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Definindo o SOOS [atualizado]

ou, “Fogaréu!*

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Parte da série “O Sistema Operacional do Século XXI“. O capítulo anterior tentou definir Faíscas e necessidades. Começamos agora a parte que interessa (e compromete…).

Nossa definição padrão para um Sistema Operacional, generosamente persistida na Wikipédia, é a seguinte:

Um Sistema Operacional (SO) é um programa de computador que gerencia os recursos de hardware e software de um computador. Ele executa tarefas básicas como o controle e a alocação de memória, prioriza processos, controla dispositivos de entrada e saída, facilita a conexão com outras máquinas e gerencia arquivos. Ele também pode fornecer uma interface gráfica para o usuário.

No mesmo artigo da Wikipédia aprendemos que um SO oferece 7 tipos principais de… pasmem… SERVIÇOS! São eles:

  1. Processos
  2. Memória
  3. Discos e Arquivos
  4. Rede
  5. Segurança
  6. Interface
  7. Dispositivos

Então todo SO já é, por definição, orientado a serviços? Não. Não no conceito “novo” de orientação a serviços (que ainda mostrarei em algum ponto desta série levemente acoplada). Todo SO *oferece* ou *executa* uma série de serviços. Talvez eu devesse batizar essas idéias aqui compiladas de SOOU: SO orientado a Usuários! Mas soaria (sorry) demagogo e estranho demais.

Afinal, todo SO existe para funcionar como uma ponte entre a máquina e seus usuários. Essa é e deveria ser a única razão de sua existência. Mas nossos SO’s preocupam-se mais com as máquinas do que conosco. Reparem novamente na listinha de ‘serviços’ acima. E na definição mais acima. Cadê o Usuário? Ele é opcional…

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Podemos dividir a lista acima em três grandes grupos de serviços (anéis):

  • Auto-gestão: Processos, Memória, Discos e Arquivos
  • Conexão: Rede e Segurança
  • Interação: Interface e Dispositivos

Optei por ‘Auto-gestão‘ como nome do primeiro anel justamente para indicar que no novo SOOS se trata de ir um pouco além dos Processos, Memória, Discos e Arquivos. O SO do século XXI incluirá dois novos Serviços neste primeiro grupo:

  • Gerenciamento do Estado: como uma pessoa adulta, o computador (ou iPod, celular, TV, geladeira…) saberá dizer o que está sentindo. Sempre que se tratar de algo que ele mesmo não possa cuidar. Caso contrário, ele não deve incomodar seu proprietário. Vale para baterias vazias ou discos cheios, aquecimento de mais ou carinho de menos. O computador, assim como um robô do Asimov, deve proteger sua própria existência (lógico, desde que isso não represente nenhum tipo de problema para o seu usuário).
  • Conhecendo e Aprendendo com o Usuário: uma máquina, assim como um cachorro, deve conhecer seu dono. Na nova geração de SOs, os serviços básicos de aprendizado e de conhecimento do dono devem ficar no núcleo do SO. Num primeiro momento, a máquina deve conhecer seu usuário: sua voz, rosto, impressão digital, forma de uso do teclado e do mouse (é canhoto?) etc. Simultaneamente ele também deve aprender e memorizar os hábitos de uso de seu proprietário: horários, dias, duração das sessões, perfil das sessões por horário e dia, períodos de ‘hibernação’, e um imenso etc. Cada nova interação é uma nova oportunidade de aprendizado. E depois de um certo tempo, o computador (ou iPod, iTV, celular, liquidificador…) deve ser um amigo íntimo de seu dono. Deve conhecê-lo até mais que o próprio esposo ou amante. Aliás, o computador saberá da(o) amante)! Brincadeirinha… O importante aqui é indicar que a próxima geração de SO’s deve tornar nossos equipamentos menos passivos, menos estúpidos. A tecnologia tá toda aí. Só falta implementar. Reparem também que se trata de um serviço básico. As interfaces seguem em outro anel. Aqui a máquina está preocupada em conhecer e aprender com seu usuário. Mas não é esse serviço que “conversa” com o usuário. A “conversa” segue no terceiro anel, que será apresentado mais tarde.

É neste primeiro nível (anel) que a MS apresenta uma inovação de gosto e eficácia muito duvidosos em seu recém-lançado Windows Vista. A parte que trata de discos e arquivos inclui agora mecanismos de proteção de propriedade intelectual genericamente chamados DRM (Digital Rights Management). Este estudo do Peter Gutmann fala do “suicídio” que tal implementação pode representar. Engraçado é que não tem muito tempo que o próprio Bill Gates disse que DRM é um grande erro (em outras palavras, mas disse). Gastaram tempo e uma fortuna implementando uma ‘inovação’ que não foi solicitada por nenhum usuário – só pelas grandes gravadoras e estúdios de Hollywood. E não gastaram um mísero cent nos dois tipos de serviços apresentados acima.

Falarei sobre o segundo (conexão) e terceiro (interação) anéis nos próximos capítulos da série.

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* Fogaréu é o apelido que escolhi para o SOOS. Além da brincadeira com a ‘Fumaça’ e as ‘Faíscas’, ele tem um sentido: Seja num palito de fósforo ou num grande e tenebroso incêndio, o fogo é sempre fogo. É assim que eu vejo o SOOS, um carinha que mantém suas características fundamentais esteja ele num micro, iPod, TV, freezer etc. Não precisa ser o MESMO SO. As características básicas é que devem ser iguais ou compatíveis. Além, obviamente, dos protocolos de comunicação. Mas este é assunto do próximo post.

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Atualização (28/dez): O IDGNow! de hoje fala sobre o mesmo estudo do Gutmann que citei acima. E toca num ponto que eu ignorei, mas que pode ser ainda mais representativo: o sistema de proteção do Vista (aka DRM) também afeta drivers (ou motoristas, hehe). De uma forma que pode comprometer o funcionamento de vários periféricos e componentes centrais (como as placas de vídeo, por exemplo). Até o IDGNow! sugeriu o seguinte: as ‘brincadeirinhas’ da MS…

…”podem se provar um catalisador contra a Microsoft para aumentar a popularidade de sistemas como o Linux ou o Mac OS, da Apple, entre desktops domésticos“.

Somando DRM, WGA (Windows Genuine Advantage) e os novos requisitos de hardware, não é difícil fazer algumas previsões ‘nebulosas’ sobre o futuro do Vista. Mas o perigo real e imediato é outro, ainda distante do Linux e da Apple: o XP terá vida longa, especialmente nas empresas. Para desgosto da turma de Redmond.

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