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Em entrevista, Phil Schiller fala sobre como colaboração se tornou tão importante para a Apple

Recentemente temos comentado bastante aqui no site como a Apple está mais “aberta”. Alguns atribuem isso ao estilo de Tim Cook; outros, à saída de Katie Cotton (ex-chefona de comunicação da Apple que, assim como Steve Jobs, era bastante rígida quando assunto era comunicação externa). Independentemente do responsável por essa “nova Apple” a verdade é que nós, usuários, estamos conhecendo ainda mais como a empresa funciona por conta dessas belas entrevistas que alguns jornalistas então conseguindo realizar.

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Lance Ulanoff e Phil Schiller
Lance Ulanoff e Phil Schiller

Não tem muito tempo, nós destacamos uma muito boa realizada por Steven Levy, que trouxe detalhes sobre a criação dos iMacs de 21,5 polegadas com tela Retina 4K e dos novos periféricos da Maçã (Magic Keyboard, Magic Mouse 2 e Magic Trackpad 2). Agora foi a vez de Lance Ulanoff, do Mashable, conversar com Phil Schiller (vice-presidente sênior de marketing mundial da Apple) e John Ternus (vice-presidente de engenharia de Mac e iPad).

Schiller está na Apple desde 19871, quando os Mac SE e Mac II foram lançados. Por conta disso, ele acompanhou bem de perto não apenas a evolução dos produtos como da empresa em si.

Desde o início, o Mac tem sido sobre a Apple [a ideia de] assumir a responsabilidade por tudo: hardware, software, como os aplicativos podem trabalhar e, cada vez mais, serviços de internet. Mas isso hoje significa algo diferente do que há 20 anos.

Hoje, essas equipes não estão apenas integradas e projetando algo juntos, elas estão realmente pensando em características que só poderiam existir por causa dessa integração e solucionando problemas que só poderiam ser resolvidos por causa dessa vantagem única.

Antena (Wi-Fi e Bluetooth) e alto-falante do novo MacBook
Antena (Wi-Fi e Bluetooth) e alto-falante do novo MacBook

É dessa colaboração que nascem as grandes inovações da Apple, ainda que muitas delas passem despercebidas do público em geral, como a speaktenna (nome dado ao módulo de alto-falante do novo MacBook que conta com uma tira fininha que nada mais é do que a antena Wi-Fi e Bluetooth do computador), o formato do chassi do MacBook para abrigar as “camadas” de baterias, os cortes no chassi do MacBook que não são para o encaixe da bateria, mas para reduzir o peso da estrutura, entre outras coisas.

É uma Apple bem diferente daquela de muitos anos atrás, na qual equipes trabalhavam separadas, resultando num caminho não tão claro na concepção e na produção de um produto. Para Ternus, uma das coisas mais surpreendentes na nova Apple é como tudo é bastante estável dos primeiros modelos de produtos (protótipos) até a versão final, que chega ao mercado.

Placa lógica do novo MacBook
Placa lógica do novo MacBook

Esse tipo de colaboração também pode ser visto nas parcerias que a Apple tem com as suas fornecedoras. Segundo Schiller, não é incomum a Apple ajudar suas parceiras a refinar alguma especificação para que tal empresa consiga fornecer exatamente o que a Maçã precisa. Muitas vezes a Apple está em busca de tecnologias e recursos que ainda não foram criados, como quando Steve Jobs “ajudou” a Corning a criar o Gorilla Glass ou agora, com a nova tecnologia (mecanismo borboleta) do teclado do MacBook.

Ternus falando:

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Quase todos os novos produtos têm um novo material, processo ou tecnologia que nós nunca fizemos antes. Em muitos casos, ninguém jamais fez antes.

Colaboração é algo tão importante atualmente para a Apple que o novo campus da empresa foi construído com isso em mente.

