Shanghai Evening News altera o título de matéria e remove referências de um iPhone mais barato

Phil Schiller dizendo não para um iPhone de baixo custo

O assunto está dando o que falar. Depois de ter tirado do ar uma reportagem sobre Phil Schiller e iPhone de baixo custo citando que o Shanghai Evening News fez alterações “substanciais” na entrevista original, a Reuters publicou um novo artigo abordando o assunto.

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Phil Schiller dizendo não para um iPhone de baixo custo

Montagem: Jesus Diaz, Gizmodo.

No último episódio dessa história — até agora —, a Reuters afirma que o veículo chinês revisou o artigo publicado anteriormente, removendo praticamente todas as referências de um smartphone mais barato (low-cost), além de alterar o título original de “Apple não lançará um smartphone mais barato para ganhar participação de mercado” para “Apple quer oferecer os melhores produtos, não vai perseguir cegamente participação de mercado”.

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A Maçã confirmou que Phil Schiller (vice-presidente sênior de marketing mundial) deu a entrevista para o veículo chinês e que entrou em contato para que a publicação original fosse alterada, contudo, se recusou a comentar mais o assunto.

Ou seja, bate exatamente com aquilo que falei ainda ontem (9/1), ao comentar a entrevista de Schiller:

Pra mim, ele não disse nada de novo — apenas confirmou o que a gente já sabe: a Apple não pensa em produzir um iPhone — ou qualquer outro produto — com materiais ruins, com tecnologias ultrapassadas, etc., apenas para ganhar mercado. Ela sempre pensa em juntar o que existe de melhor para criar um produto vencedor.

Mas isso não quer dizer que a Apple não está pensando em aumentar a família do iPhone introduzindo um novo modelo em algum momento no futuro. E, para quem não entende o que estou dizendo, pense no iPod touch. Ele é um produto inferior ao iPhone, custa US$300 (lá fora, modelo de 32GB) e nem por isso é considerado um produto ruim, mal-acabado, feito nas coxas, etc. — muito pelo contrário. Agora imagine um produto praticamente igual, mas com a capacidade de se conectar a redes 3G/4G! Taí um iPhone low-cost.

iPods touch

E já que estou refletindo bastante sobre isso ultimamente, vou aproveitar o embalo e dar uma de Mãe Dináh: num futuro próximo, a Apple vai matar o iPod touch por um motivo bem simples: ele ganhará um espaço para Nano-SIM (ou “Micro-Mini-Nano-SIM”, vai saber) e passará a se chamar “iPhone alguma coisa”. Com isso, a linha iPod, que já está numa curva descendente há bastante tempo, se resumirá ao shuffle, ao nano e quem sabe ao classic.

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Imagine um iPhone desses, custando os mesmos US$200 (16GB), US$300 (32GB) e US$400 (64GB) do iPhone 5. A diferença? Ele seria totalmente desbloqueado e livre de um contrato. Se você acha que isso não tem peso na história, pare para pensar novamente. Um contrato de dois anos lá fora adiciona nessa conta, no mínimo, uns US$1.900. Pode calcular — basta visitar esta página e dar uma olhada em View Rate Plans (Ver Tarifa de Planos).

Bem ou mal, o iPod touch é exatamente o que o iPhone de baixo custo poderia ser: um aparelho com o mesmo aspecto do iPhone 5 (tela de 4 polegadas, conector Lightning, etc.) mas que utiliza componentes “reciclados” de iPhones de gerações passadas, como processador A5 (iPhone 4S), câmera iSight de 5 megapixels (iPhone 4), entre outras coisas. Quer mais provas? Relembre a desmontagem do aparelho, feita pela iFixit. A tela, o botão Home… tudo é mais simples/barato que os componentes utilizados no iPhone 5, fazendo dele um aparelho “de espírito low-cost“.

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A cereja do bolo, para a Apple, seria market share. Pense comigo: no último trimestre, ela vendeu 5,3 milhões de iPods, sendo mais da metade disso de iPods touch. Se ela mata o touch e lança esse iPhone low-cost (que nada mais é do que um iPod touch com suporte a rede celular), esses 2,5-3 milhões de aparelhos passam automaticamente a entrar na conta de iPhones vendidos, aumentando a participação da Apple no mercado. Convenhamos, participação de smartphones hoje é muito, mas muito mais importante para uma empresa do que de MP3 players. Isso, é claro, sem contar com os milhões de pessoas que finalmente poderão comprar o iPhone pelo simples fato de ele estar sendo vendido por um preço mais em conta.

De fato, Schiller está certo quando diz que a Apple não perseguirá cegamente participação de mercado. Ela perseguirá com os olhos bem abertos, fazendo o que faz melhor: ótimos produtos, cada vez mais acessíveis (lá fora).

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