História de bastidores: como nasceu o recurso Modo Iluminação de Retrato, presente nos iPhones 8 Plus e X


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26/09/2017 às 15:29

Pense rápido: qual é o principal recurso, atualmente, de um iPhone? A resposta que você mais ouvirá por aí é câmera. E não é à toa. Os smartphones, hoje, são as câmeras do mundo moderno — e, como o iPhone é um dos smartphones mais vendidos do mundo, a sua câmera é a mais utilizada ao redor do globo.

A Apple sabe disso e, a cada nova geração, tenta melhorar o que hoje já é espetacular. Essa obsessão por fotografia num aparelho que cabe na palma da nossa mão está rendendo frutos: como vimos aqui no site, as câmeras dos iPhones 8/8 Plus atualmente são as melhores do mercado, segundo testes realizados pela DxO Labs — e o iPhone X tem tudo para superá-los, já que conta com estabilização óptica nas duas câmeras traseiras e uma teleobjetiva com abertura ƒ/2.4 (contra ƒ/2.8 da do 8 Plus).

iPhone X

Deixando de lado as melhorias no hardware, neste ano a grande novidade apresentada pela Apple foi o Modo Iluminação de Retrato. Trata-se de um recurso que combina o sensor de profundidade e o mapeamento facial a fim de possibilitar a criação de efeitos de iluminação com qualidade de estúdio, segundo a Apple. Ou seja, não é um simples filtro que você aplica em cima de uma foto que tirou ou que vai tirar, é o sistema de câmera dupla da Apple trabalhando juntamente a um forte aprendizado de máquina a fim de reconhecer uma cena, mapeando a profundidade dela para, em seguida, mudar os contornos de iluminação do sujeito fotografado. Tudo é feito em tempo real, e você pode até visualizar o resultado graças ao chip A11 Bionic.

Levando isso para uma escala Apple, eu não poderia concordar mais com essa afirmação de John Paczkowski, do BuzzFeed News, que conversou com algumas pessoas dentro da Apple sobre o assunto:

O resultado, quando aplicado à escala Apple, tem o poder de ser transformador para a fotografia moderna, com milhões de cliques amadores de repente profissionalizados. Em muitos aspectos, é a realização mais completa da democratização de imagens de alta qualidade que a empresa tem trabalhado desde o iPhone 4.

Não estou dizendo que a profissão fotógrafo acabou e que o iPhone, sozinho, resolve os problemas fotográficos de qualquer pessoa. É claro e óbvio que não. Coloque um iPhone 8 Plus nas mãos de um usuário comum e outro nas mãos de um fotógrafo profissional que rapidamente você entenderá o que eu quero dizer. Mas é inegável que, agora, não dependemos mais de equipamentos até então criados especificamente para fotógrafos profissionais para conseguir tirar fotos incríveis, com qualidade nunca antes imaginada para um aparelho do tamanho de um smartphone.

Como a Apple conseguiu isso? Muito estudo e um processo de desconstrução da forma artística que a empresa deseja imitar. No caso do novo recurso dos iPhones 8 Plus e X, isso significou estudar como outros (Richard Avedon, Annie Leibovitz e Vermeer) utilizaram a iluminação durante toda a história.

Se você olhar os mestres holandeses e compará-los às pinturas que estavam sendo feitas na Ásia, de forma estilística, eles são diferentes. Então, perguntamos por que eles são diferentes? E quais elementos desses estilos podemos recriar com software?

Passamos muito tempo iluminando as pessoas e movendo-as, muito tempo. Nós tínhamos alguns engenheiros tentando entender os contornos de um rosto e como poderíamos aplicar a iluminação através do software, e nós tínhamos outros engenheiros de silício trabalhando para tornar o processo super-rápido. Realmente fizemos muita coisa.

Johnnie Manzari, designer da equipe de interface humana da Apple.

Phil Schiller, chefão de marketing mundial da Apple e fotógrafo entusiasta, explicou um pouco mais o processo criativo da Apple e a forte colaboração entre diversas equipes:

Existe a equipe da realidade aumentada, dizendo: “Ei, precisamos tirar mais da câmera pois queremos fazer da realidade aumentada uma experiência melhor e a câmera desempenha um papel nisso.” E a equipe que está criando o Face ID, eles precisam da tecnologia de câmera, hardware, software, sensores e lentes para suportar a identificação biométrica no dispositivo. E, portanto, há muitos papéis que a câmera reproduz, como uma coisa primária — tirar uma foto — ou como suporte, para ajudar a desbloquear o seu telefone ou habilitar uma experiência RA. E, assim, há um grande trabalho entre todas as equipes e todos esses elementos.

