Em entrevista, Tim Cook fala que não se importa em ser o primeiro — e sim o melhor

Tim Cook

Já divulgamos algumas histórias bem interessantes do livro “Becoming Steve Jobs”.

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Os autores Rick Tetzeli e Brent Schlender publicaram agora uma entrevista superlegal que fizeram com Tim Cook. Para falar a verdade, não há nada de novo nesse “bate-papo”, mas nunca é demais ver o CEO da Maçã falando sobre assuntos relevantes. Abaixo, separamos algumas perguntas/respostas para vocês terem um gostinho da entrevista.

FAST COMPANY: Como que o legado de Steve Jobs ainda vive na Apple?

Tim Cook: […] há essa coisa [do mercado] de tecnologia, quase que uma doença, em que a definição de sucesso é fazer mais. Quantos cliques você conseguiu, quantos usuários ativos você tem, quantas unidades você vendeu? Todo mundo em tecnologia parece querer grandes números. Steve nunca ligou para isso. Ele se concentrou em fazer o melhor.

Isso mudou o meu próprio pensamento quando vim para a empresa [Cook deixou a Compaq para entrar na Apple em 1998]. Eu estive no mundo Windows antes disso, e ele era sobre fazer mais. Ainda é.

FC: O foco de Steve sobre os benefícios das pequenas equipes deu certo para a Apple. Mas manter essa disciplina para permanecer eficaz, direto e sem burocracias parece ficar cada vez mais difícil com a Apple ficando cada vez maior.

TC: E as recompensas são maiores e maiores para fazer isso direito. Então, você está certo. É mais difícil, e você está lutando contra a gravidade. Mas se você não se sente como se estivesse [preso] em uma pequena caixa, você pode fazer.

Nós já aumentamos muito a colaboração pois está claro que, para que a gente tenha um sucesso incrível, temos que ser os melhores colaboradores do mundo. A magia da Apple, a partir de um ponto de vista do produto, acontece neste cruzamento de hardware, software e serviços. É esse cruzamento. Sem colaboração, você recebe um produto Windows. Há uma empresa que faz o sistema operacional, uma outra que faz algum hardware, e ainda um outro que faz outra coisa. É isso que está acontecendo agora com o Android. Juntando tudo isso, você não tem uma boa experiência de usuário.

Steve reconheceu cedo que ser vertical nos deu o poder de produzir uma grande experiência para o cliente. Por um longo tempo isso foi visto como lógica maluca. Mais e mais pessoas abriram seus olhos para o fato de que ele estava certo, que você precisa de todas essas coisas trabalhando juntas.

FC: Existem maneiras fundamentais em que você está deixando de lado algumas partes do legado de Steve?

TC: Nós vamos mudar todos os dias. Mudamos todos os dias quando ele estava aqui, e temos mudado todos os dias desde que ele não está mais aqui. Mas o núcleo, os valores do núcleo são os mesmo de 1998, de 2005, de 2010. Eu não acho que os valores devem mudar. O resto todo pode mudar.

Sim, haverá coisas que dizemos algo e, dois anos depois, vamos enxergar de forma totalmente diferente. Na verdade, podem existir coisas que a gente sinta ser totalmente diferente em uma semana. Nós estamos bem com isso. Na verdade, achamos que é bom que tenhamos a coragem de admitir isso.

FC: Steve faria isso o tempo todo.

TC: Ele definitivamente faria isso o tempo todo. Steve mudava de opinião toda hora. E isso acontecia pois ele não se prendia a uma posição, a um ponto de vista. Ele se prendia a uma filosofia, aos valores. O fato de que nós queremos realmente mudar o mundo continua o mesmo. Este é o ponto macro. Esta é a razão de virmos trabalhar todos os dias.

FC: Percebi que você ainda tem a placa de identificação de Steve em seu antigo escritório.

TC: Sim.

FC: Por quê? E você colocará algo assim no novo escritório?

TC: Ainda não decidi sobre o que vamos fazer lá. Mas eu quis manter o escritório dele exatamente como era. Eu estava lá com Laurene [Powell Jobs, a viúva de Steve] outro dia, porque ainda há desenhos das crianças nos quadros. Eu levei Eve [filha de Steve] lá durante o verão e ela viu algumas coisas que havia desenhado há anos nos quadros.

No começo, eu realmente não queria ir lá. Era muita coisa [para a minha cabeça]. Agora eu sinto uma apreciação quando vou lá, mesmo que isso não seja algo frequente.

O que nós faremos, eu não sei. Eu não quis me mudar pra lá. Acho que ele é uma pessoa insubstituível e por isso não me sentia bem… para qualquer coisa que pudesse ocupar aquele lugar. Por isso, seu computador ainda está lá como antes, sua mesa ainda está lá como antes, ele tem um monte de livros lá dentro. A Laurene pegou algumas coisas para levar para casa.

Eu não sei. Seu nome ainda deve estar na porta. Essa é apenas a maneira que deve ser. Isso é o que parecia certo para mim.

Às vezes a gente simplesmente esquece como deve ter sido difícil para Cook aceitar o desafio de ser CEO da Apple. Primeiro por tudo envolvido (sua relação de amizade com Jobs, as circunstâncias do convite de se tornar CEO, etc.); segundo, é claro, pela “inevitável” comparação com Jobs que ele terá que conviver eternamente.

É fácil olhar agora para a Apple (a empresa mais valiosa do mundo; iPhone vendendo como nunca, etc.) e falar que tudo foi muito fácil para Cook. Mas não podemos esquecer que o iPhone 6, o Apple Watch e muita coisa que vem pela frente não tem mais relação com Jobs e são “filhos” do novo CEO — assim como as ações na bolsa simplesmente deslancharam desde que ele assumiu o principal cargo da Maçã. Isso é mérito de Cook — e, claro, de toda a sua equipe.

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Se você entende inglês, sugiro a leitura da entrevista completa! 😉


Livro "Becoming Steve Jobs"

“Becoming Steve Jobs”

Compatibilidade: iPads, iPhones, iPods touch e Macs
Req. mínimos (iGadgets): iBooks 1.3.1 e iOS 4.3.3
Req. mínimos (Macs): iBooks 1.0 e OS X 10.9
Escritor(a): Brent Schlender e Rick Tetzeli
Categoria: biografias e memórias
Editora: The Crown Publishing Group
Páginas: 464
Idioma: inglês

Badge - Baixar no iBooks

[via The Loop]

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