Imprensa quer que juíza libere vídeo de Steve Jobs usado como depoimento em processo

iPods classic de lado

Na semana retrasada nós comentamos um caso polêmico no qual a Apple foi acusada de apagar de iPods músicas adquiridas em outras lojas online. Esse processo não é de hoje (o período problemático ocorreu entre 2006 e 2009) mas, anos depois, muita coisa ainda está rolando.

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iPods classic de lado

Antes de falar sobre as novas informações, sugiro dar uma passada neste post e ficar por dentro do assunto. 😉

Novos representantes

Ao todo, essa ação coletiva contra a Apple pode estar representando até 8 milhões de pessoas. Só que os autores da ação coletiva passaram por um grande aperto ao selecionar seus representantes. Isso porque os advogados da Maçã questionaram mesmo se esses participantes do processo (os que estavam representando essa turma toda no tribunal) tinham de fato adquirido seus iPods no período específico que acarretou todo o problema. E, para a surpresa da juíza, não.

Acabou que tudo foi “salvo” por Barbara Bennett, uma patinadora amadora de Boston. Ela se qualificou como representante da ação e, como seu iPod foi comprado no fim de 2006 (dentro do período), acabou “salvando” o processo — conforme informou o WSJ.

Depoimento de Steve Jobs

Um vídeo de Steve Jobs (gravado poucos meses antes de ele falecer) foi usado como depoimento no processo. Pelas características do testemunho, não se trata de algo público. O problema é que o vídeo mostra Jobs, e aí meus amigos, a imprensa não quer ficar de fora dessa.

Steve Jobs no lançamento de um dos iPods

Veículos como Associated Press, Bloomberg e CNN entraram com um recurso para que esse vídeo se torne público e seja liberado para todos. “Steve Jobs não é uma testemunha típica do seu julgamento, e é isso que torna esta uma circunstância única”, disse Tom Burke, advogado que representa os veículos à juíza.

As declarações de Jobs obviamente são em defesa da Apple e poderiam até fazer bem à imagem da empresa nesse momento de acusação (sabemos o poder que Jobs tinha em convencer as pessoas), mas, ainda assim, os advogados da Maçã não querem que isso se torne público e acusaram os veículos de serem oportunistas. “O valor marginal de vê-lo novamente, em sua camiseta preta — desta vez, muito doente — é pequeno. O que eles querem é um homem morto, e eles querem mostrar para o resto do mundo, porque é um registo criminal”, disse Jonathan Sherman, advogado da Apple. Burke respondeu novamente dizendo que não se trata de um pedido frívolo, e que o testemunho “tem um valor inestimável”.

A juíza ainda está se decidindo sobre a possibilidade de liberar ou não o vídeo.

Depoimento de ex-engenheiro da Apple

Aqui, a coisa pegou para o lado da Apple. Intimado pelos autores da ação, Rod Schultz (ex-engenheiro da Apple que trabalhava no iTunes) testemunhou e afirmou que trabalhou num projeto destinado a bloquear 100% dos clientes não-iTunes — citando ainda que, na época, a empresa vivia uma “Guerra Fria” contra os hackers que estavam fazendo de tudo para burlar o DRM (digital rights management, ou gestão de direitos digitais) criado pela companhia.

De acordo com o WSJ, fora do tribunal Schultz disse que o trabalho da sua ex-equipe refletiu a necessidade do mercado de música digital para proteger os direitos autorais de músicas.

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A Apple argumentou — e Schultz concordou — que lançou muitas melhorias para o iTunes, e não apenas mudanças isoladas para sufocar a concorrência. A empresa disse ainda que as medidas de segurança, fruto do trabalho de Schultz, foram projetadas para proteger seus sistemas e a experiência dos usuários, que teriam sido comprometidos por outros players e formatos de arquivos.

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Aguardaremos, já que o resultado desse processo será conhecido ainda nesta semana.

[via MacRumors, The Verge, 9to5Mac]

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