Estamos em um momento em que os maiores avanços na tecnologia de câmeras estão acontecendo tanto no software quanto no hardware. E isso, obviamente, favorece as virtudes da Apple em relação às empresas de câmeras tradicionais.

Quando questionado sobre a evolução da câmera do iPhone, Schiller reconheceu que a empresa tem trabalhado de forma deliberada e incremental, visando uma câmera de calibre profissional. Ainda assim, ele afirmou que a ideia não é apenas criar uma câmera melhor, mas sim como a Apple pode contribuir com a fotografia.

Paczkowski questionou algo interessante sobre o recurso: será que algo fica pelo caminho quando nós usamos software para simplificar e automatizar um processo historicamente artístico? Afinal, há um pouco de sensação distópica ao pressionar um botão e essencialmente afunilar a enorme distância que existe entre profissionais e amadores.

Para Manzari, não se trata de simplificar ou reduzir o conteúdo intelectual, e sim de acessibilidade, de ajudar as pessoas a tirar proveito da sua própria criatividade. O ponto de Manzari é que há muitos bons fotógrafos que não são treinados profissionalmente e que não precisam ou não querem lidar com uma série de lentes e ferramentas para calibrar o foco e a profundidade de campo quando estão tirando fotos. E, na verdade, nem deveriam. Então, por que não tirar todas essas coisas e lhes dar algo que pode ajudar a tirar ótimas fotos?

Para Schiller, o recurso não se trata de uma tentativa de imitar qualquer estilo específico e sim tentar pincelar as diversas gamas de estilos que existem, para que exista algo para todos. A ideia não é fazer a “Luz de Palco” ser igual a Vermeer, e sim ter um alcance suficiente para que todos tenham escolhas diferentes para muitas situações que cobrem os principais casos de uso. Para isso, a Apple teve, sim, que aprender como outros usaram a iluminação ao longo da história e ao redor do mundo.

iPhone X com o chip A11 Bionic

As melhorias nas câmeras dos novos aparelhos não param por aí, obviamente. A Apple tem trabalhado em aprimoramentos que são muito menos chamativos do que o Modo Retrato e o Iluminação de Retrato. As câmeras no 8 Plus e no X, por exemplo, detectam a neve como um tipo de situação e automaticamente fazem ajustes no balanço de branco, na exposição e em outras informações para que o usuário não precise se preocupar com nada. “É tudo perfeito, a câmera apenas faz o que precisa”, disse Schiller. “O software sabe como cuidar da foto para você. Não há configurações.”

Nós pensamos que a melhor maneira de construir uma câmera é fazendo perguntas simples e fundamentais sobre fotografia. O que significa ser um fotógrafo? O que significa capturar uma memória? Se você começar assim — e não com uma longa lista de recursos possíveis para incorporar — muitas vezes você acaba com algo melhor. Quando você tira a complexidade de como a câmera funciona, a tecnologia simplesmente desaparece. Então, as pessoas podem aplicar toda a sua criatividade no momento em que estão capturando. E você acaba com algumas fotografias incríveis.

Assim que é bom.

via Daring Fireball

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Comentários
  • Márcio Soares

    Já saiu atualização para o IOS 11.0.1, instalei já, parece mais rápido e bateria drenando mais lentamente https://uploads.disquscdn.com/images/b1d0a635f320eaa80a185d69093c9d1d64221fb2a7d7c4dc7517c14d1cf7c944.png

  • E eu nao consigo entender como muitos usuários de Android falam mal do iPhone, sendo que essa tecnologia embarcada é muito avançada!

    Lembro quando saiu o primeiro iPhone 64 bits e o TouchID, de algumas marcas falando que a Apple tinha dado um passo muito largo e que eles teriam que correr bastante para alcançar a Maçã.

    Pra finalizar, alguém ainda compra câmeras digital automática?

  • Jhon

    Comentário super pertinente em relação ao assunto do post. Gostei também da avaliação da bateria feita em 20 minutos de uso.

