Halex bodejando: aqui, eu defendo a liberdade

iPhone com jailbreak (corrente)

Quero abrir este post com uma pequena nota: já faz mais de dois anos que estou no MacMagazine! Quem diria, eu publiquei meu primeiro post aqui em abril de 2008. Quando cheguei, eu era apenas um n00b tolo e pretensioso — hoje eu sou um pouco menos n00b.

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Mas, já que o assunto central deste texto é “liberdade”, permita-me fazer um gancho. Nestes dois anos, eu procurei contribuir das mais variadas maneiras para o MacMagazine, sempre sugerindo coisas das mais loucas para o Rafael. Umas viraram realidade, outras ficaram no fundo da caixa de sugestões. Será que eu posso dizer que não desfruto de uma existência livre, aqui? Serei eu um iPhone desesperadamente necessitado de jailbreak?

LIBERDAAAAAAADEEEEEEE!

“Liberdade” é uma coisa engraçada, principalmente porque é complicado defini-la. Em 423 posts, o conteúdo de meus textos nunca foi alterado unilateralmente, mesmo quando me deu a louca semana passada e eu resolvi exagerar tanto na ironia que pouquíssimas pessoas souberam diferenciar as alegações ridículas dos argumentos sensatos. Inclusive deixei a dúvida no ar e respondi alguns comentários de forma ambígua só pra ver até onde ia, em vez de esclarecer tudo de vez. Em todo caso… Bazinga!

Voltando ao tema, algumas ideias que tive aqui no MacMagazine foram barradas. Mas isso não quer dizer que não sou livre, pois assim como eu exerço minha liberdade, o Rafael também o faz, e a dele começa exatamente onde a minha termina. Princípios não são binários: não é “tudo ou nada”. No caso concreto, um princípio pode ser temporariamente afastado para não ofender outro, considerado mais importante naquela circunstância. Por exemplo: o direito à informação assegura a liberdade da mídia e é essencial em qualquer democracia, mas ele termina exatamente onde começa o direito à privacidade.

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Aos mais revolucionários: antes de dizer que a liberdade deve ser absoluta e irrestrita, melhor se livrar de coisas “ditatoriais” como monogamia, autoridade, propriedade privada, segurança, Estado e monoteísmo. Ou então consultar literatura especializada em limites.

Muita gente tem enchido a boca para dizer o quanto as atitudes da Apple são “ditatoriais”. Mas o que é uma ditadura, no mundo empresarial? Se a Apple é mesmo uma “empresa ditadora”, o mesmo vale para qualquer outra companhia capitalista no planeta! Afinal de contas, qual é a empresa que dá total liberdade para os clientes? Você marca consultas numa clínica médica na hora que bem quer ou apenas nos horários disponíveis?

Tomemos um exemplo mais próximo do cerne da questão: os videogames sempre foram sistemas fechados. Jogos de uma plataforma não rodam na outra, todo mundo sabe disso na hora de comprar. Ou será que a Sony deveria limitar o potencial dos jogos para PS3, de forma que todos sejam também compatíveis com o Wii? Por que só agora as pessoas estão se queixando dos benefícios que esse tipo de sistema fechado oferece? Por que ninguém nunca se queixou da completa falta de jogos pornográficos para videogames, especialmente agora que as crianças da década de 1980 são homens e mulheres adultos que continuam jogando?

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Esse tipo de coisa acontece porque todos nós somos livres: eu, você e as empresas. A liberdade das companhias garante que elas possam criar produtos com as limitações que julgarem necessárias. Poder instalar o que quiser no iPhone OS, por exemplo, é deixado de lado para proporcionar uma experiência de uso mais sólida sem que o usuário tenha que ser babá do telefone. Mas ninguém precisa se sujeitar a isso, se não quiser: a Apple não obriga ninguém a usar um gadget ou a desenvolver apps/sites compatíveis com ele. As pessoas vão porque acham que uma coisa (falta de liberdade/Flash) compensa a outra (estabilidade e segurança; público-alvo). Agora, se você se sente obrigado só porque quer estar “na moda”, vá arrumar uma personalidade!

Mas quer saber o que é uma ditadura? Ditadura é uma empresa acomodada querer sustentar seu lucro se pintando como “defensora da liberdade”. E, para deixar bem claro desta vez, estou falando da Adobe: se ela quer que a internet continue dependendo do Flash para tudo, pois que nos dê motivos! Só uma dica: vídeo tá longe de ser a aplicação matadora do plugin.

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Aos indignados com os últimos acontecimentos, eu digo e repito: aviltante não é a Apple chamar a polícia porque alguém se apropriou indevidamente de algo que era dela (defensores da Lei de Gerson, otários são vocês); aviltante é a Adobe interpelar uma agência governamental para investigar práticas monopolistas da Apple numa plataforma criada do zero pela… Apple. O que vem depois? A Nintendo ser acusada de ter o “monopólio dos jogos para Wii” ou explorar com exclusividade os jogos com Pokémons? Oh, a humanidade!

Steve Jobs na TIMEPra encerrar, quem trata Jobs como um deus não são os fanboys, mas os concorrentes, que se acovardam e pedem socorro sempre que a Apple faz qualquer coisa. Eles falam, falam, falam e eu só escuto “Mimimi, mimimi, mimimi, eu sou incapaz de concorrer!” Ora, onde já se viu, uma empresa que produz só um (01, hum) modelo de telefone ficar sendo bombardeada como se tivesse feito o mundo de refém? E desde quando associar “Apple” com “monopólio” faz algum sentido?

Não é o Jobs quem está tirando a liberdade dos outros: são uns sabichões por aí que querem controlar tudo o que a empresa do cara faz ou deixa de fazer. Blu-ray no Mac, USB no iPad, Flash e pornografia no iPhone OS, descontrole na App Store… Se você não gosta de alguma coisa, faça como eu: NÃO COMPRE e seja livre!

And that, as they say, is that.

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