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Pixel Show 2008: aula de profissionalismo e criatividade

Rolou no último final de semana, em São Paulo — mais precisamente no Memorial da América Latina —, o Pixel Show 2008, evento que deixou todo mundo (cerca de 900 participantes) boquiaberto — inclusive esta que vos escreve. Estive lá representando o MacMagazine e também fiquei de queixo caído: o comentário mais ouvido entre uma palestra e outra era: “Eu não esperava tudo isso!” Profissionalismo foi o tom, nos dois dias do evento!

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A organização, a cargo da equipe da Zupi, foi ótima. Acho que o único porém foi a falta de cadeiras pra todo mundo nas palestras. Os atrasildos tinham que ficar de pé (castigo, talvez? — aconteceu comigo no domingo e foi triste…) mas, fora esse detalhe, tudo foi de máxima qualidade.

Tinha gente de Brasília, Rio de Janeiro, do Sul, do Nordeste, do interior daqui de Sampa… tudo quanto é lugar! Quem me acompanhou nas palestras e me ajudou com as fotos foi o Xico, leitor fiel do MM, e seus amigos: o Marcelo e o Lucas (valeeeu galera!). A Feira de Arte e Design, que acontecia do lado de fora do auditório, ficou lotada e os dois painéis para live painting foram devidamente preenchidos; muita gente deixou, ali, sua marca.

O live painting rolou nos dois dias do evento.
O live painting rolou nos dois dias do evento.

Bom, chega de blá, blá, blá! 😛 Vou contar um pouco do que foi cada palestra deste fim de semana.

Visorama. Quem lembra dos cariocas Elesbão e Haroldinho (Design de bolso)? Pois bem, eles estão aí, mas agora com o Visorama, diversões eletrônicas. Quem representou o escritório foi o Haroldo e o Mateus, que vieram para o PS com a missão de falar do Motion Design e como é manipular o tempo. Falaram sobre a importância de saber manipular as limitações de qualquer projeto, sejam elas limitações das pessoas, do tempo, do dinheiro e do cliente. Para Haroldo, “cultura não ocupa espaço”, portanto o designer tem que ir atrás de informação e cultura, sempre.

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Greg Tocchini. Desenhista, atualmente realizando trabalhos para a Marvel Comics, veio falar de HQ pro pessoal da PS. No começo, sofreu com o projetor que insistia em não funcionar, mas logo ficou mais à vontade e expôs pra galera o que é essa idéia de sequencialidade nos quadrinhos, como funciona o ritmo entre os quadros e a força visual da linha. Seus desenhos são sensacionais, de uma qualidade ímpar. Ter tido a chance de ouvi-lo explicar como pensa o funcionamento de cada página valeu demais.

André Cypriano. O fotógrafo, autor de um fantástico ensaio sobre a Rocinha, veio dividir suas experiências e seu lema: “estar atrás do desconhecido”. Atualmente, André trabalha como documentarista autoral e suas fotos são carregadas de emoção e verdade. Seja de Bali ou de um dos moradores da Rocinha, não tem como passar batido por elas, pois prendem, chamam e você deseja olhar mais pra entender os olhares e gestos. Mostrou seu trabalho mais famoso, realizado no presídio da Ilha Grande, onde nasceu o Comando Vermelho no Rio; seus retratos dos remanescentes do último quilombo e da maior favelas de Caracas.

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Combustion. Marcelo Baldin veio explicar na PS o que é Sound Design (relembrando: música não é sound design, é o propósito de colocar emoção na peça). Conseguiu e ainda nos fez entender o que é uma peça boa de sound design e o que não é. Expôs sua preocupação com a “falta de experimentalismo” que vê no Brasil e que procura ouvir música de todos os tipos — até o que não gosta —, para poder criar repertório e entender melhor o gosto dos clientes.

Ian Strawn. Primeira presença internacional do PS, o artista plástico norte-americano Ian Strawn foi, de longe, o melhor da noite. Simpático, com muito bom humor e sinceridade, Ian procurou explicar como formou seu estilo tão característico de retratar pessoas. Falou sobre sua busca para encontrar um estilo próprio e de como sua criação (seu pai era designer, e sua mãe, artista plástica) influenciou na sua criatividade. Pra ninguém perder nada, a organização disponibilizou fones de ouvido para a tradução simultânea.

Algumas cenas da PS: Greg Tocchini, Ian Strawn e André Cypriano
Algumas cenas da PS: Greg Tocchini, Ian Strawn e André Cypriano

Mopa. Os brasilienses do Mopa encararam o desafio de abrir o segundo dia do evento, logo no domingão cedo! Mas tiraram de letra e fizeram uma palestra sobre o tema Ilustração com a casa cheia. Reforçaram bem a idéia do experimentalismo, do designer diversificar e propor novos trabalhos.

Jum Nakao. O estilista e diretor de criação Jum Nakao fez questão de participar a todos sua impressão sobre a casa cheia em pleno domingão cedo: “Vejo que há uma preocupação de entender o desenvolvimento do pensamento no processo de criação, e isso é muito bom.” Ele lembrou, também, seu polêmico (e último) desfile na São Paulo Fashion Week de 2004, quando sua coleção foi feita em papel vegetal e, ao final do desfile, as modelos rasgaram as roupas. Apresentou trabalhos desenvolvidos para a Brastemp, agências de publicidade e outros.

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Gringo. Agora o tema era Webdesign e quem veio contar tudo foi o Paulo, diretor de arte da agência. Apresentou a empresa como irreverente, memorável e desequilibrada. Sim, desequilibrada! Trouxe uma nova forma de pensar os projetos, não mais de forma linear, mas sim cíclica, envolvendo todos para que, assim, as chances de surgir boas idéias sejam maiores. Com essa forma nova de gerenciamento e criação, a Gringo tem crescido e abocanhado contas de peso no mercado, como a da Coca Cola.

Tatoo. A penúltima palestra do Pixel foi de Tatoo, designer que já trabalhou como diretor de criação da Cavalera. Ele já chegou definindo qual era nossa relação naquela tarde: ele falaria ali ou com profissionais/parceiros, ou com clientes, portanto o papo seria aberto para podermos aproveitar ao máximo a troca de idéias que começaria. Primeiro, situou a galera sobre seu tema “Stencial” (caracterizado pelo grafite com molde) e falou sobre sua preferência pelo estilo europeu de grafite, de como essa vertente se tornou conhecida como arte urbana. Depois, procurou mostrar sua visão sobre a vida, citando exemplos do dia-a-dia do seu trabalho e de como podemos usar a landragem para o bem e não apenas para o mal. Reforçou, várias vezes, que nós, designers, temos a responsabilidade de levar informação aos outros, de levar a mudança pro mundo. Foi aplaudido de pé pela galera.

Molho. Representado por Marcelo Garcia, diretor de criação, teve como tema o Motion Design. Trabalhou em vários escritórios da Europa e dos EUA e lá desenvolveu seu processo de experimentação. Ele procura juntar em seus trabalhos o lúdico, o movimento e a abstração. Também procurou passar como podemos lidar com as limitações de cada projeto/cliente e como ele tenta sempre reverter isso para valorizar o trabalho.

E aí, acabou! Ainda aconteceram sorteios de vários presentes para a galera. O Pixel Show deixou gostinho de quero mais!

Que venha 2009!! 😀

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