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CarPlay, da Apple

CarPlay: vale a pena ou não?

Quando a Apple anunciou o CarPlay, em março de 2014, muitos usuários ficaram empolgados. Fiquei pensando na possibilidade de ter tudo o que eu mais usava no meu telefone integrado ao meu carro, visto que passava horas “dirigindo” no conhecido e famoso trânsito de São Paulo — mesmo sabendo que a Apple costuma liberar aos poucos as atualizações para compatibilização de aplicativos de terceiros. Com base no que ela mostrou na época, receber ligações, SMS e usar os mapas da Apple escutar músicas já estaria bom para o primeiro ano.

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Outro problema da época: quanto tempo o CarPlay demoraria para chegar ao Brasil. Por conta disso, segurei a minha empolgação sabendo que expansão internacional não é o forte da Maçã — de fato, demoraram quase dois anos para começarem a aparecer os primeiros carros com o sistema CarPlay aqui no Brasil.

Nos Estados Unidos, eu tive a oportunidade de utilizar o CarPlay em alguns carros que dirigi (alugados). Confesso que demorei um pouco para chegar a um veredito (se era um produto bom ou ruim); se considerarmos que ele é voltado para tirar o mínimo possível da sua atenção, então temos aí um ponto positivo. Ele ajuda bastante e é tão simples, tão simples, que não dá tanta vontade de ficar olhando para os apps nativos como costumamos fazer no iPhone ou no iPad.

Eu posso me considerar um usuário avançado e, por trabalhar com desenvolvimento de aplicativos, tenho centenas deles instalados no meu celular — até para analisar o que o mercado está ofertando. Minha expectativa, em 2016 (quando mais usei o CarPlay nos EUA), era que, ao plugar o iPhone no cabo do carro para sincronizar com o CarPlay, muitos dos aplicativos que eu tinha instalados no telefone apareceriam como “mágica” no console do automóvel. Bem, vamos fazer agora um minuto de silêncio em respeito à decepção que eu tive na hora. Os únicos aplicativos que apareceram na tela foram: Telefone, Mensagens, Mapas, Contatos e Spotify. Sim, unzinho — fora os da Apple — para salvar!

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Mesmo assim, continuei insistindo e tive novamente experiências boas e ruins. Vamos, primeiro, à boa.

Levando em consideração que boa parte dos meus amigos mais próximos usam iMessage em vez da febre brasileira chamada WhatsApp, eu tive a oportunidade de testar a troca de mensagens de texto escritas com o auxílio da voz. Troquei diversas mensagens com o Breno Masi, por cerca de 30 minutos, enquanto viajava de uma cidade para outra. Praticamente não precisei tirar as mãos do volante para responder as mensagens e nem para lê-las, o que eu considero muito positivo! Era só dar o comando “E aí, Siri”, falar que eu queria mandar uma mensagem para o Breno e ditar o texto. Ela entendia muito bem e lia razoavelmente bem as respostas dele para mim — salvem risadas e abreviações que ela ainda não entende, como por exemplo “kkkkk”, “vc”, etc.

Agora, uma coisa que me decepcionou muito é que, mesmo nos EUA, pelo menos em Massachussets e na Flórida, o app Mapas (da Apple) ainda é muito inferior aos concorrentes. A navegação ponto-a-ponto funciona de um jeito que podemos chamar no máximo de “okay”. É aquilo: se você não tem outro app instalado no telefone, ele resolve o seu problema; mas o recurso dá os comandos muito em cima da hora e os detalhes do mapa não são tão detalhados assim, se é que você me entende.

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O problema: no CarPlay, só os mapas da Apple são permitidos. Não ter, mesmo nos EUA, a opção de usar outro mapa no CarPlay torna a experiência muito frustrante. Ainda assim, se pesarmos os prós e os contras, pelo preço que custam alguns sistemas multimídias lá fora, até vale ter o CarPlay no carro — por uns US$300, você encontra opções bem legais.

Com a liberação do framework SiriKit, uma lista de APIs1 aumentou as possibilidades de integrações com o CarPlay. Nesta lista eu destaco algumas que ainda precisam ser exploradas pelos apps, como:

  • Conseguir mexer nas configurações de áudio do carro diretamente pelo software do CarPlay;
  • Alterar as configurações de temperatura;
  • Alterar as configurações do ar-condicionado;
  • Alterar as configurações relacionadas ao assento;
  • Manipular e restaurar as configurações do ambiente do veículo para um perfil especificado pelo usuário;
  • Alterar a estação de rádio;
  • Indicadores na tela do modo de circulação de ar e ar-condicionado;
  • Indicadores da fonte de áudio e radio;
  • Indicadores da posição do assento.

Ou seja, usando a Siri através do CarPlay seria possível controlar várias configurações do seu veículo (desde que ele seja compatível) tudo com uma mesma interface, sem ter que configurar o assento direto no banco, o ar-condicionado pelo painel dele e por aí vai. Sabe aquele painel controlador do Tesla? É tipo isso! 😝

Tesla Model X
Visão interior do Tesla Model X

Lembram que falei que, depois de um tempo, alguns carros com CarPlay começaram a chegar no Brasil? Pois é. Chegar até chegaram, mas vocês viram alguma fabricante — ou a própria Apple — fazendo barulho em cima disso? Nem eu. Aqui, o CarPlay consegue ser ainda mais limitado. Não pelo CarPlay em si, mas pelo fato de o Mapas não ter a navegação ponto-a-ponto no nosso país, o app nativo não está disponível no sistema automotivo da Maçã no Brasil. Então, a experiência de usar o CarPlay aqui muitas vezes mais atrapalha do que ajuda (já que temos que usar obrigatoriamente os nossos telefones se quisermos utilizar o Waze, o Google Maps ou algum ouro aplicativo do gênero). Frustração é a palavra.

Nossos colaboradores já cansaram de escrever artigos sobre a lentidão — ouso chamar de descaso — da Apple em relação aos seus mapas. Aos menos que os planos da empresa envolvam algo de outro mundo que não estamos sabendo, não existe outra palavra para descrever essa demora a não ser essa: descaso.

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Então, o cenário brasileiro é esse: se você utiliza bastante o WhatsApp para enviar mensagens, se você precisa muito se localizar em um mapa enquanto dirige… bem, o CarPlay não é uma boa opção para você, ao menos não ainda. Agora, se o seu objetivo é apenas escutar algumas músicas, as integrações que existem hoje com o Apple Music e o Spotify são boas — sem falar, é claro, que no CarPlay você pode facilmente atender as ligações que recebe.

Você tem um carro com CarPlay ou já experimentou o recuso automotivo da Maçã no Brasil? Discorda das minhas críticas? Deixe o seu comentário sobre o que esperava (ou espera, ainda) do produto.

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