Saiba mais sobre o sensor de ECG do Apple Watch Series 4


A essa altura, não é mais novidade para ninguém que a Apple mudou o foco do seu Watch no meio do caminho. Inicialmente posicionado como um acessório de moda, focado no estilo e no luxo (inclusive com a infame edição de ouro que custava R$135.000), a Maçã logo viu que a estratégia não estava pegando e rapidamente virou o curso do navio, fazendo uma reconstrução do reloginho como o seu parceiro fiel da saúde e do bem-estar.

Vários avanços nesse sentido foram feitos ao longo dos últimos anos: o Apple Watch ganhou GPS próprio e, depois, conexão LTE para uma maior independência do iPhone; novos tipos de exercícios e monitoramentos corporais foram sendo adicionados; o ecossistema de apps e acessórios para o relógio foram crescendo, com o estímulo da própria Apple. Agora, a Maçã apresentou um recurso que é possivelmente o maior passo para colocar seu vestível como uma central de saúde no pulso de cada usuário: um leitor de eletrocardiograma.

Presente no novo Apple Watch Series 4, o recurso de ECG é proporcionado por dois eletrodos, um na parte inferior da caixa do relógio, em contato com o seu pulso, e outro posicionado na Digital Crown. Ao ativar a leitura e posicionar o seu dedo na pecinha giratória, cria-se um circuito fechado que é capaz de, em meros 30 segundos, fazer uma leitura do ritmo do seu coração e detectar possíveis anomalias, como a tão falada fibrilação atrial — um tipo de arritmia cardíaca que pode antever problemas sérios, como um AVC.

Essa é a descrição geral anunciada com pompa e circunstância pela Apple, ontem, mas há mais detalhes que precisam ser postos na mesa, aqui. Em primeiro lugar: sim, a tecnologia é fantástica e tem o potencial de salvar muitas vidas, mas não — ao contrário do que a Maçã anunciou, o Apple Watch Series 4 não é o primeiro dispositivo vendido diretamente para o consumidor com a capacidade de realizar um ECG no usuário. Nós mesmos comentamos algumas vezes aqui sobre a KardiaBand, pulseira da AliveCor justamente para o Watch que já oferecia essa capacidade há um tempo.

Além disso, é preciso tomar cuidado com a informação, divulgada pela Apple, de que o recurso de ECG do Watch já está liberado pela FDA (Food and Drug Administration, a “Anvisa americana”). Vejam bem: ser liberado é diferente de ser aprovado, e o aval da agência se refere apenas ao fato de que ela está dando o sinal verde para que a Maçã venda o relógio com a ferramenta em território americano e que os testes de ECG no Watch não machucarão ninguém ou trarão prejuízos aos usuários.

Apesar disso, a FDA não fez testes mais aprofundados com o reloginho e, portanto, não tem como aprová-lo no sentido de afirmar que seus resultados são fidedignos a ponto de substituir uma consulta médica. Em um documento enviado à Apple [PDF], a agência adiciona também que o ECG do Apple Watch só pode ser realizado com pessoas em total repouso e não é recomendável para usuários com menos de 22 anos, por não haver testes com esse tipo de público.

Recurso de eletrocardiograma (ECG) no Apple Watch Series 4

Mais importante ainda: pessoas que já tenham fibrilação atrial ou outros tipos de arritmia cardíaca não devem usar o recurso, já que ele não é uma ferramenta médica e seus resultados, além de não serem constantes (ou seja, o usuário precisa ativamente iniciar o teste para obter suas medidas), podem trazer falsos negativos que façam os pacientes ignorarem possíveis sintomas ou outros sinais de problemas à vista. No geral, a FDA classifica o ECG do Watch como um recurso “informacional” que pode ajudar usuários a detectarem uma condição até então desconhecida, mas não substitui acompanhamento médico de rotina ou exames específicos.

Por fim, é bom lembrar que o ECG do Apple Watch Series 4 não estará disponível no seu lançamento; a Maçã afirma que o recurso será disponibilizado “ainda este ano”, mas só nos EUA — os sites internacionais da Maçã sequer mencionam a funcionalidade. Isso acontece, claro, porque a empresa precisa obter a liberação do órgão de regulamentação da saúde pública de cada país, como já o fez com a FDA em sua terra natal (e terá que fazer com a Anvisa, aqui no Brasil).

Esperamos que a expansão seja rápida: mesmo que o eletrocardiograma do reloginho não venha para substituir a precisão de uma consulta com equipamento profissional, sua própria existência (junto à chegada de outros recursos, como a detecção de quedas) já significa um avanço considerável para o Apple Watch como a central de saúde que a Maçã tem planejado que ele seja e a funcionalidade pode, como já dissemos, de fato salvar vidas. Portanto, que venha o ECG no seu pulso!

via TechCrunch, MacRumors, Cult of Mac

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