Schiller explicou que o anel interno e externo da espaçonave são os corredores, e eles atravessam completamente todo o prédio. Trata-se de um espaço totalmente aberto, projetado para encorajar todos os empregados a se esbarrarem, conversarem e trabalharem em conjunto.

Detalhes da parte inferior de um iPhone 6s
Detalhes da parte inferior de um iPhone 6s — bem diferente do que vemos no HTC One A9 e no Samsung Galaxy S6

O chefão de marketing da Apple também foi questionado sobre se, com a utilização cada vez mais constante de serviços na nuvem, o hardware continua sendo algo tão importante assim. Schiller tratou de rejeitar essa ideia:

Não. A importância e o valor de um bom hardware não diminuiu de forma nenhuma. No geral, o nosso objetivo é fazer o melhor nas categorias que escolhemos para competir. É o que estamos fazendo e isso é refletido na escolha de clientes pelos nossos produtos em vez de outros. Então, eu acho que as pessoas estão mostrando com as suas escolhas que eles valorizam a qualidade e a beleza do hardware, e que isso não está diminuindo.

Eu nunca ouvi ninguém dizer “Por que eu gosto de manter minhas coisas na nuvem, eu vou pegar um pedaço de hardware barato e quero que ele seja feio. […]”

O executivo ainda comentou o fato de o Mac ter algo que outros computadores não tem: ser amado pelos seus donos.

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É importante para nós, algo que temos sorte de ter e que nunca esquecemos, é que temos clientes que realmente amam profundamente esses produtos.

Isso é algo que remete às primeiras gerações dos Macs, pelos quais as pessoas sentiram uma ligação e se preocupavam com seus Macs de uma maneira que você normalmente não esperaria de objetos inanimados.

Verdade seja dita, sabendo que esse pode ser o caso, nós certamente tentamos explorar e reforçar isso, não só entregando produtos surpreendentes mas nos identificando com eles.

Schiller também acabou comentando um pouco indiretamente a nova investida da Microsoft (com o Surface Book), dizendo que apesar de haver mais dispositivos híbridos (notebooks que também são tablets) no mercado, ele acredita que ainda é um mercado bastante pequeno (de nicho) e que não crescerá ao ponto de se tornar relevante. “O tempo irá dizer”, disse ele. Ou seja, se a Apple em algum momento apostar em um produto assim, é sinal de que revisou os seus conceitos e que esse mercado se tornou importante. 😛

Novo MacBook

Uma história interessante sobre os novos MacBooks também foi compartilhada, sobre como cada uma das máquinas é meticulosamente montada, como as peças são escolhidas de forma bastante individual, criando “computadores únicos”. Isso porque, pesando apenas 920 gramas, é preciso combinar os elementos para que nada fique desproporcional. Como há variações naturais para uma mesma peça, a Apple precisa se certificar de que tudo está como ela espera. Então, se na hora de montar um MacBook o logo espelhado da Apple está um pouco mais pesado do que o normal, é preciso escolher uma carcaça um pouco mais leve para contrabalancear isso.

“Todas as unidades são medidas para ver a força necessária para abri-lo e nós realmente ajustamos cada unidade”, disse Ternus. O resultado é que cada MacBook é, de certa forma, especial e imperceptivelmente diferente. Cada um é único, mas “tudo em um esforço para torná-los iguais”.

Lance Ulanoff e Phil Schiller
Lance Ulanoff e Phil Schiller

Ao ser questionado se a Apple é perfeita, Schiller disse “não, claro que não. E nós não queremos parecer que somos perfeitos. Nós nunca somos, temos sempre que melhorar e sempre temos que escutar onde [em que área] não estamos indo bem.” Prova disso é a autocrítica que a empresa está sempre realizando, optando por investir em ideias rejeitadas no passado (como aumentar a tela do iPhone, lançar o iPad mini e iPad Pro com uma stylus, entre outras coisas).

Vale muito a pena conferir o artigo de Ulanoff.

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