  • Guto Pagiossi

    “Parece mais rápido” – HAHAHAHHA

  • Márcio Soares

    Desculpe por postar em local errado, foi mal, a intenção era fornecer a informação

  • Cizenando G de Lima Junior

    “Quando você tira a complexidade de como a câmera funciona, a tecnologia simplesmente desaparece. Então, as pessoas podem aplicar toda a sua criatividade no momento em que estão capturando. E você acaba com algumas fotografias incríveis.”

    Concordo com isso. Ninguém precisa se profissionalizar em tudo, mesmo em fotografia. Quem quer simplesmente fazer uma foto, aperta um botão. Quem quer algo a mais, estuda como as coisas funcionam. Tem espaço para todos e o melhor, com ajuda da tecnologia, todos têm a oportunidade de fazer bons retratos.

  • Eduardo, você informa que “a sua câmera é a mais utilizada ao redor do globo.”. Saiu esse estudo/pesquisa em algum lugar? No Flickr, pelo menos, parece que é. Se saiu algo global, merece um post (fica aí a sugestão). Se não, acho melhor não afirmar isso XD Abraços.

  • Filipi

    Na verdade não foi o Eduardo, foi a própria apple, na apresentação do iphone, ela sempre fala nas apresentações, que o iPhone é a câmera mais usada do mundo, assim como a porcentagem de aparelhos atualizados para a ultima versão.

  • Gabriel Guimarães

    alguém sabe se existe alguma limitação para liberar esse recurso de iluminação de retrato no iphone 7 plus?
    fiquei achando que limitaram ao 8 plus simplesmente para diferenciá-lo do 7 plus.

  •  lover

    Creio que seja o chip A11 Bionic que è incrivelmente potente como um MacBook Pro i5 de entrada. Mas sabe eh até achei que limitariam só ao X, fiquei até surpreso.

  • Ah, saquei. Eu colocaria lá então: “segundo a Apple”. Afinal, não encontrei facilmente pesquisa decente sobre isso. Tampouco acredito que seja uma informação precisa.

  • Marcello Lessa

    Tá por dentro do mundo da fotografia hein. hahahahahahah

  • Paulo Nunes

    Vou contar uma história para vocês: adoro fotografar, e levo a câmera para todo lugar, só anda comigo no carro. Mas quando digo “câmera”, leiam:

    Corpo
    Lente 50mm f/1.4
    Lente 11-16mm f/2.8
    Lente 70-200mm f/2.8
    Lente tilt 80mm f/2.8
    Tripé de fibra de carbono (mais leve)
    Além de limpadores de lente, filtros, disparador, etc.

    Tudo isso é volumoso (lentes “claras”, isto é, com f/2.8 ou menos, são sempre maiores) e pesa ao menos 5Kg, totalizando pelo menos R$ 10.000,00 em equipamento. Com ele, entro no mato para fotografar a Via Láctea, faço fotos dentro do mar (obviamente, na parte rasa), na areia da praia, em trilhas na Chapada Diamantina, pulo cercas, atravesso riachos… É “arte”! Em todos os sentidos. Mas pesa nas costas quando você faz uma trilha de duas horas subindo montanhas, é troca de lente o tempo inteiro e tudo isso pode cair, quebrar, ser levado pela correnteza… Muita coisa pode dar errado e o prejuízo é grande.

    Recentemente, um dos maiores fotógrafos de casamento dos Estados Unidos, o Ryan Brenizer, anunciou que venderia todo seu sistema de câmeras top de linha profissionais e lentes Nikon para mudar para a recém-lançada Sony A9. Publicou um vídeo longo justificando sua escolha, e a maioria das vantagens da A9 sobre Nikon D5 está no software. Ela tem um grande sensor full-frame, é claro, mas por conta de não ter um espelho reflex, é muito menor e mais leve. E as melhorias no software da câmera permitiram que o foco automático fosse muito mais preciso e ocorresse em todo o quadro do sensor, em vez de pontos específicos, como nas DSLR. É tanta “revolução” que não cabe aqui, e a decisão chocou a muitos defensores das DSLRs, e da arte pesada e complicada.

    Obviamente ainda não é o fim das câmeras grandes; afinal, o maior e mais pesado ainda são as lentes, o que não mudou com a Sony A9. Sem contar que a câmera custa U$ 4,500.00, só o corpo. Mas é só questão de tempo para que os avanços da A9 comecem a chegar para câmeras menores e mais baratas, e soluções de software comecem a substituir efeitos ópticos e de iluminação artificial complexa, como a Apple já mostrou no seu modo retrato e neste modo de estúdio.

