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A “Black Friday” e o dilema dos preços de um Apple no Brasil [atualizado]

Logo da Apple com bandeira do Brasil

por Elton Cardoso

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Logo da Apple com bandeira do BrasilAmanhã, 26 de novembro, a Apple promoverá um dia especial de ofertas em sua loja virtual brasileira, evento que também acontecerá nas Retail e Online Stores norte-americanas por conta do Dia de Ação de Graças (Thanksgiving), no Hemisfério Norte. Naturalmente, a expectativa é que a redução dos preços aqueça as vendas e contribua positivamente com o balanço financeiro da Maçã neste fim de ano.

Mas a versão tupiniquim da Black Friday torna oportuna a discussão da dinâmica de preços dos produtos da Apple no Brasil, sobretudo quando se leva em conta os valores praticados nos Estados Unidos e nos países em que a marca já dispõe de revendas físicas. O surgimento de rumores acerca do lançamento oficial do iPad na terra brasilis em dezembro foi suficiente para despertar comentários do tipo: “iPad por R$1.800? Um absurdo! Em conversão direta ele custaria R$860, blá, blá, blá…” Com o iPhone foi a mesma coisa. E a ladainha se repete sempre que um novo gadget da firma de Cupertino aterrissa por aqui.

O direito à reclamação é legítimo, mas os choramingões sempre esquecem que o mercado neoliberal não funciona com base na compaixão. Tio Jobs não irá baixar o preço do iPod só porque eu, mero assalariado, não posso pagar pelo aparelho, mesmo que ele seja o item número um da minha lista de desejos. Além disso, o governo brasileiro não abrirá mão do protecionismo econômico nacional, eximindo a Apple do pagamento dos R$197 cobrados pela importação do novo iPod nano, só para que eu possa adquiri-lo por um preço mais justo ou, pelo menos, mais próximo daquele encontrado no mercado de origem.

Impostos e taxas dos iPods nano no Brasil

Eu não estou defendendo nenhum dos dois lados, seja o da a empresa ou o do Estado. Só estou dizendo que é dessa forma que o “jogo” funciona e, portanto, pouco pode ser feito no sentido da mudança, visto que alterar os critérios de tributação de itens importados é algo que ainda não figura na agenda de nossos ilustres governantes.

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Outro ponto importante quando se discute esta questão é que a Apple não vende produtos: ela vende objetos de desejo. Isso significa que, na maioria das vezes, ainda que eu não possa arcar com o custo de um MacBook Pro de 13″ (que, lá, sai por US$1.200; aqui, por R$3.800!), sonho de consumo de vários Mac users, certamente eu me esforçarei para adquiri-lo, seja poupando uma grana ou comprando-o parcelado, no cartão de crédito. Sem dúvida alguma, não faltarão reclamadores de plantão para questionar minha sanidade mental, alegando os fatores que citei anteriormente, ou tentando me persuadir a apoiar iniciativas nacionais e/ou optar por projetos de código aberto, no caso de softwares e sistemas operacionais. Mas eu os desafio a encontrar produtos com qualidade e custo/benefício à altura, de modo que esse é o preço que nós, apreciadores de tais quesitos (qualidade, custo/benefício, etc.), estamos dispostos a pagar.

No fim das contas, trata-se apenas de uma questão de opção. Se um iPhone 4 está além das suas condições financeiras e você o deseja profundamente, compre um falsificado chinês (um HiPhone, talvez!) e tire as suas próprias conclusões. Se comprá-lo diretamente em Miami ou via “estratégias não-oficiais” de importação são alternativas infinitamente mais baratas, vá em frente! Assuma o risco. Mas não perca seu tempo resmungando a torto e a direito, porque isso não fará a situação mudar. Se bem que você pode tentar liderar uma campanha para que o Eike Batista agilize o processo de abertura de uma montadora da Maçã no Brasil. Quem sabe dê certo? ;-P

Atualização (às 17h50)

Como o texto acabou suscitando reações extremadas por parte de alguns leitores, achei por bem abrir uns parênteses. Para os que não entenderam a ironia do texto, a minha crítica vai para aqueles que reclamam e, ainda assim, compram os produtos que eles mesmos julgavam caros. Nesse caso, a reclamação (mesmo sendo um direito de cada um), acaba sendo em vão porque esse indivíduo só contribuiu para que a situação continuasse da mesma forma. Enquanto continuarmos reclamando e comprando, o círculo vicioso será continuamente alimentado.

Mesmo sendo um consumidor da marca, é óbvio que acho os preços dos produtos da Apple no Brasil abusivos, principalmente quando olhamos para a nossa realidade. Será, então, que a saída é ficarmos apenas reclamando? Você que captou o real sentido do texto concordará que não. Porque as mudanças que foram conquistadas neste país só se concretizaram quando algumas pessoas pararam de reclamar e “partiram pra briga” — no bom sentido da expressão, obviamente. Quando a reclamação se transforma em manifestação ativa, em providência, aí sim as coisas mudam.

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