Comunidade de desenvolvedores para iOS na Índia fala sobre os desafios da Aceleradora de Apps da Apple


Inaugurada em março do ano passado, a Aceleradora de Apps da Apple em Bangalore (na Índia), foi um grande passo da empresa no sentido de conquistar novos consumidores e aprimorar a habilidade de desenvolvedores no país. Inclusive, comentamos acerca do feedback dado sobre o programa ainda no primeiro mês de funcionamento.

A aceleradora é um programa da Maçã que contribui para o aprimoramento de desenvolvedores locais em quesitos que envolvem design, qualidade e performance dos aplicativos produzidos para qualquer um dos produtos do ecossistema da Apple. Ademais, são responsáveis por apresentarem novas APIs1, como o SiriKit e, mais recentemente, o ARKit.

As conquistas

No evento educacional do dia 27 de março, a Apple anunciou o novo iPad e realizou algumas demonstrações, entre elas, a de um aplicativo chamado Froggipedia no qual crianças podem aprender a anatomia de um sapo sem ter que, de fato, dissecá-lo em laboratório. Esse aplicativo foi desenvolvido por uma companhia indiana chamada Design Mate, com o suporte do programa da Apple.

Um grupo de cinco desenvolvedores teve sessões na Aceleradora de Apps por duas semanas. Segundo os participantes, essa conexão contribuiu para a melhoria da interface, da experiência do usuário e do design. “Nós inserimos a ferramenta na qual você consegue dissecar um sapo com o Apple Pencil, imitando um laboratório, mas com um equipamento diferente”, relatou KD Brar (chefe da Design Mate) em entrevista para a KillerFeatures.

Outra companhia, a Fuild Touch (fundada em 2009) foi uma das primeiras empresas a desenvolver aplicativos para iPads e é uma frequentadora assídua da Aceleradora de Apps da Apple no país.

Nosso objetivo é criar um aplicativo equivalente a um livro de notas para iPad e iPhone. Na Aceleradora de Apps nós contamos com o melhor modo de desenvolver, otimizar e incorporar os recursos. Por exemplo, nós incluímos o escaneamento de documentos na última versão do app com a ajuda do ARKit.

Krisshna, CEO da companhia.

Os desafios

A comunidade iOS na Índia ainda é pequena e não se compara à expressividade que o sistema Android possui no país. Ainda assim, algumas ações da Apple parecem não contribuir para a melhora desse quadro. De acordo com Aakanksha Sharma, desenvolvedora da empresa Network 18, “todas as reuniões são organizadas pela comunidade e dificilmente conseguimos entrar em contato com a Apple além da Aceleradora de Apps”.

Ela também contou que é complicado visitar periodicamente o centro em Bangalore, uma vez que mora em Mumbai, cidade que fica a quase 1.000km de distância da Aceleradora. Para a desenvolvedora, a Apple poderia realizar encontros em outras cidades do país, já que a distância pode se tornar uma mazela quando prejudica a frequência de desenvolvedores em algumas reuniões.

Para outro desenvolvedor, Bangalore é mesmo a cidade ideal para o centro da Apple. No entanto, ele acredita que um dos maiores desafios é entrar em contato com a empresa americana para conseguir suporte, relatando que as únicas vias de comunicação são a Worldwide Developers Conference (WWDC) ou na própria Aceleradora.

Outro engenheiro, dessa vez de uma startup em crescimento na Índia, contou à KillerFeatures que a companhia promoveu um evento especial na Aceleradora para ajudar com design mas, devido à questão citada da baixa expressividade do iOS no país (ilustrado no gráfico abaixo), é difícil encontrar um bom desenvolvedor para o sistema da Maçã.

Participação do iOS na Índia

A participação do iOS no mercado indiano fica em torno de 3%, o que reflete a baixa expressividade do sistema da Apple no país.

Os próximos passos

A Apple está incrementando a Aceleradora de Apps na Índia com suporte ao mercado e ajuda em marketing para apoiar desenvolvedores e empreendedores nessas áreas. No entanto, a comunidade acredita que a empresa deveria investir em facilitar o acesso ao centro, seja por novas instalações em outras cidades ou mesmo promovendo eventos fora de Bangalore.

Para a Maçã, o desafio é outro: enquanto existem vários desenvolvedores com talento no país, o (promissor) mercado indiano não cresce para a gigante de Cupertino; mesmo quando as vendas estão em alta, os consumidores não investem muito em aplicativos.

É importante lembrar que a participação da Apple na Índia é baixa por uma série de fatores, entre eles o alto custo dos produtos da Maçã — o iPhone X é vendido lá por 92.430 rúpias (cerca de R$4.830). Ademais, alguns serviços ofertados (como Mapas e Siri) não funcionam muito bem por lá. Soa familiar?

via TechCrunch

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