Vendas do HomePod estariam bem fracas, com algumas lojas vendendo menos de 10 unidades por dia [atualizado]


As coisas não estão boas para o HomePod, o alto-falante inteligente da Apple. Pelo menos segundo informou a Bloomberg.

Seja por chegar atrasado ao mercado — inclusive perdendo as vendas de Natal — já estabelecido pela Amazon (e com o Google vindo comendo pelas beiradas), por ser um produto totalmente fechado para quem não faz parte do ecossistema da Apple (você precisa de um iPhone ou iPad para usar um HomePod), por ainda não ter recursos aguardados (como MultiRoom e FullRoom), por deixar marcas em móveis de madeira ou por qualquer outro fator (por exemplo, o preço), as vendas do HomePod estariam, segundo o veículo, abaixo do esperado pela Apple.

Tão abaixo que a Maçã teria, no fim do mês passado, reduzido as previsões de vendas e cortado pedidos com a Inventec Corp., uma das suas parceiras que monta o dispositivo — como sempre, a informação veio de uma pessoa “familiarizada com o assunto”.

Fotógrafos em cima do HomePod

O curioso é que, logo quando foi lançado, tudo dava a entender que o produto faria sucesso por conta da boa pré-venda. Nós, por exemplo, chegarmos a comentar uma pesquisa a qual indicou que, com poucos dias de vida, o alto-falante abocanhou 3% do mercado. A própria Bloomberg afirmou que, durante as dez primeiras semanas de vendas, ele chegou a conquistar 10% de market share (contra 73% do Amazon Echo e 14% do Google Home), segundo a Slice Intelligence.

O problema é que, logo depois do lançamento, as vendas semanais de HomePod — também segundo a Slice — caíram para cerca de 4% (em média) da categoria de alto-falantes. Por conta disso, os estoques estavam se acumulando, de acordo com empregados da Maçã. Quer ter uma ideia dos números? Segundo a Bloomberg, algumas lojas da Apple vendem menos que 10 (sim, dez) HomePods por dia — algo impensável para uma empresa do porte da Apple.

Ok, muitos de vocês podem se prender no argumento de que a Apple não é líder de mercado em smartphones e computadores, por exemplo, mas que ainda assim são segmentos em que ela consegue lucrar bastante. Não parece ser esse o caso aqui, também.

HomePod

Durante o primeiro fim de semana de pré-venda, o HomePod até que foi bem, obtendo 72% da receita na categoria de alto-falantes inteligentes. Mas em fevereiro e março, a fatia da receita caiu para 19%, segundo a Slice1 — contra 68% da Amazon. O Google Home e o Sonos One obtiveram 8% e 5% das receitas, respectivamente.

Em defesa da Apple, a Bloomberg — de acordo com as pessoas que trabalharam no produto — comentou que a gigante de Cupertino de fato nunca enxergou o HomePod como nada além de um acessório. Sim, o HomePod para a Apple seria como os AirPods (literalmente, um acessório para quem tem iPhones/iPads).

Quando o Amazon Echo foi lançado, há quatro anos, o HomePod ainda estava nos laboratórios da Apple, em seus primeiros protótipos. E mesmo vendo o produto da Amazon chegando ao mercado e fazendo sucesso, os chefões do projeto HomePod continuavam vendo o produto como um alto-falante de alta qualidade em vez de uma assistente digital controlada por voz para atender a sua casa.

Outro argumento a favor da Apple é que o produto como um todo vai melhorar. Nem tudo o que a Apple lança, logo de cara, faz sucesso. O Apple Watch, por exemplo, também não foi um hit de vendas e, agora, na sua terceira geração, se tornou o relógio mais vendido do mundo (ainda que tudo isso represente pouco financeiramente para a Apple, já que estamos lidando com um produto de nicho dentro de uma empresa gigante).

HomePod

Ao lado do Apple Music, dos AirPods e de um novo possível fone premium que deverá ser lançado pela empresa, o HomePod faz parte de um ecossistema musical que a Apple muito provavelmente ainda investirá bastante antes de jogar a toalha. Assim veremos.

Atualização 12/04/2018 às 10:41

O China Times hoje corroborou a informação da Bloomberg ao informar que a Apple de fato reduziu os pedidos de HomePods de 500 mil unidades mensais (primeiro trimestre do ano) para 200 mil unidades mensais (segundo trimestre do ano) devido a vendas abaixo do esperado.

Todavia, é bom reforçar aqui que Tim Cook (CEO da Apple) é totalmente contra rumores com base nesse tipo de informação (números de fabricação de um dispositivo) pois, segundo ele, é impossível interpretar tais números de forma correta por conta da complexidade de uma cadeia de suprimentos.

O próprio MacRumors, que compartilhou o artigo do China Times, disse que o veículo chinês menciona apenas que a Inventec e outras pequenas fabricantes foram prejudicadas com o corte de produção da Maçã — desconsiderando relatórios os quais dizem que a Foxconn também passou (ou passará) a montar o dispositivo em algum momento de 2018. Ou seja, a Apple poderia simplesmente ter direcionado uma produção de 300 mil unidades mensais para a Foxconn em vez de realmente ter cortado a produção do aparelho.

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