Teve muita gente que disse, há tempos, que se a Apple não lançasse um netbook, ela ia sofrer. A resposta veio na forma de uma tablet, o iPad. Aí algumas pessoas torceram o nariz, reclamando a falta de portas USB, Finder, Mac OS X, teclado, Flash, flash, câmera… O argumento principal era de que um netbook tem muito mais recursos e pode fazer muito mais coisas que o iPad. Pena que netbooks sejam um porre de usar.
“Foi bom, estar no topo por um tempo…” [Foto: Gizmodo.]
Mas falemos de números, pois eles não mentem nem odeiam irracionalmente tudo o que uma empresa faz: o DigiTimes publicou hoje números que a ASUS anunciou em uma conferência com investidores. Acompanhe só o desempenho de netbooks ao longo de 2010: 1,6 milhão de Eees vendidos no Q1; 1,5 milhão no Q2, e 1,4 milhão de vendas previstas para o Q3. Caindo, certo? “Ah, mas nem tanto: só 100 mil por trimestre!” O problema é que o terceiro trimestre é quando a ASUS costuma vender mais Eee PCs no ano inteiro.
A situação é grave, mas pode piorar. Matemática para iniciantes: quantos netbooks a ASUS vendeu em dois trimestres? Uns 3,1 milhões. E quantos iPads a Apple vendeu, só no trimestre passado? Uns 3,27 milhões. Danou-se.
A brilhante solução da ASUS para se salvar é criar três “iPadversários”: uma tablet de 12″ rodando uma versão castrada do Windows 7 Windows Embedded Compact 7 (Intel; US$1.000) em dezembro de 2010 ou janeiro de 2011; outra, de 9″, com Linux (ARM; US$300) em outubro de 2010, e mais outra, de 10″, com Android (ARM + Tegra; US$<400), em março de 2011. Essas tablets serão chamadas de Eee Pad (Windows, Android) e Eee Note (Linux).
Pelo que entendi, a estratégia da ASUS é algo na linha “ao sofrer pressão de um produto absurdamente focado, deve-se atirar pra todo lado e lançar um zoológico de gadgets”. Não sou um especialista em mercado, mas isso parece mais com um sinal de desespero irracional do que com um plano. 🙁
[via 9 to 5 Mac]