Review: Pixelmator 2.0, uma ameaça cada vez maior ao Adobe Photoshop

Ícone do Pixelmator

Primeiramente, vamos esclarecer uma coisa de uma vez por todas: a comparação entre Pixelmator e Adobe Photoshop é inevitável. Contudo, é bom lembrarmos que se trata de dois produtos bem diferentes: enquanto um é focado principalmente no mercado empresarial/profissional, tem anos de história (está na sua 12ª versão), está disponível nas principais plataformas (Windows e Mac OS X), é desenvolvido por uma gigante de software e custa US$700, o outro é “simples”, focado mais em amadores, está em sua segunda versão, disponível somente para OS X, é desenvolvido por uma empresa bem pequena e custa US$60 — e atualmente ainda está em promoção, saindo por apenas US$30(!).

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Resumindo: é como comparar um carro com um caminhão, ou um Kindle Fire com um iPad. 😛 Mas a grande questão é a seguinte: há espaço para ambos e um pode aprender muito com o outro, inclusive.

Este review foi construído partindo da minha necessidade diária de um software para preparar algumas imagens para o MacMagazine, além de outros trabalhos pessoais. Eu não era um heavy-user do Photoshop, mas, por ter uma formação acadêmica ligada à área, podemos dizer que era bastante familiarizado com o aplicativo e seus recursos. Contudo, parei de usá-lo há uns dois anos, quando percebi que minha necessidade não exigia um software pesado e caro como ele. Dito isso, vamos ao review! 😉

Visão geral/interface

Pixelmator 2.0 - Interface

A nova interface do Pixelmator está muito bacana — mais clean, mais consistente. De cara, notamos que ela está mais escura. Continua translúcida, porém muito menos que antes. Os elementos ganharam mais profundidade e estão mais destacados, sendo mais fácil achar a ferramenta desejada. Dá pra ver que os designers envolvidos no projeto fizeram um trabalho excelente.

Pixelmator 2.0 - Ferramentas

Comparando com o Photoshop, o visual é bem mais Apple-like (diria até Lion-like — não é à toa que ele já ganhou um Apple Design Award), e sua simplicidade pode ser considerada um dos pontos fortes. Podemos dizer que, neste quesito, o Pixelmator está para o OS X assim como o Photoshop está para o Windows. Os recursos do primeiro são bem mais intuitivos, fáceis e óbvios que os do segundo. Existem dezenas de formas diferentes de fazer a mesma coisa no software da Adobe (até pelo histórico e complexidade do software). Já no Pixelmator, existem poucas (e óbvias) opções. Contudo, para quem já está acostumado com o Photoshop, pode ser um pouco difícil (re)aprender a usar alguns recursos, até mesmo atalhos de teclado.

Pixelmator 2.0 - Preferências

Uma boa base de comparação é o painel de preferências dos aplicativos. No Pixelmator são apenas três opções de customização, onde é possível, entre outras coisas, organizar a barra de ferramentas, deixando-a totalmente de acordo com o seu interesse.

Recursos

Aqui, não tem jeito: para um profissional da área, faltam recursos ao Pixelmator. Enquanto no Photoshop você tem dezenas de opções para tudo, no Pixelmator você tem algumas poucas. Dependendo do recurso, ele nem existe, ou seja, você terá que fazer a coisa manualmente.

Pixelmator 2.0 - SeleçãoÉ verdade que a segunda versão ganhou novas ferramentas, como smudge, dodge, burn, content-aware fill, healing, novas formas vetoriais, ferramentas de desenho, melhor inserção de texto, novo eyedropper, correção de olhos vermelhos, etc., além de trazer suporte a diversos recursos do Lion, como salvar automaticamente, versões e tela cheia.

Ainda assim, faltam alguns recursos básicos para usuários acostumados com o Photoshop. Um exemplo: no software da Adobe, é possível alinhar elementos facilmente através de funções específicas para isso. Já no Pixelmator, a coisa tem que ser feita no “olhômetro” (no máximo, com a ajuda das linhas guia).

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Se você quer aplicar uma sombra ou um reflexo, também terá que fazê-lo manualmente. Tarefas mais complexas, como seleção de conteúdo (imagine uma mulher com cabelos esvoaçados em um fundo cheio de elementos), dimensionamento de conteúdo, edição com base em perspectiva e retoques mais profissionais são difíceis.

