Assim como a Apple, façamos também o nosso exercício de empatia

Proponho a você um exercício: imagine que você está assistindo, por exemplo, à keynote da WWDC. Tim Cook aparece, anuncia um iOS maravilhosamente novo, com mil funcionalidades que você nunca havia pensado. Quando ele revela que a atualização ficará disponível a todos naquele momento, você corre para baixar e instalar.

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Faz o mesmo procedimento de sempre e, para a sua surpresa, o aparelho simplesmente não funciona. Você não sabe onde estão os ícones pois a tela se apagou, mas o aparelho não está desligado. “E aí, Siri?” — ela não responde. Ou talvez ela tenha respondido, mas só você não ouviu. Você sabe que ali existe uma infinidade de coisas que lhe ajudariam em suas tarefas diárias, mas é impossível fazer funcionar. Você sabe que todo o mundo já está usando e amando aquilo, menos você. Como você se sentiria se isso acontecesse? Frustrado(a)? Chateado(a)? Triste?

Bem, essa é uma tentativa simplória de demonstrar como muitas pessoas com necessidades especiais se sentem todos os dias ao interagir com seus celulares, computadores, tablets, etc. Elas também têm o direito de amar tecnologia assim como nós, porém são impedidas de usufruir das funcionalidades — para nós, indispensáveis — porque ninguém as considerou enquanto criava sua inovação tecnológica. Os sites e aplicativos muitas vezes são impossíveis de serem reproduzidos pelo leitor de tela. Alguns vídeos não passam de representações desconexas para quem não pode ouvir os diálogos ou a narração; imagens não existem para quem não as pode ver e de nada serve a sensibilidade da tela para quem não as pode tocar.

Por isso, iniciativas como a do Dia Mundial de Consciência à Acessibilidade (Global Accessibility Awareness Day, ou GAAD) são tão importantes. Desde 2012, em toda terceira quinta-feira do mês de maio, pessoas são convocadas a refletir e aprender sobre acessibilidade digital e inclusão. Neste ano, além do dia em si (19/5), ocorreram diversos eventos “offline” na semana passada inteira, assim como também houve colaborações pela internet. Então, gostaríamos de contribuir como podemos: falando de Apple.

Apple accessibilidade

Ao traçar uma linha do tempo da acessibilidade, notamos que os celulares já passaram de “nada acessíveis” (os “tijolões”) para “bastante acessíveis” (os que temos hoje). Felizmente, nesse quesito a Maçã está se saindo muito bem, sendo considerada a melhor em sua área e mostrando que este é um dos seus pontos fortes.

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Nós vemos acessibilidade como um direito humano básico. Levamos aos nossos produtos a concepção de um mundo inclusivo onde oportunidade e acesso à informação não têm barreiras e empoderam as pessoas com dificuldades a alcançarem seus objetivos.

Sarah Herrlinger, gerente sênior de políticas e iniciativas globais de acessibilidade da Apple.

Muito mais do que falar, a empresa realmente demonstra que acessibilidade é um “direito humano básico”, levando-a para todos os seus sistemas operacionais. Existem recursos nativos de acessibilidade que talvez nunca ouviríamos falar se não precisássemos utilizá-los, como o “braile na tela” (visão) e os alertas visíveis para notificações (audição).

Porém, há também funções muito conhecidas usadas como ferramentas acessíveis, como o FaceTime — que ajuda surdos a se comunicarem na Língua (não “linguagem”!) de Sinais — e até a própria Siri, ajudando cegos e deficientes motores a interagir com seus aparelhos. Além disso, existe uma variedade de hardwares tais como monitores braille e aparelhos auditivos que têm compatibilidade completa com o iOS e OS X. A atenção dispensada pela empresa também é impressionante, disponibilizando todo o suporte possível a usuários e desenvolvedores.

VoiceOver AcessibilidadeEm falar em “desenvolver”, os sistemas operacionais cabem à Apple, mas muito do que está dentro deles — como os aplicativos e os sites — são feitos por diversas pessoas. Desenvolvedores não precisam necessariamente criar aplicativos totalmente focados em acessibilidade como, por exemplo, o maravilhoso Be My Eyes, porém todos devem se certificar de que seus aplicativos são acessíveis em todas as instâncias. Programadores e web designers precisam também ter o cuidado de deixar seus sites organizados para serem lidos pelo VoiceOver.

Mas como você vai saber se seu app/site está acessível? A própria Apple disponibiliza para você um guia. O investimento feito pela Maçã é tão grande e bonito que no dia exato da conscientização — na quinta-feira passada — Apple Stores pelo mundo inteiro realizaram workshops para demonstrar a utilização dos recursos de acessibilidade em iPads, iPhones e Macs. As atividades foram divididas de acordo com a necessidade: visão, audição, habilidades motoras e também aprendizagem e alfabetização, uma área também muito reconhecida pela empresa para melhorar o desempenho daqueles com dificuldades de aprendizado.

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Para mostrar que realmente a empresa não brinca em serviço, hoje Tim Cook postou em seu Twitter uma foto da reunião que teve com os desenvolvedores do AssistiveWare, responsável por diversos aplicativos de inclusão digital e acessibilidade.

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Uma visita inspiradora com a @assistiveware em Amsterdã. Seus aplicativos melhoram vidas, dando às pessoas uma voz.

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Infelizmente, sabemos que não são todas as pessoas com necessidades especiais que podem ter um iPhone ou Mac. Por este motivo, a intenção não é somente se vangloriar do “vanguardismo” da Apple, mas esperar que, deixando competições de lado, todas as outras empresas percebam que podem, sim, ser inovadoras e acessíveis ao mesmo tempo.

Se você quiser conhecer um pouco mais da vivência das pessoas com necessidades especiais, ouça estes episódios de alguns podcasts: Mamilos #58, Braincast #181, Nerdcast #256 e #506. Gostaria de destacar também o podcast Papo Acessível, conduzido pelo Fernando Scalabrini — deficiente visual e fanático por tecnologia (e Apple!).

Talvez eu e você não sejamos uma grande instituição, mas ainda podemos fazer a nossa parte. Se você nunca tentou, dê uma olhada em algumas das funções de acessibilidade e tente usá-las como se realmente precisasse delas. Desta maneira, você terá uma experiência empática muito mais forte. O exercício de empatia nos faz considerar o outro, respeitá-lo e, por tabela, acabamos melhorando a nós mesmos como seres humanos. 😉

[via TechCrunch]

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