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O bom e o ruim de um iPhone “HD”

iPhone 4G adquirido pelo Gizmodo

Quando o Gizmodo colocou as mãos em um protótipo da próxima geração do iPhone (história essa que ainda estou tentando entender, mas não vem ao caso), uma das coisas que eles notaram ao conectar o aparelho via iTunes era que os (poucos) gráficos gerados por ele tornavam impossível a distinção dos pixels na tela. Pixelização é algo que estamos habituados a ver com um pouco de atenção em nossos atuais iPhones e iPods touch, mas o fato de ser impossível notar isso no tal protótipo é um indicativo de que a próxima geração de gadgets da Apple virá com telas de maior resolução.

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iPhone 4G adquirido pelo Gizmodo

Como a blogosfera gosta de trabalhar rápido, já tem gente chamando o iPhone descoberto pelo Gizmodo de iPhone “HD” — fazendo referência à sua tela de alta resolução (960×640 pixels), que teoricamente é compatível com reprodução de vídeos em igual qualidade. Para quem gosta de consumir esse tipo de conteúdo, ter um novo smartphone da Apple (ou, posteriormente, um iPod) com uma tela dessas é muito bom, pois tira do iPad a exclusividade de assistir a filmes e programas de TV em alta definição em qualquer lugar.

Há de se questionar, contudo, se uma mudança dessas faz tanto sentido em um dispositivo móvel cujas dimensões de tela permanecerão iguais. John Gruber, autor do blog Daring Fireball, acredita que a Apple está buscando isso para fazer com que as telas dos seus futuros gadgets ofereçam uma qualidade óptica similar à de conteúdo impresso, graças ao aumento da densidade de pixels — atualmente, essa densidade é de aproximadamente 160 pixels por polegada, mas, com uma tela de 960×640 pixels, esse valor sobe para aproximadamente 320 pixels por polegada.

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Obviamente, isso está longe de se comparar à densidade de pixels de qualquer material impresso, estimada em 600 pontos por polegada. Porém, graças aos processos de suavização que a Apple utiliza em seus sistemas gráficos desde o início do Mac OS X, seria possível “disfarçar” essa diferença e oferecer uma qualidade similar.

Limitações físicas

Teoricamente, telas de maior resolução serão um fator positivo para iPhones e iPods touch, mas no futuro. Neste momento, existe uma preocupação entre designers e desenvolvedores sobre como um aplicativo ou site criado para uma resolução de 320×480 pixels se comportará em uma tela com o quádruplo de pixels a serem preenchidos.

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No que diz respeito às implicações físicas, a Apple já resolveu esse problema no Mac OS X (e eu já disse isso), com o suporte a Resolution Independence que apareceu no Leopard. Mas o iPhone OS não suporta isso: por mais que um aplicativo consiga ser redimensionado à força para preencher todos os pixels de uma tela, atualmente é impossível manter a mesma legibilidade dos elementos — como acontece no caso do iPad ao rodar apps criados para o iPhone.

Vale lembrar aqui que isso talvez não aconteça no caso de um iPhone nas mesmas dimensões com uma tela “HD”, considerando que a Apple tornará a função “2X” do iPad o padrão nesse caso. Contudo, para desencargo de consciência, seria interessante que a empresa incluísse no seu SDK os mesmos recursos do Mac OS X para adaptar a interface (e o conteúdo) dos aplicativos em múltiplas resoluções, visando oferecer a melhor qualidade visual dos aplicativos em qualquer caso.

No ponto de vista de um desenvolvedor para o Mac OS X, há pouco a se fazer para suportar isso em aplicativos, pois o sistema fornece os recursos necessários para redimensionar textos e gráficos vetoriais conforme necessário (e possível). A implicação disso é ter que suportar TIFFs e PDFs como elementos para criação de interfaces no iPhone OS, que exigem um pouco mais do seu hardware para serem processados devido à falta de suporte a compressão (como acontece em imagens comuns).

Limitações de hardware

Aqui, a coisa fica ainda mais complicada. Conforme o desenvolvedor Marco Arment destacou em seu blog, integrar uma tela de alta resolução a um iPhone traz uma série de implicações em termos de custos que usuários e desenvolvedores não encarariam com muita confiança: essas telas são mais caras, então o preço dos aparelhos se tornaria maior para os interessados em adquiri-los.

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Além disso, quanto mais pixels existirem para preencher com conteúdos em um iPhone, mais recursos de processador, memória e energia serão necessários, o que diminuiria a duração da bateria dos aparelhos. É claro que esses são obstáculos que muitas fabricantes aliadas ao Android já deixaram para trás, mas até hoje existem análises que cogitam a possibilidade de a qualidade gráfica de um Nexus One ser inferior que à de um iPhone.

Na minha opinião, o que deve ficar claro para Apple no processo de fazer do próximo iPhone um modelo “HD” é uma frase que eu ouço constantemente: “faça direito, ou não faça”. Se todas as especulações sobre o assunto se concretizarem, certamente ela trará um diferencial para isso no seu novo smartphone — o que eu espero ser algo além de filmagens em maior resolução.

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