Desastre no Japão provoca tumulto em mercados de ações e AAPL tem uma péssima semana [atualizado]

Stocks no iPhone

Conforme o tempo passa, os efeitos secundário da tragédia que se desenrolou há uma semana no Japão estão sendo sentidos em todo o mundo. O mercado financeiro costuma apresentar sintomas de grandes crises e neste caso não foi diferente, mas o da NASDAQ:AAPL foi especialmente complexo.

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No começo da semana falamos que o desligamento de fábricas da Toshiba no Japão poderia gerar problemas de suprimento de memórias NAND flash — um tipo de componente crucial para os produtos de maior sucesso da Maçã. Similarmente, a Mitsubishi Gas Chemical Co., produtora de um tipo de resina usado placas de circuito impresso, também teve que cessar suas operações temporariamente.

AAPL em 17 de março

Diante dessa situação, temos duas fornecedoras da Apple sendo seriamente afetadas pelo desastre no Japão. Alex Gauna, da JMP Securities, aliou isso a uma desaceleração nos resultados financeiros da Foxconn para concluir que a produção da Maçã vai diminuir gravemente e, por isso, demoveu a AAPL aos olhos dos investidores. Pronto: como se não bastasse o ambiente ruim no mercado (vide a queda dos índices Dow Jones e NASDAQ, no gráfico acima), esse agourento ainda veio espalhar pânico entre os ariscos compradores de ações.

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Enquanto isso, analistas que fizeram o dever de casa (Guana não tem uma performance lá invejável, quando o assunto é Apple) olham pra isso tudo e soltam um “Bitch please” coletivo.

Para começar, Chitra Gopal e Steve Fox, da CLSA, rejeitaram imediatamente a relação entre os resultados da Foxconn e o desempenho da Maçã: apenas 24% das receitas da gigante chinesa seriam provenientes de contratos com a empresa de Cupertino — o sucesso do iPad em 2011 deverá, por sinal, aumentar esse número para 30% (Yair Reiner, da Oppenheimer, ratifica tal argumento). Como se não bastasse isso, detalhes do gerenciamento da produção e a flutuação cambial deverão contribuir para essa desaceleração. Note ainda que a Foxconn não vai se contrair: ela vai crescer um pouco menos rápido.

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Contudo, Gopal e Fox temem que o suprimento de componentes fique de fato prejudicado… mas isso não seria um problema exclusivo da Apple: outras companhias do setor hão de ter dores de cabeça similares. Contudo, por manter estoques historicamente bastante delgados, a Maçã tende a sofrer um pouco mais que a média, podendo eventualmente ter problemas para abastecer as prateleiras. Só que, por ora, o problema maior parece ser a demanda altíssima, e não uma oferta reduzida.

Fila para comprar o iPad 2 - Baybrook

Gene Munster, da Piper Jaffray, acredita que esteja aí a resposta para os investidores descontrolados temerosos: historicamente, os acionistas da Apple preferem premiá-la pela demanda elevada em vez de puni-la por oferta reduzida. Mesmo que haja problemas com suprimentos, seria o caso de castigá-la por ter produtos desejados demais?

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Isso “se” houver essas deficiências. Como a Apple costuma assegurar compras de componentes estratégicos em grande quantidade, ela, de todas as empresas, certamente é a que se encontra mais preparada para enfrentar momentos de escassez e eventuais subidas de preços. Em termos de vendas a consumidores na região afetada pelo desastre, Munster acredita que o impacto será mínimo (2,7% das receitas previstas para o trimestre, no pior cenário), de forma que ele manteve a AAPL classificada como “sobrepeso” e com preço-alvo de US$483.

Já Kulbinder Garcha, da Credit Suisse, publicou um relatório de 100 páginas no qual chuta o balde e coloca a AAPL logo em uma meta de US$500, ressaltando vários pontos positivos da Maçã: sua competitividade em hardware, software, ecossistemas e serviços; o potencial do iPhone, que ainda tem poucos competidores à sua altura; o domínio do iPad no crescente mercado de tablets, graças a um preço agressivo, a vantagem mercadológica e o pioneirismo no software, além da possibilidade de penetrar mercados emergentes com um iPhone nano.

Ah, e também porque, fazendo as contas, a AAPL é matematicamente valiosa — mais até que os produtos que a Apple vende.

[via SAI, AppleInsider, Fortune Tech]

Atualização (18/3 às 15h15)

Informações trazidas pelo DigiTimes indicam que a Foxconn não corre o risco de enfrentar escassez de componentes a curto prazo. Sem citar nomes, a gigante asiática afirmou ter fornecedores alternativos aos quais recorrer no momento.

Analistas de mercado estimam que a Foxconn tenha a seu alcance componentes o bastante para algo entre 2 e 3 semanas de produção de iPads 2, o que dará cerca de um mês de prazo para que as indústrias japonesas voltem à atividade sem prejudicar a cadeia produtiva.

[via Electronista]

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