquear. Para o executivo, as pessoas que estão imaginando isso não perceberam ainda que deslizar o dedo ali é algo muito natural e, se a coisa acontecesse de forma direta, o usuário não conseguiria mais simplesmente olhar para a hora, conferir suas notificações ou usar os atalhos de lanterna (novo) e da câmera. Além disso, o iOS não necessariamente leva o usuário para a sua tela inicial com os ícones de apps; se você bloqueou o iPhone pela última vez dentro de um app, ao desbloqueá-lo você retorna a ele. Isso significaria que, cada vez que a pessoa pegasse o iPhone, ela não saberia exatamente para onde seria levada.

Federighi também reiterou a preocupação da Apple com segurança, dizendo que nem que ela quiser poderá colaborar com agências governamentais/de segurança pois todos os dados do rosto do usuário ficam armazenados localmente na Secure Enclave do iPhone X. A Apple não enviará dados do reconhecimento facial para a nuvem de forma a aprimorar o Face ID, nem mesmo anônimos.

Além disso, o Face ID poderá ser rapidamente desativado pelo usuário numa situação atípica e/ou de perigo pressionando e segurando os botões laterais por alguns segundos — algo que você pode fazer sem nem mesmo tirar o iPhone do bolso. De forma similar ao que acontecia no Touch ID, a senha alfanumérica da pessoa será solicitada no lugar do Face ID caso ele não seja utilizado por 48 horas, caso o iPhone seja reiniciado, após cinco tentativas falhas de identificar um rosto (que foi o que aconteceu no palco, com Federighi), entre outras situações pontuais.

Para desenvolvedores (e, consequentemente, para nós usuários também), a boa notícia é que nada precisará ser feito para incorporar suporte ao Face ID em seus apps. Isto é, aplicativos que já eram protegidos antes pelo Touch ID (como o 1Password, o Telegram e apps bancários, por exemplo) já funcionarão automaticamente com o Face ID sem nem mesmo precisarem ser atualizados.

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Certamente ainda teremos mais dúvidas a esclarecer sobre o Face ID daqui até o iPhone X chegar de fato ao mercado, mas isso tudo com certeza já dá um panorama bacana sobre o que a Apple vê como o futuro da biometria não só no iPhone, mas em todos os seus produtos.

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