Dica de leitura: Matt Mullenweg falando sobre versões 1.0, vergonha e Apple

Todos os iPods shuffle

Uma das minhas frases favoritas, que eu costumo repetir mentalmente sempre que algo bom/ruim acontece é “This too shall pass”. Daí eu encontrei uma forma menos séria de dizer a mesma coisa e passei a dizer que “1, 2, 3, 4: They keep changin’ the iPod!” Mas aí vem a pergunta: por que diabos a Apple muda os iPods dela todo ano? É só crueldade?

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Todos os iPods shuffle

Matt Mullenweg captou muito bem uma faceta desse comportamento da Maçã em um ensaio interessantíssimo, que chegou a ser publicado “em versão 1.0” no livro Do More Faster, de David Cohen e Brad Felt. Depois de dizer que nada deixa Infinite Loop e ganha o mundo antes de estar polido e acabado, Matt emenda logo dizendo que gosta da Apple “exatamente pelo motivo oposto: lá, eles não têm medo de lançar uma versão 1.0 rudimentar no mundo.”

Daí ele começa a falar do primeiro iPhone, salpicando trechos de reviews do primeiro iPod entre seus parágrafos. É genial: com isso, Matt mostra como as coisas evoluíram nos produtos da Apple e, paralelamente, conta como seu trabalho com o WordPress (ei, o MacMagazine usa WP!) muitas vezes pareceu paralisado por faltar-lhe a disciplina de lançar “versões 1.0”, mesmo que incompletas.

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O “One more thing…” (não o das Stevenotes!), por exemplo, é um veneno: “vou só colocar mais um recurso, só corrigir mais um bug”, e o lançamento de hoje é adiado pra semana que vem, pro ano que vem, pra nunca, e, quando você vê, seu produto virou o Duke Nukem Forever. O conselho é: “Se você não se sentir envergonhado ao lançar uma versão 1.0, é porque você esperou demais!”

Aí eu volto ao ponto em que comecei: por que lançar um produto novo todo ano? Para corrigir os erros do anterior. “O uso é como oxigênio para ideias”, escreveu Matt. Se o iPod shuffle sem botões não emplacou, no ano que vem os botões voltam! Se seu produto saiu com um problema, lance uma versão 1.1, corra atrás da excelência, não permita que a primeira impressão fique por tempo demais. No fim das contas, é preciso encontrar um equilíbrio entre o perfeccionismo e a necessidade de olhar pro seu projeto e dizer “Vai lá e arrasa!” E, pra fechar, Matt ainda coloca uma frase de Steve Jobs: “Real artists ship.”

Um texto desses faz a gente parar pra pensar em projetos que não saíram do papel porque ainda não estavam “bons o bastante”… Você tem algum desses engavetado? Conte sua história nos comentários! 😉

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