    Eu adoraria poder fazer todas as fotos que eu gosto apenas com um equipamento, meu celular. Mais leve, prático e barato do que todo o equipamento fotográfico que carrego, e ainda faz muito mais coisas. Talvez os avanços da Apple em software de imagens a leve a lançar uma câmera dedicada, nessa intenção – afinal, as melhores imagens ainda vêm de um sensor grande e lentes de melhor qualidade.

    Porém, o que será da fotografia? Não sei. Tudo vai mudar, e a fotografia não será mais o que era. Aliás, ela já tinha deixado de ser o que era há muito tempo, no início da fotografia digital. Fotografar não era mais uma arte restrita a poucos, que envolvia o conhecimento preciso da câmera, luz e técnicas de revelação. Passou a ser algo de mais fácil acesso, curva de aprendizado muito mais rápida, e bastante dependente da edição computadorizada das imagens, sem necessidade de meios físico-químicos. Muita gente poderá ser fotógrafo com menos dinheiro e poderá aprender mais fácil e rapidamente, e certos tipos de imagem deixarão de ser “exclusivas”, “profissionais”; serão talvez até banalizadas. O artista continuará sendo artista, e talvez encontrará novas formas únicas de manipular este equipamento onde tudo fica mais fácil e prático. Porém, uma tendência dentro disso tudo eu já posso ver: a Apple ambiciona, cada vez mais, substituir tarefas complexas ou pouco práticas por inteligência artificial e automatização, e isso numa escala sem precedentes para o usuário comum. TV, Siri, câmera, carros… Só a ficção científica pra prever o que virá.

  • Tiago Lima

    @Eduardo Santos, você poderia fazer um artigo falando sobre o Flash slow sync?

  • Jair Motta

    Parece matéria paga. É muita babação de ovo, isso pega mal Filipi. Ou vc pensa que nós leitores somos idiomas?

  • Jair Motta

    E poderíamos esperar um pouco de ética de uma publicação que se chama Macmagazine? Sua matéria parece paga, Filipi. Lamentável que pseudo jornalistas se ponham a transformar em ouro tudo o que a Apple faz 🙁

  • Ele fala assim porque não é ele o engenheiro que perde o sono tentando atingir o objetivo “simples” passado por ele. Hahah

  • Alexander

    Conheço fotógrafos que piram quando alguém chama objetiva de lente, rola até beliscão

  • Oscar Raposo

    O celular serve (pra mim) como um experimento de novos ângulos, possibilidades,…

    Não sei se vc já pensou algo como (deixa eu ver se esse angulo fica legal), passa o tempo todo na minha cabeça e vou experimentando kkkkkkk

  • Paulo Nunes

    Picuinha boba. Todo campo de especialidade tem orgulho do seu jargão, é uma espécie de “reserva de conhecimento” em relação aos chamados leigos. Na prática, muitas significam as mesmas coisas, só que sob nome mais chiques. A diferença entre lente e objetiva é que a objetiva é um sistema complexo de lentes de vidro e diafragma, controladores digitais etc, e uma lente pode ser a lente dos seus óculos, de uma lupa… Mas quando digo “lente 50mm f/1.4”, não há dúvida do que se trata, não é?

  • Paulo Nunes

    Acredite, eu faço estes experimentos com a câmera! Hahahaha… Não abro mão das minhas lentes. O que a Apple chama de grande angular e teleobjetiva provavelmente são lentes de 18 a 23mm (a primeira) e 40 a 50mm (a segunda), o que está muito longe de pertencer a estes critérios em qualquer fotografia séria. Então, fica difícil visualizar como ficaria realmente a foto que quero com um iPhone. Além de que, depois de tanta experimentação, você já meio que faz ideia do que vai esperar em determinado ângulo, co determinada lente…

  • Gabriel Guimarães

    não entendi seu comentário

  • Marcello Lessa

    Ué, você tem trabalhado como fotógrafo cara, e aí achei legal te encontrar comentando num blog de tecnologia, também preocupado sobre os novos recursos de fotografia dos iPhones, só isso…

  • Genial seu comentário! Um sensor grande e uma objetiva clara fazem mágica.. Mas pra mim é mais fácil fazer arte com o iPhone mesmo.. Quando me perguntam se eu sou fotógrafo amador eu respondo “sou fotógrafo de iPhone” hahahha

  • Gabriel Guimarães

    acho que vc me confundiu… não trabalho com fotografia não.


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