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WALL•E: primeiras impressões do novo filmão da Pixar

Hoje tive o prazer de assistir à estréia de WALL•E. Fiquei completamente encantada com o filme, que debate de maneira madura e graciosa temas que comentamos em nosso dia-a-dia: a poluição e os problemas ambientais, que na verdade servem como um pano de fundo para discussões de temas mais pessoais e complexos.

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Wall-E no monte de lixo

Vou expor minhas primeiras opiniões sobre o filme, tentando não descrever os eventos, mas expondo o tom da obra. Mesmo assim, contém spoilers. Continue a ler por sua própria conta e risco! 😛

Com referências fortes à maior obra de Stanley Kubrick, 2001: Uma Odisséia no Espaço, WALL•E faz uma análise densa, porém mais positiva, do tema central que o grande cineasta abordou em toda a sua filmografia: o comportamento humano. Com várias metáforas e referências à era espacial e tecnológica, WALL•E foi alardeado como um dos filmes mais ambiciosos da Pixar, e com razão: a produtora deu uma cutucada no meio em que se encontra e ao qual está relacionada.

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WALL•E mora e trabalha sozinho, imerso em uma cidade de lixo, a qual ele próprio ajudou a dar forma. Seus dias se resumiriam a formar blocos de detritos e empilhá-los, se ele não fosse dotado de curiosidade, sensibilidade e engenhosidade infantis: tendo como única companhia uma barata, ser que miticamente sobrevive até a catástrofes atômicas e pelo qual nutrimos enorme nojo, o robôzinho tenta suprir sua carência ao criar seu mundo de fantasia a partir de objetos encontrados em meio aos montes colossais de lixo. Sua falta de conhecimento sobre a utilidade de tais objetos e sobre os humanos que ali os deixaram — a única referência de WALL•E é uma fita cassete do filme Hello, Dolly — rendem cenas bastante cômicas e emocionantes do robôzinho. A forma com que ele dá valor e significado a essas bugigangas tão simples nos mostra toda a carência armazenada ao longo dos seus anos de isolamento, só quebrado pela chegada estonteante de Eva, uma robô femme fatale, por quem WALL•E se apaixona completamente, e que dará o pontapé inicial ao que considero o tema central do filme: a liberdade.

Wall-E no espaçoO filme é uma crítica voraz ao modelo de comportamento adotado por boa parte da população mundial: o deslumbramento com a tecnologia, que nos distancia mesmo quando estamos tão perto, que nos escraviza e nos manipula desde os nossos primeiros anos. Com os olhos pregados nela, sustentados pelo corporativismo e um marketing cada vez mais manipulativo, não percebemos coisas óbvias ao nosso redor, e obedecemos a “ordens” de maneira automática, sem ao menos nos dar conta de nossas ações. No filme, existe apenas uma empresa, que detém monopólio completo, totalitário, de tudo que é consumido: a BuynLarge. Sim, de forma bonitinha e caricata, Andrew Stanton orquestrou boa parte do pensamento crítico ao qual começamos a nos submeter, agora que percebemos o quanto nosso modo de vida pode gerar conseqüências graves.

Com pouquíssimas frases, os robôs de WALL•E conseguem se comunicar muito mais através de gestos e da cumplicidade crescente do que os humanos tagarelas, que cultivam relacionamentos virtuais à distância e passam o tempo todo parados, tão próximos e tão distantes, sem olhar para o lado com a atenção devida, sem fazer nada realmente útil, cercados de subalternos criados de acordo com suas necessidades (e que são reprimidos se não seguirem as regras). Ironicamente, são os robôs, os produtos supremos da tecnologia, que regem toda a parte emocional do filme. Divertem-se, sofrem e se apaixonam (e me deixaram emocionada 😛 ), enquanto os humanos, privados de referências terráqueas por seu isolamento numa “caixa de metal”, desconhecem coisas simples como a terra. Nah, não o planeta Terra. O solo em que pisamos, mesmo. Fazendas, plantações, árvores e companhia. Robôs se apaixonam completamente. Humanos não conseguem ver nada além de blocos de texto e imagens nas telinhas projetadas em sua frente. Bah.

WALL•E critica bastante, de forma um tanto exagerada e caricata, claro, e utiliza de linguagem verbal e gráfica simples, ao contrário do clássico espacial dos 60. É ótimo que exponha a sua opinião de maneira clara, mas sem simplificá-la exageradamente a ponto de perder a densidade, como a Disney tanto já fez ao adaptar algumas obras literárias para as telas.

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Mesmo com temática central infantil e personagens que parecem de brinquedo, carrega mensagem muito parecida com a do clássico de Kubrick: ainda que nosso corpo se torne um tanto ingrato com o passar do tempo e com a adaptação ao meio, este não consegue deteriorar a curiosidade, a sensibilidade, a vontade de sobreviver, mudar e evoluir. A “alienação” à qual somos submetidos (ou nos submetemos) pode ser quebrada através de um gesto mínimo, de uma faísca, desde que tenhamos a capacidade de perceber, e mais importante, aceitar.

Wall-E e Eva

Bonitinho, né? Se leu, mas ainda não viu, corra para o cinema! 🙂

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