Os dilemas na criação do teclado do iPhone


Você pode não ter ouvido falar — até agora, pelo menos — de Ken Kocienda, um historiador por formação que, pelo acaso do destino, acabou atuando como engenheiro de software na Apple por mais de 15 anos. Kocienda aprendeu programação sozinho e passou por várias empresas durante os primórdios da web antes de aterrisar na Apple, em 2001, onde trabalhou nas equipes de software que criaram o Safari, o iPhone/iPod touch/iPad e o Apple Watch.

Quase dois anos após ter deixado a Maçã, ele lançará o livro “Creative Selection: Inside Apple’s Design Process During the Golden Age of Steve Jobs” (em tradução livre: “Dentro do Processo de Design da Apple Durante a Era de Ouro de Steve Jobs”) no próximo mês, no qual detalha — como o nome da obra sugere — o processo de criação dos gadgets da Apple. Ele reconta ainda suas próprias histórias de trabalho durante a criação de iPhones/iPads e como era apresentar seus projetos para Steve Jobs.

Livro de Ken Kocienda

Em um trecho do livro divulgado pelo 9to5Mac, o engenheiro descreve um dos maiores problemas enfrentados pelos projetistas do primeiro iPhone: como incluir um teclado completo em uma tela de 3,5 polegadas. Kocienda relembra que, logo no início, os designers da Apple estabeleceram que os botões precisavam ter pelo menos 44 pixels de largura para serem tocados por um dedo humano. Isso representava um problema para o teclado virtual que tentasse replicar o físico, pois haveria tantas teclas na mesma linha que seria praticamente impossível acertar a letra com o toque.

Em meados de 2005, o chefe de software do iPhone na época, Scott Forstall, colocou o desenvolvimento de todos os outros projetos em espera e encarregou toda a equipe de encontrar possíveis soluções para o teclado. Kocienda fazia parte desse grupo e começou a trabalhar em diversas linhas de design, explorando diferentes projetos e modos de visualização, como ilustrado nas anotações abaixo divulgadas pelo engenheiro.

Anotações sobre o teclado do iPhone

Como é possível visualizar à esquerda, Kocienda imaginou um grande espaço seguido de um quadro menor, onde o alfabeto iria. Tocar nessa linha ampliaria as teclas próximas na ação maior, que poderia ser pressionada para adicionar a letra ao texto. À direita, a ideia era colocar várias letras dentro de uma espécie de chave, algo que era muito comum nos dispositivos (com teclado físico, obviamente) da época. No segundo projeto, o sistema tentaria ainda adivinhar qual palavra o usuário pretendia digitar — e uma barra (no estilo “Sugestões”) permitiria selecionar exatamente o termo que seria escrito.

O trecho não descreve como foi a escolha do design final do teclado original do iPhone, no entanto, para quem ficou com vontade de descobrir, já é possível pré-encomendar o livro de Kocienda pela Amazon, onde a versão eBook custa a partir de R$55. Na iBooks Store, ele está em pré-venda por R$50. O lançamento oficial acontecerá no dia 4 de setembro.

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