Cocriador da Siri se surpreende com a quantidade de coisas que ela *não* consegue fazer — e põe a culpa no perfeccionismo da Apple


Entre todos os produtos e serviços da Apple, poucos sofrem críticas tão agudas e uniformes como a Siri: a assistente digital da Maçã é até útil para algumas tarefas, mas é quase impossível encontrar um usuário que tenha adotado a ferramenta como parte indissociável do seu dia e que a utilize para realizar ao menos parte das tarefas do seu dia. E vejam só quem concorda conosco nessa crítica à robô (nem tão) inteligente: ninguém menos que um dos seus cocriadores.

Norman Winarsky era um dos chefes da SRI International, a firma que deu os primeiros passos para a criação da Siri; quando a equipe que fundou a assistente digital desligou-se da empresa para fundar uma startup separada e prosseguir com o seu desenvolvimento, Winarsky foi junto, como cofundador e membro do conselho da iniciativa. Ele despediu-se da Siri somente quando, em abril de 2010, a Apple comprou a tecnologia e levou-a consigo para satisfazer seus próprios propósitos.

Hoje, em uma breve entrevista ao Quartz, Winarsky afirmou que a Siri não está onde poderia (ou ele acreditava que poderia) estar a essa altura do campeonato. O executivo admite que tinha uma ideia totalmente diferente para a assistente — uma mais proficiente e focada em um número menor de tarefas que realizasse com perfeição, como, por exemplo, perceber que o voo do usuário de volta para casa foi cancelado, oferecer alternativas na hora ou, na falta delas, oferecer uma reserva num quarto de hotel.

A surpresa e o deleite estão meio que deixados de lado no momento.

Segundo ele, a busca da Apple pela “perfeição” é que foi a perdição da Siri. Ao tentar fazer da assistente um ponto para uma série de tarefas de todos os tipos, a Maçã acabou criando um produto que não é muito bom em nenhum deles; em vez do centro de inteligência e predição idealizado por Winarsky, temos uma ferramenta que realiza tarefas básicas, como cadastrar lembretes e alarmes, checar a previsão do tempo ou fazer perguntas básicas de conhecimento geral, mas não oferece uma visão aprofundada sobre o usuário e não tem a capacidade de mudar de acordo com a vida de cada um.

Winarsky afirma ainda que, embora a Siri esteja bem melhor do que quando foi lançada, coisas básicas ainda faltam a ela para que a assistente torne-se um produto de valor. Por exemplo, até o elemento lúdico da coisa toda — a capacidade de ela conversar naturalmente e oferecer respostas bem-humoradas ou espertas, quando apropriado — está sendo deixado de lado pela Apple. “A surpresa e o deleite estão meio que deixados de lado no momento”, diz o executivo.

Resta saber, agora, como a Apple corrigirá esse problema e transformará a Siri numa ferramenta de valor, daquelas que as pessoas comprem iPhones e iPads somente (ou principalmente) pela sua presença. Será que isso é possível?

via MacRumors

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