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Apple usa corante para verificar componentes falsos de iPhones


Em 2013, a Apple precisou fechar — temporariamente — as portas da única loja que tinha em Shenzhen (China). O motivo? Em maio daquele ano, a tal Apple Store registrou mais de 2.000 reclamações e pedidos de reparos em apenas uma semana, mais do que qualquer outra loja de varejo da Apple no mundo, como divulgou o The Information1.

A companhia não pausou as atividades em Shenzhen por conta da grande quantidade de pedidos de reparo, mas sim devido a esquemas de fraude responsáveis por causar enormes prejuízos para a Apple. Ela descobriu que quadrilhas estavam roubando iPhones, trocando os seus componentes internos por outros falsificados e solicitando as substituições daqueles aparelhos que estavam dentro da garantia. Em seguida, eles vendiam os componentes internos originais e os iPhones que foram substituídos na Apple Store.

Em vez de envolver as autoridades chinesas — devido aos riscos de repercussão pública e publicidade negativa na mídia estatal —, a Apple mudou sua política interna e lançou um sistema de reservas online que exigia comprovante de compra dos gadgets antes dos reparos. Posteriormente, desenvolveu um software de diagnóstico responsável por identificar peças falsificadas nos iPhones.

Ainda assim, a Apple recebeu uma onda de clientes insatisfeitos e comentários negativos. Ou seja, o tiro saiu pela culatra. Quando souberam da mudança nas políticas de reparo, os suspeitos de praticar as fraudes começaram a fazer cenas nas lojas, obrigando a Maçã a alterar novamente as suas diretrizes.

Os dispositivos começaram, então, a serem inspecionados antes que os reparos fossem autorizados e os funcionários da companhia também começaram a imergir as baterias e as CPUs2 dos iPhones em um corante especial, que só poderia ser visto sob uma luz de alta frequência, para verificar a origem das peças.

A nova tática da Apple funcionou e as fraudes — em algumas regiões da China — caíram de 60% para cerca de 20%. Apesar disso, esse esquema renderá mais dor de cabeça para a companhia, já que casos parecidos estão surgindo em Apple Stores de outros países, incluindo a Turquia e os Emirados Árabes Unidos.

Acusações de políticas de reparo abusivas

O telejornal canadense The National investigou uma série de acusações contra a Apple relacionadas à política de reparo da companhia, incluindo o alto valor cobrado pela Maçã para realizar consertos e substituições de peças nas Apple Stores. A reportagem, divulgada pela CBC, começou com uma câmera escondida em uma loja da empresa em Toronto, onde o repórter apresentou um problema em um MacBook Pro.

Durante a inspeção, o atendente notou que havia muito líquido na parte interna da máquina e recomendou a substituição da placa lógica e da top case do notebook, o que custaria US$600 e US$500, respectivamente. Além disso, foram cobrados US$100 pela mão de obra, ou seja, US$1.200 por todo o reparo.

O mesmo MacBook Pro foi levado a uma loja de reparo não-autorizada da Apple, onde o dono da oficina, Louis Rossmann, descartou a hipótese de dano por líquido. Após constatar um pequeno defeito em um dos pinos do display, Rossmann afirmou que poderia ter oferecido ao cliente uma solução de curto prazo gratuitamente, no entanto, se o proprietário quisesse substituir as mesmas peças danificadas, ele estimou que o custo do reparo ficaria entre US$75 e US$150. 😳

A reportagem seguiu investigando os valores abusivos e o “direito de reparo”, um movimento forte nos Estados Unidos e no Canadá o qual exige que a Apple permita reparos e substituições em lojas terceirizadas, principalmente depois que esses dispositivos saem da garantia limitada da Maçã.

Apesar da discrepância entre os valores cobrados, o fato é que os funcionários da Maçã seguem uma política de reparo rígida que serve para milhares de dispositivos ao redor do mundo; diferentemente das lojas terceirizadas, que analisam e determinam valores a depender do problema específico de cada aparelho que entra nessas oficinas.

E você? Qual sua opinião sobre a política de reparo da Apple e os preços cobrados pela Maçã em relação às lojas terceirizadas?

via VentureBeat, AppleInsider

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