ARM poderá licenciar processadores para a Apple

Um recente anúncio feito pela ARM revelou que a companhia firmou há pouco tempo um novo e profundo contrato de licenciamento da sua arquitetura de processadores com “uma OEM não-identificada”. OEM, caso você não saiba, significa Original Equipment Manufacturer (algo como “Fabricante Original do Equipamento”).

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O acordo permitirá que a fabricante desenvolva sua própria implementação de processadores ARM, que ficará responsável pela sua distribuição e licenciamento para outras empresas (ou não).

Em conferência para divulgação dos resultados financeiros do seu último trimestre fiscal, o CEO da ARM explicou o porquê de uma companhia se interessar neste tipo de licença: “Algumas fabricantes de portáteis desejam ter mais controle sobre seus produtos, incluindo os seus componentes. É simples assim. O modelo de negócios da ARM oferece tal nível de controle e é por isso que uma determinada empresa mostrou interesse, tendo recursos técnicos disponíveis para tal”, disse Warren East.

A crença de que a Apple é o grande nome não divulgado é bastante grande. O iPhone é composto hoje — acredite se quiser — por cinco núcleos de processadores ARM, de diversos fabricantes. Some isso à recente aquisição da PA Semi, que trouxe para a Apple um indivíduo chamado Dan Dobberpuhl, até então CEO da empresa. Este cara liderou a equipe da Digital Equipment, responsável pelo desenvolvimento do processador StrongARM através de um licenciamento de arquitetura com a ARM bastante parecido. O próprio Steve Jobs já revelou planos da Apple de desenvolver chips para futuros iPods e iPhones, a partir da compra da PA Semi.

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Se a Apple estiver mesmo na jogada da ARM, isso mostraria uma forte intenção dela voltar a uma situação semelhante à qual estava antes de anunciar a migração dos Macs para processadores Intel, em 2005. De lá pra cá, eles se tornaram, internamente, bastante semelhantes aos PCs (de marca e qualidade, é bom observar) convencionais, facilitando muito o aparecimento de clones dos mais variados.

Ter os recursos e se encarregar do desenvolvimento de chipsets móveis customizados utilizando núcleos ARM permitirá que a companhia crie dispositivos portáteis mais eficientes e difíceis de serem copiados. O próprio Zune, da Microsoft, é uma cópia quase idêntica do iPod em termos de hardware (só faltou copiarem bem o software, é claro).

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Muitos podem se questionar se essas novidades afetariam o relacionamento da Apple com a Intel; muito pelo contrário. A parceria entre as duas empresas deverá acelerar e facilitar os trabalhos com a ARM, abrindo portas para o uso conjunto de processadores e/ou núcleos de ambas Intel e ARM, diferenciando ainda mais as ofertas da Apple, ao mesmo tempo em que retém compatibilidade com softwares já existentes.

Enquanto isso, a Apple continua trabalhando fortemente no Mac OS X 10.6 Snow Leopard, que trará, entre outros, recursos para gerenciamento de processos (Grand Central) e delegação de hardware (OpenCL), garantindo o suporte via software de que a Apple necessita para começar a explorar as novidades que emergirem da sua aquisição da PA Semi. Isso poderá abrir portas para uma nova leva de Macs com um grande salto em recursos e performance, comparados com as ofertas atuais.

A Intel poderá, até mesmo, funcionar como uma fabricante especializada dos chips ARM da Apple, uma vez que esta não possui uma fábrica de chips própria. Ou, caso seja do seu interesse, a Maçã poderá muito bem reafirmar suas parcerias com a Samsung ou com a Texas Instruments — esta, inclusive, uma das que primeiro investiram na PA Semi e com altas chances de ser a sua fornecedora de componentes.

O tempo dirá.

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