História de bastidores: como nasceu o recurso Modo Iluminação de Retrato, presente nos iPhones 8 Plus e X


Pense rápido: qual é o principal recurso, atualmente, de um iPhone? A resposta que você mais ouvirá por aí é câmera. E não é à toa. Os smartphones, hoje, são as câmeras do mundo moderno — e, como o iPhone é um dos smartphones mais vendidos do mundo, a sua câmera é a mais utilizada ao redor do globo.

A Apple sabe disso e, a cada nova geração, tenta melhorar o que hoje já é espetacular. Essa obsessão por fotografia num aparelho que cabe na palma da nossa mão está rendendo frutos: como vimos aqui no site, as câmeras dos iPhones 8/8 Plus atualmente são as melhores do mercado, segundo testes realizados pela DxO Labs — e o iPhone X tem tudo para superá-los, já que conta com estabilização óptica nas duas câmeras traseiras e uma teleobjetiva com abertura ƒ/2.4 (contra ƒ/2.8 da do 8 Plus).

iPhone X

Deixando de lado as melhorias no hardware, neste ano a grande novidade apresentada pela Apple foi o Modo Iluminação de Retrato. Trata-se de um recurso que combina o sensor de profundidade e o mapeamento facial a fim de possibilitar a criação de efeitos de iluminação com qualidade de estúdio, segundo a Apple. Ou seja, não é um simples filtro que você aplica em cima de uma foto que tirou ou que vai tirar, é o sistema de câmera dupla da Apple trabalhando juntamente a um forte aprendizado de máquina a fim de reconhecer uma cena, mapeando a profundidade dela para, em seguida, mudar os contornos de iluminação do sujeito fotografado. Tudo é feito em tempo real, e você pode até visualizar o resultado graças ao chip A11 Bionic.

Levando isso para uma escala Apple, eu não poderia concordar mais com essa afirmação de John Paczkowski, do BuzzFeed News, que conversou com algumas pessoas dentro da Apple sobre o assunto:

O resultado, quando aplicado à escala Apple, tem o poder de ser transformador para a fotografia moderna, com milhões de cliques amadores de repente profissionalizados. Em muitos aspectos, é a realização mais completa da democratização de imagens de alta qualidade que a empresa tem trabalhado desde o iPhone 4.

Não estou dizendo que a profissão fotógrafo acabou e que o iPhone, sozinho, resolve os problemas fotográficos de qualquer pessoa. É claro e óbvio que não. Coloque um iPhone 8 Plus nas mãos de um usuário comum e outro nas mãos de um fotógrafo profissional que rapidamente você entenderá o que eu quero dizer. Mas é inegável que, agora, não dependemos mais de equipamentos até então criados especificamente para fotógrafos profissionais para conseguir tirar fotos incríveis, com qualidade nunca antes imaginada para um aparelho do tamanho de um smartphone.

Como a Apple conseguiu isso? Muito estudo e um processo de desconstrução da forma artística que a empresa deseja imitar. No caso do novo recurso dos iPhones 8 Plus e X, isso significou estudar como outros (Richard Avedon, Annie Leibovitz e Vermeer) utilizaram a iluminação durante toda a história.

Se você olhar os mestres holandeses e compará-los às pinturas que estavam sendo feitas na Ásia, de forma estilística, eles são diferentes. Então, perguntamos por que eles são diferentes? E quais elementos desses estilos podemos recriar com software?

Passamos muito tempo iluminando as pessoas e movendo-as, muito tempo. Nós tínhamos alguns engenheiros tentando entender os contornos de um rosto e como poderíamos aplicar a iluminação através do software, e nós tínhamos outros engenheiros de silício trabalhando para tornar o processo super-rápido. Realmente fizemos muita coisa.

Johnnie Manzari, designer da equipe de interface humana da Apple.

Phil Schiller, chefão de marketing mundial da Apple e fotógrafo entusiasta, explicou um pouco mais o processo criativo da Apple e a forte colaboração entre diversas equipes:

Existe a equipe da realidade aumentada, dizendo: “Ei, precisamos tirar mais da câmera pois queremos fazer da realidade aumentada uma experiência melhor e a câmera desempenha um papel nisso.” E a equipe que está criando o Face ID, eles precisam da tecnologia de câmera, hardware, software, sensores e lentes para suportar a identificação biométrica no dispositivo. E, portanto, há muitos papéis que a câmera reproduz, como uma coisa primária — tirar uma foto — ou como suporte, para ajudar a desbloquear o seu telefone ou habilitar uma experiência RA. E, assim, há um grande trabalho entre todas as equipes e todos esses elementos.

Estamos em um momento em que os maiores avanços na tecnologia de câmeras estão acontecendo tanto no software quanto no hardware. E isso, obviamente, favorece as virtudes da Apple em relação às empresas de câmeras tradicionais.

Quando questionado sobre a evolução da câmera do iPhone, Schiller reconheceu que a empresa tem trabalhado de forma deliberada e incremental, visando uma câmera de calibre profissional. Ainda assim, ele afirmou que a ideia não é apenas criar uma câmera melhor, mas sim como a Apple pode contribuir com a fotografia.

Paczkowski questionou algo interessante sobre o recurso: será que algo fica pelo caminho quando nós usamos software para simplificar e automatizar um processo historicamente artístico? Afinal, há um pouco de sensação distópica ao pressionar um botão e essencialmente afunilar a enorme distância que existe entre profissionais e amadores.

Para Manzari, não se trata de simplificar ou reduzir o conteúdo intelectual, e sim de acessibilidade, de ajudar as pessoas a tirar proveito da sua própria criatividade. O ponto de Manzari é que há muitos bons fotógrafos que não são treinados profissionalmente e que não precisam ou não querem lidar com uma série de lentes e ferramentas para calibrar o foco e a profundidade de campo quando estão tirando fotos. E, na verdade, nem deveriam. Então, por que não tirar todas essas coisas e lhes dar algo que pode ajudar a tirar ótimas fotos?

Para Schiller, o recurso não se trata de uma tentativa de imitar qualquer estilo específico e sim tentar pincelar as diversas gamas de estilos que existem, para que exista algo para todos. A ideia não é fazer a “Luz de Palco” ser igual a Vermeer, e sim ter um alcance suficiente para que todos tenham escolhas diferentes para muitas situações que cobrem os principais casos de uso. Para isso, a Apple teve, sim, que aprender como outros usaram a iluminação ao longo da história e ao redor do mundo.

iPhone X com o chip A11 Bionic

As melhorias nas câmeras dos novos aparelhos não param por aí, obviamente. A Apple tem trabalhado em aprimoramentos que são muito menos chamativos do que o Modo Retrato e o Iluminação de Retrato. As câmeras no 8 Plus e no X, por exemplo, detectam a neve como um tipo de situação e automaticamente fazem ajustes no balanço de branco, na exposição e em outras informações para que o usuário não precise se preocupar com nada. “É tudo perfeito, a câmera apenas faz o que precisa”, disse Schiller. “O software sabe como cuidar da foto para você. Não há configurações.”

Nós pensamos que a melhor maneira de construir uma câmera é fazendo perguntas simples e fundamentais sobre fotografia. O que significa ser um fotógrafo? O que significa capturar uma memória? Se você começar assim — e não com uma longa lista de recursos possíveis para incorporar — muitas vezes você acaba com algo melhor. Quando você tira a complexidade de como a câmera funciona, a tecnologia simplesmente desaparece. Então, as pessoas podem aplicar toda a sua criatividade no momento em que estão capturando. E você acaba com algumas fotografias incríveis.

Assim que é bom.

via Daring Fireball

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