Ex-CEO da Apple, John Sculley conta o que aprendeu com Steve Jobs

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O empresário e executivo americano John Sculley é uma figura que divide opiniões, principalmente entre fanáticos do mundo da Maçã. Sculley foi CEO1 da Apple de 1983 até 1993 e, nesses dez anos, a empresa passou por uma verdadeira montanha-russa de acontecimentos — incluindo a demissão de Steve Jobs.

Em uma entrevista para a CNBC, o executivo contou como foi conviver com Jobs e a “causa nobre” que o cofundador da Apple defendia. Sculley começou a história falando como chegou ao cargo de CEO da Maçã, após longos meses de contato com Jobs.

O primeiro contato de dele com o cofundador da Apple foi em novembro de 1982, logo após o feriado Ação de Graças (Thanksgiving). Jobs tentou, por meses, fazer com que Sculley trabalhasse na Apple — o empresário era CEO da Pepsi nessa época —, até que em março de 1983 ele deu a sua resposta.

Nós tivemos a oportunidade de nos conhecer muito, muito bem, mas no final eu disse: “Steve, eu pensei sobre e não vou trabalhar na Apple.”

Steve fez uma pausa e pensou por um tempo, e então ele estava a 45 centímetros de distância de mim — naqueles dias, ele tinha 20 e poucos anos, tinha cabelos e olhos muito escuros, e ele estava bem de frente para meu rosto — então disse: “Você quer vender água com açúcar para o resto da sua vida ou quer vir comigo e mudar o mundo?”

Sculley assumiu o cargo de diretor executivo da Apple em 11 de abril de 1983 e são muitas, as controvérsias do impacto de seu trabalho na Maçã. Para algumas pessoas, Sculley sucumbiu a filosofia corporativa da Apple em prol do lucro da empresa. O fato é que, durante os dez anos que comandou a empresa, a receita da gigante de Cupertino saltou de US$569 milhões para US$8,3 bilhões.

Durante o tempo que trabalharam juntos — Jobs foi demitido da empresa em 1985 e retornou apenas em 1997 —, Sculley contou que a lição mais importante que aprendeu de Steve na verdade era uma característica dele: a curiosidade insaciável combinada com um desejo de mudar o mundo. Para o executivo, o impacto desse tipo de líder como Jobs não é constatado apenas na companhia, mas na sociedade em geral.

A paixão de Steve era “colocar um impacto no universo”. Essas foram as suas palavras. E ele estava disposto a fazer o que fosse preciso. Ele estava disposto a deixar a sua vida pessoal de lado e ser incrivelmente exigente com as pessoas que trabalhavam com ele.

Steve Jobs, John Sculley e Steve Wozniak

Steve Jobs, John Sculley e Steve Wozniak apresentando o Apple IIc

Sculley inferiu que esses princípios são responsáveis tanto pelo grande legado e trabalho deixado por Jobs quanto pela dificuldade que era trabalhar com ele. O empresário contou que, dias antes do lançamento da primeira placa-mãe do Macintosh, Jobs não gostou da maneira que um fio era exibido na placa; um funcionário do time de engenharia de produção disse, então, que ninguém iria reparar naquele fio — uma vez que o gabinete do computador foi projetado de forma que era muito difícil entrar na caixa do Macintosh — e Jobs respondeu categoricamente: “Eu vou. Volte e refaça o layout dessa placa-mãe.”

Ainda que fosse extremamente exigente, Sculley contou que trabalhar com Jobs era também muito inspirador. O executivo relembrou uma conversa que teve com o cofundador da Apple e o cofundador da Microsoft, Bill Gates — eles discutiam sobre transformar o mundo com a tecnologia.

Steve Jobs e Bill Gates conversavam sobre a sua “causa nobre”. Eu nunca tinha ouvido as palavras “causa nobre” nos negócios em toda a minha vida. E enquanto eu os escutava, eles falavam: “Sim, vamos capacitar os indivíduos com ferramentas para a mente. Isso será feito em algo que chamamos de computador pessoal, será mais sobre software do que sobre hardware e vamos mudar o mundo, uma pessoa de cada vez.”

Sculley comentou a capacidade de inovação de Jobs, contando que o cofundador da Maçã seguia um processo chamado “zooming” (no sentido de saber até quando se aproximar de uma tecnologia para simplificá-la e quando recuar no momento que uma indústria colide com a outra).

Steve diria que a simplificação é sofisticação, o que significa que, uma vez que você sabe como os pontos se conectam — mesmo que isso interfira em setores que antes nunca tiveram conexão um com o outro —, você precisa simplificá-lo e tornar a solução tão simples para que qualquer pessoa possa usar as suas ferramentas e se sintam motivadas a fazer coisas incríveis com elas.

Por fim, Sculley contou que carrega esses aprendizados e vivências nos seus projetos e negócios atuais. Em 2013, o empresário participou da criação da empresa RxAdvance, e os objetivos da empresa são inspirados na filosofia de Jobs de simplificar questões extremamente complexas para todos os usuários e clientes.

Confira a reportagem completa da história de John Sculley na Apple o seu contato com Steve Jobs.

via The Loop

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