Pixelmator 2.0 - VetorA parte vetorial melhorou com a chegada de alguns elementos vetoriais, mas ainda é difícil trabalhar mais a fundo com esse tipo de material. Apesar de suportar arquivos PDF e, obviamente, PSD, ele não suporta objetos inteligentes, muito menos arquivos EPS, AI, e outros no formato de vetor. Seria muito interessante ver esse tipo de recurso nele. Contudo, se você é um desenhista nato, saiba que as novas ferramentas podem, sim, lhe atender caso você comece um trabalho no zero a partir dele.

Também não é possível automatizar tarefas dentro do aplicativo, como acontece no Photoshop, o que é uma pena para pessoas que precisam efetuar tarefas simples, porém repetidamente — é possível usar o Automator, da Apple, mas a limitação aqui é grande.

A função das camadas (layers) é a mesma do Photoshop, mas aqui faltam recursos como ajustes, estilos e outras coisas. Sem contar que, ao importar um arquivo PSD, a interpretação das camadas é ruim. Na maioria das vezes ela é errônea — uma falha muito comum é o fato de o aplicativo mesclar camadas que foram criadas separadas no Photoshop. Contudo, para criações a partir do próprio aplicativo, tudo funciona perfeitamente. Ainda assim, trabalhos mais complexos exigem algo parecido com as camadas inteligentes e estilos oferecidas no Photoshop, algo que não é possível encontrar no Pixelmator.

Pixelmator 2.0 - Filtros

Um ponto positivo do Pixelmator é que, apesar da menor quantidade de filtros, o live preview é muito mais amigável, permitindo testar e abusar das opções até escolher o que é mais de acordo com o seu desejo. No quesito tratamento de cor ele é ótimo, apresentando diversas ferramentas como matiz e saturação, curvas, níveis, brilho e contraste, exposição, coloração, balanço de cor, mixer de canais, luzes e sombras.

Pixelmator 2.0 - Edição de cores

Conforme comentei, o aplicativo já conta com suporte aos recursos Auto Save e Versions do Lion. Minha experiência até agora com eles é bastante positiva. Todavia, por ser um software em sua primeira versão após uma grande mudança por debaixo do capô, de vez em quando ainda ocorrem alguns engasgos ao trabalhar com arquivos maiores, mas algo perfeitamente normal. Assim que a versão 2.0.1 ou 2.1 chegar, com certeza ela resolverá esses pequenos problemas — o futuro é promissor, ainda mais agora que o aplicativo roda em 64 bits. Esquecer que você precisa salvar um arquivo e ter grande parte das versões disponíveis é uma dádiva.

Site do Pixelmator - Tutorial

Para entender exatamente até onde vai a capacidade do Pixelmator, é interessante dar uma olhada na página de tutoriais do produto. Diversos recursos são comentados (alguns em texto, outros em vídeo), divididos da seguinte forma: edição de imagem básica, tutoriais básicos, intermediários, avançados e de terceiros. Como disse, lá é possível ter um retrato fiel da capacidade e limitação do software.

Conclusão

Não, ele não substitui o Photoshop. Contudo, acredito que essa nem era a intenção dos desenvolvedores. Conforme falei anteriormente, existe espaço para os dois aplicativos. Se você olha para o Photoshop e o enxerga como um monstro, um bicho de sete cabeças, saiba que o Pixelmator vai lhe atender perfeitamente.

Lendo o texto acima pode até parecer que ele não é tão bom quanto parece — mas isso acontece justamente por estarmos comparando-o a um software altamente complexo e elaborado como o Photoshop. Acredite: em sua segunda versão, o Pixelmator já é um ótimo editor de imagens. Basta olhar sua avaliação na Mac App Store, onde ele está classificado com quatro estrelas e meia — e já foi inclusive destacado proeminentemente pela Apple na página inicial da loja.

Quem dera, existir um software equivalente para vetores. Aliás, #FikDik para a equipe Pixelmator: que tal desenvolver um software tal como ele focado em vetores? Seria muito interessante contar com uma dupla Pixelmator + “Vectormator”, assim como existe a Photoshop e Illustrator. 😛

Eu diria que, para tarefas complicadas, existe o Photoshop. Para tarefa mais simples, existe o Preview. Para qualquer coisa entre eles, existe o Pixelmator. E, convenhamos, por US$30 [17,3MB; requer o OS X 10.6 ou superior], até quem já tem o Photoshop pode comprar o software, apenas para aquelas correções/transformações rápidas. Afinal, pra que usar um caminhão se você quer só ir ali, na esquina?

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